O ex-vendedor Hugo Dias, que atuava na loja de materiais de construção AC Coelho, foi condenado a dois anos e seis meses de prisão em regime inicial semiaberto por 13 crimes de estelionato. A decisão também determinou o pagamento de R$ 575.141,55 à empresa, valor fixado como reparação mínima pelos danos causados.
Esquema descoberto
Segundo denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), o esquema ocorreu entre junho e outubro de 2024. Nesse período, o funcionário acessava o sistema interno da loja, alterava registros de cerca de 40 clientes e substituía telefones e e-mails verdadeiros por contatos próprios ou do irmão.
Com os dados modificados, ele emitia notas fiscais que simulavam compras legítimas. As mercadorias, porém, eram enviadas a um endereço único em Vicente Pires, enquanto os pagamentos eram transferidos diretamente para a conta pessoal do vendedor, sem passar pelo caixa da empresa.
Investigação
A direção da AC Coelho percebeu um aumento anormal nas inadimplências atribuídas aos clientes de Hugo. Ao apurar a situação, constatou que diversos consumidores não haviam realizado as compras lançadas em seus nomes; alguns nem estavam em Brasília no dia da emissão das notas.
Durante diligências, a Polícia Civil flagrou a entrega de 200 sacos de cimento na obra de Vicente Pires. No local também foram encontrados canos, conduítes, caixas d’água e outros itens compatíveis com notas fiscais investigadas.
Depoimentos
Em juízo, o representante da loja afirmou que o ex-vendedor ainda pagava fretes das entregas para dar aparência de regularidade ao esquema. O irmão de Hugo, apontado inicialmente como possível participante, foi absolvido por falta de provas.
Imagem: Internet
Hugo admitiu ter recebido valores na própria conta e emitido notas em nome de terceiros, alegando que os compradores estavam cientes e que se tratava apenas de “irregularidade administrativa”, sem prejuízo à empresa. A defesa reforçou essa tese e já recorreu da sentença, sustentando inocência total.
Sentença
O juiz rejeitou os argumentos da defesa. Na sentença, destacou que os clientes negaram as compras, os pagamentos não ingressaram na empresa e o prejuízo ultrapassou meio milhão de reais. O magistrado considerou a posição de confiança do réu, a duração do esquema e os impactos financeiros para fixar a pena.
Além da reclusão em regime semiaberto, Hugo terá de devolver R$ 575.141,55 à AC Coelho, quantia que será corrigida monetariamente e acrescida de juros.
Com informações de Metrópoles
