Os touros tomaram conta da arena de Barretos na abertura da Final Nacional da PBR Brasil 2026. Das 25 montarias realizadas, apenas dez terminaram o tempo regulamentar de oito segundos, confirmando a supremacia animal no início da disputa que vale R$ 500 mil e o título de campeão brasileiro.
Quem escapou das quedas foi o mineiro Gabriel Henrique da Silva, de Lagoa Formosa. Estreante na temporada, o competidor somou 87,35 pontos ao dominar o animal Missão Agrocave e fechou a noite na liderança geral, embolsando ainda um bônus de R$ 2.052.
Domínio animal logo na primeira noite
A atmosfera típica da arena — poeira suspensa, arquibancadas lotadas e adrenalina a cada porteira aberta — ganhou contornos ainda mais dramáticos com o desempenho dos animais. Quinze peões foram arremessados antes de completar o cronômetro, número que reforça o nível técnico dos touros levados a Barretos para a decisão da Professional Bull Riders (PBR) no Brasil.
O melhor índice ficou com Alucinante, da Companhia Scatolin. O touro jogou ao chão Gabriel Morais, de Minas Gerais, e recebeu 45,00 pontos dos juízes, nota mais alta da noite. O feito colocou o animal como um dos favoritos ao concorrido título de Touro do Ano.
Ranking parcial dos competidores
- 1º – Gabriel Henrique da Silva (MG) – 87,35 pontos em Missão Agrocave
- 2º – Adenilson dos Santos (GO) – 86,85 pontos em Cancelado
- 3º – Marcos Vinícius dos Santos (SP) – 86,80 pontos em Pacífico
- 4º – João Paulo Velasco (MT) – 86,25 pontos em Imigrante
- 5º – Lucas Araújo (PE) – 85,85 pontos em Corrosivo
Velasco, que chegou a Barretos como líder da temporada, manteve-se próximo dos ponteiros e segue firme na busca pelo título nacional.
Peões em ascensão e disputa apertada
A performance de Gabriel Henrique não surpreendeu quem acompanha a categoria de base. O mineiro assumiu a terceira posição do ranking anual graças ao resultado obtido na arena e consolidou o status de favorito ao prêmio de Melhor Estreante da temporada. “Queria apenas parar os oito segundos. Conseguir a nota mais alta me dá confiança para as próximas noites”, comemorou, ainda sobre a prancha de proteção, instantes depois da montaria.
Outra revelação foi o goiano Adenilson dos Santos, que recebeu 86,85 pontos após desafiar o touro Cancelado, da 2M Marcondes Maia. A diferença inferior a um ponto para o líder deixa a tabela embolada e transfere a pressão para a segunda rodada.
Análise técnica das montarias
De acordo com os juízes da PBR, a nota do competidor leva em conta estilo, controle do corpo e grau de dificuldade imposto pelo animal. Quando o peão cai antes dos oito segundos, o touro costuma receber avaliação maior. Foi o caso de Alucinante, mas outros exemplares chamaram a atenção:
- Panamera (Wilsinho Salaroli) – 44,80 pontos;
- Despacho (Paulo Emílio) – 44,65 pontos;
- Mandraque Jr. (Paulo Emílio) – 44,15 pontos.
Mandraque Jr., atual detentor do prêmio de Melhor Touro, mostrou regularidade, porém viu rivais encostarem na briga pelo bônus de R$ 100 mil reservado ao animal mais consistente da temporada.
Touros candidatos ao prêmio de R$ 100 mil
A honraria de Touro do Ano não se resume à atuação em Barretos, mas o desempenho na final nacional costuma pesar na decisão. Panamera, que abriu vantagem de 0,15 ponto sobre Despacho, ganhou impulso importante logo na primeira exibição. “É um animal de pulo alto e saída explosiva, o que complica o ajuste do peão na corda americana”, avaliou um dos diretores da PBR no intervalo das baterias.

Imagem: Internet
Entre os criadores, a disputa reflete prestígio no circuito norte-americano. Animais premiados em Barretos normalmente asseguram convites para etapas internacionais, o que pode turbinar receitas com leilões de sêmen e contratos de reprodução.
Próximos desafios na arena
A competição volta a esquentar nesta sexta-feira, 21, com a segunda rodada. No domingo, 23, os oito melhores classificados até então retornam para a última montaria, que define não só o campeão da etapa de Barretos, mas também o detentor do título nacional de 2026.
As pontuações conquistadas em cada uma das quatro noites somam-se aos números já acumulados pelos atletas ao longo do calendário. Esse formato mantém em aberto a briga pela liderança, permitindo viradas espetaculares — cenário que reforça a expectativa de arquibancadas cheias até o último touro.
Premiação reforça peso da decisão
Além do troféu, o campeão brasileiro leva para casa uma picape Mitsubishi Triton Katana zero quilômetro e R$ 200 mil em dinheiro, totalizando R$ 500 mil. É a maior bolsa individual da história da PBR Brasil, igualando os valores praticados em etapas norte-americanas de primeira linha.
O pacote financeiro movimenta bastidores de patrocinadores, que enxergam no rodeio de Barretos uma vitrine para marcas ligadas ao agronegócio, ao universo country e ao mercado automotivo. Nas áreas de convivência, estandes disputam a atenção do público com ativações que vão de test-drive a lançamentos de produtos rurais.
Programação paralela e atrações
Enquanto os peões se preparam para o segundo round, a Festa do Peão segue com shows sertanejos, provas cronometradas e competições de laço. O camping, já lotado desde a véspera da abertura, recebe visitantes de todo o país, muitos deles vestidos a caráter para viver intensamente os 11 dias de evento. {internal_links}
Com a arena em polvorosa e a pontuação ainda em aberto, a expectativa é de que a rivalidade entre touros e peões cresça nas próximas noites, alimentando a mística de que, em Barretos, o berro do animal quase sempre fala mais alto.
