O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) solicitou ao Ministério Público Eleitoral (MPE), na segunda-feira (13/7), que investigue a mudança do endereço eleitoral da ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB-SP) de Mato Grosso do Sul para São Paulo. Ambos são pré-candidatos ao Senado nas eleições de 2026.
Paralelo com o caso Sergio Moro
Na representação, Salles argumenta que os mesmos critérios que levaram o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) a anular, em 7 de junho de 2022, a transferência do senador Sergio Moro (PL-PR) do Paraná para São Paulo também se aplicam a Tebet. O parlamentar sustenta que, assim como no episódio envolvendo Moro, a mudança de domicílio da ex-ministra teria motivação exclusivamente político-eleitoral, sem vínculo residencial, afetivo, familiar ou profissional comprovado com a capital paulista.
Documentos solicitados
O ex-ministro do Meio Ambiente pediu que o cartório eleitoral informe a data exata em que o título de Tebet foi transferido e encaminhe a decisão que autorizou a alteração. Requereu ainda que a pré-candidata apresente ao MPE a matrícula de um imóvel em São Paulo, declarações de Imposto de Renda, guias de IPTU e demais comprovantes que demonstrem ligação com o município.
Argumentos da representação
No texto entregue ao Ministério Público, Salles destaca que Simone Tebet construiu toda a carreira política em Mato Grosso do Sul, onde ocupou mandatos de deputada estadual, prefeita, vice-governadora e senadora, além de ter ligação familiar com o estado por meio de seu pai, o ex-governador Raméz Tebet. O documento cita ainda notícias que atribuem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) influência na escolha de São Paulo como base eleitoral da ex-ministra.
Resposta pendente
Procurada pela reportagem, Simone Tebet não se manifestou até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para eventual posicionamento.
Contexto político
A contestação surge uma semana depois de o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticar o fato de Tebet, natural de Mato Grosso do Sul, e Marina Silva (Rede-SP), nascida no Acre, liderarem as pesquisas paulistas para o Senado. Em entrevista à CNN, Tebet respondeu que é corintiana, paga impostos em São Paulo há dez anos e não precisou “dar endereço alheio” para se candidatar.
Última pesquisa Datafolha
Levantamento realizado pelo Datafolha entre 1º e 3 de julho, com 1.608 eleitores de 71 municípios, apontou o seguinte cenário para a única vaga de São Paulo no Senado:
Imagem: Internet
Marina Silva (Rede): 18%
Simone Tebet (PSB): 16%
Ricardo Salles (Novo): 13%
André do Prado (PL): 11%
Guilherme Derrite (PP): 10%
Paulinho da Força (Solidariedade): 8%
Brancos/Nulos: 17%
Não sabem: 7%
A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
O processo agora será avaliado pelo Ministério Público Eleitoral, que poderá solicitar novas diligências antes de decidir se leva o caso à Justiça.
Com informações de Metrópoles
