Integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) assistiram, ainda antes da estreia, ao filme norte-americano Dark Horse, que reencena o atentado a faca contra Jair Bolsonaro e a eleição presidencial de 2018. A avaliação interna é de que o senador aparece pouco na trama, enquanto a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ganha destaque na narrativa.
Participação discreta de Flávio
No roteiro, o personagem de Flávio tem pouquíssimas falas e surge apenas em momentos pontuais. A equipe do parlamentar considera que essa participação limitada enfraquece alegações de uso eleitoral da obra em favor de sua pré-candidatura ao Planalto em 2026.
Foco no atentado e na relação familiar
Descrito como um thriller político, o longa recria o episódio de 6 de setembro de 2018 em Juiz de Fora (MG) e mostra a recuperação de Jair Bolsonaro. Cenas de casamento, o nascimento da filha Laura e diálogos de apoio entre Michelle e o então candidato compõem o enredo. O agressor é retratado como militante de esquerda, mas não recebe o nome de Adélio Bispo.
Exibição só depois das urnas
A distribuidora Europa Filmes planeja lançamento comercial a partir de novembro, em pelo menos 650 salas de cinema. A estratégia visa evitar questionamentos jurídicos durante o calendário eleitoral.
Questionamentos sobre financiamento
Mensagens divulgadas pelo Intercept Brasil indicam que Flávio Bolsonaro teria solicitado recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para viabilizar a produção, o que gerou crise no entorno do senador. Aliados temem novos desgastes quando o filme chegar ao público.
TSE e Ancine acompanham o caso
Em maio, o grupo Prerrogativas e o deputado Rogério Correia (PT-MG) pediram ao Tribunal Superior Eleitoral investigação sobre o financiamento do filme e a suspensão do lançamento. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, arquivou a ação por questão processual. Paralelamente, a Agência Nacional de Cinema abriu procedimento para verificar o cumprimento de normas para produções estrangeiras filmadas no Brasil.

Imagem: Reprodução
Elenco majoritariamente estrangeiro
O papel de Jair Bolsonaro é interpretado pelo ator norte-americano Jim Caviezel, enquanto Michelle é vivida por Camille Guaty. Flávio é representado pelo brasileiro Marcus Ornellas. Todos os diálogos foram gravados em inglês; no Brasil, o filme será exibido em cópias dubladas.
Com a estreia marcada apenas para depois da eleição municipal de 2024, aliados de Flávio avaliam que o timing reduz o risco de nova intervenção da Justiça Eleitoral, como ocorreu em 2022 com o documentário Quem Mandou Matar Jair Bolsonaro?.
Com informações de O Globo
