Uma salva de palmas que tomou o anfiteatro central da Universidade Estadual de Londrina (UEL) marcou o ponto alto da 1ª Semana de Engenharia Civil. Ao final da programação, na noite de 5 de agosto, o presidente da construtora Vectra, Manoel Luiz Alves Nunes, recebeu uma placa de reconhecimento por cinco décadas dedicadas à engenharia e pelo impacto de seus empreendimentos no desenvolvimento urbano da cidade.
A homenagem, organizada pelo Centro Acadêmico Saburo Morimoto (CASM), encerrou dois dias de palestras, painéis e workshops que reuniram estudantes de Engenharia Civil, Produção, Elétrica, Arquitetura e Urbanismo. Além de dividir sua trajetória, Nunes reforçou aos jovens a importância da ética, da honestidade e do estudo contínuo: “Nada se perde ensinando; a gente sempre recebe de volta o que entrega”, disse, visivelmente emocionado.
Construção civil em pauta do campus ao canteiro
Realizado em 4 e 5 de agosto, o evento apostou em um formato que mesclou teoria acadêmica e experiências de mercado. Patrocinadora principal, a Vectra escalou profissionais de diferentes áreas para traduzir processos que, fora do universo universitário, determinam o sucesso ou o fracasso de um empreendimento.
Performance começa nas pessoas
A maratona de conteúdos começou com a analista de Gente & Gestão Letícia Gubani. Em “A equação da alta performance – Como a gestão de pessoas influencia resultados”, a especialista detalhou como recrutamento estratégico, avaliação de competências e clima organizacional bem cuidado revertem em prazos menores e redução de custos na obra. A apresentação dialogou com a realidade dos futuros engenheiros ao explicar, por exemplo, como metas claras e feedbacks estruturados elevam a produtividade dos times de campo.
Do terreno ao empreendimento pronto
Na sequência, o head de engenharia técnica da Vectra, Renato Mortari, levou ao palco o tema “O ciclo imobiliário – do técnico ao business”. Diante do vice-reitor da UEL, Miguel Belinati Piccirillo, e de uma plateia lotada, Mortari percorreu todas as etapas que antecedem a entrega de um imóvel: estudo de demanda, aquisição do terreno, concepção do produto, viabilidade financeira, captação de recursos, lançamento, escolha de parceiros e acompanhamento minucioso da obra.
“O desafio maior está em ler o cenário econômico à frente, porque o ciclo é longo”, alertou o engenheiro, lembrando que decisões tomadas hoje podem repercutir anos depois na rentabilidade do projeto.
Canteiro de obras do futuro já chegou
Gestão na prática e carência de mão de obra
No segundo dia, os engenheiros civis Victor Kono, coordenador de obras, e Bruno Sakuma, residente nos canteiros da incorporadora, apresentaram “A gestão de obras na prática: do planejamento à execução”. A dupla evidenciou um gargalo que insiste em frear o setor: a falta de profissionais qualificados. “Com menos gente, o prazo se estende; quanto maior a demora, maior o custo final”, explicou Kono.

Imagem: Internet
Os palestrantes também compartilharam rotinas que começam antes mesmo da primeira pá de terra: obtenção de documentos, demarcação do terreno, estudo de solo, instalações provisórias e protocolos de segurança – da sinalização obrigatória ao treinamento das equipes. “O engenheiro exerce um cargo de enorme responsabilidade e precisa dominar gestão”, resumiu Sakuma.
BIM, impressão 3D e inteligência artificial
Entre as inovações que já transformam o canteiro, Kono e Sakuma citaram o BIM (Building Information Modeling), as construções modulares, a impressão 3D de componentes e o uso de inteligência artificial. Segundo eles, algoritmos capazes de prever atrasos ou otimizar rotas de materiais ganham espaço e podem conectar em segundos vagas abertas a profissionais certificados.
Reconhecimento acadêmico e inspiração profissional
A placa entregue a Manoel Luiz Alves Nunes pelo presidente do CASM, Nelson dos Santos Pio Junior, sintetiza o diálogo que a organização da Semana de Engenharia buscava estabelecer. “Procuramos parceiros externos que trouxessem vivência prática para que possamos preparar melhor nossos alunos”, afirmou Pio Junior, anunciando a intenção de tornar o encontro anual.
Durante toda a programação, uma maquete do empreendimento Wynn, entregue pela Vectra em 2026, permaneceu exposta no saguão do campus, atraindo a curiosidade dos estudantes. Para Ana Laura Negri, do segundo ano de Engenharia Civil, o contato direto com profissionais de mercado torna o aprendizado mais dinâmico: “Essa visão de fora é essencial para entendermos como tudo funciona e o que poderemos fazer depois do diploma”.
A expectativa é que, a partir desta primeira edição, a Semana de Engenharia Civil da UEL se firme como ponte permanente entre universidade e indústria, reforçando a importância de valores como qualificação, inovação e, como frisou Nunes, ética inegociável na construção de qualquer carreira – ou edifício.
