Rosamaria Murtinho leva a Salvador sua versão de Iris Apfel no espetáculo “Uma Vida em Cores”

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    Aos 93 anos, Rosamaria Murtinho desembarca em Salvador para celebrar a própria trajetória revisitando a de outra mulher que fez da ousadia uma marca registrada: Iris Apfel. A atriz carioca apresenta “Uma Vida em Cores” nos dias 19 e 20 de setembro, no Teatro Jorge Amado, prometendo um mergulho bem-humorado e sensível na história da designer e empresária norte-americana, falecida em março de 2024, aos 101 anos.

    Desta vez, a homenagem ganha tintas ainda mais pessoais: o texto de Cacau Hygin põe Rosamaria frente a frente com a neta, Sofia Mendonça, que vive Emily, jovem estagiária da revista Vogue encarregada de entrevistar Iris. No palco, avó e neta exploram conflitos geracionais, provocam o riso da plateia e escancaram temas atuais como etarismo, moda como identidade e a urgência de valorizar o tempo.

    Palco baiano recebe biografia estilosa

    Rosamaria aos 93: longevidade em cena

    Figura constante na televisão e no teatro brasileiro desde a década de 1950, Rosamaria Murtinho decidiu festejar o novo aniversário trabalhando. “Uma Vida em Cores” marca sua volta aos palcos baianos depois de quase dez anos e coincide com o momento em que Salvador retoma a agenda cultural pós-pandemia em ritmo acelerado. Para a atriz, interpretar Iris Apfel é mais que um papel: é refletir sobre liberdade criativa e a beleza de envelhecer sem pedir licença.

    Iris tornou-se ícone planetário ao misturar estampas, bijuterias enormes e óculos redondos, rompendo padrões de bom-gosto da indústria fashion. Rosamaria carrega experiência semelhante, ainda que em outra seara: manteve-se atuante, reinventou-se na TV e abraçou a internet, onde comenta novelas e publica bastidores de ensaios. A encenação convida o público a perceber pontes entre as duas trajetórias.

    Duas gerações, um mesmo figurino

    No enredo, Emily chega à casa de Iris preparada para uma conversa formal que deve render pauta de destaque na edição impressa da revista. Aos poucos, a repórter em formação se deixa contagiar pela espontaneidade da entrevistada e se vê envolvida num jogo de provocações que mistura memórias, conselhos e confissões. O diálogo, pensado para substituir o formato de monólogo de “Através da Íris” (2018), protagonizado por Nathalia Timberg, cria ritmo mais dinâmico e amplia o alcance emocional da obra.

    Enquanto a avó vive a personagem da vida real, Sofia Mendonça estreia profissionalmente nos palcos. A parceria familiar, segundo a produção, reforça o debate sobre gerações, tanto no conteúdo quanto nos bastidores: técnicas de interpretação distintas, referências culturais opostas e a mesma paixão pelo ofício de contar histórias.

    Bastidores da produção

    DaGente Produções e Catálogo Brasileiro de Teatro

    “Uma Vida em Cores” integra a 26ª edição do Catálogo Brasileiro de Teatro, iniciativa idealizada pelo diretor artístico Fred Soares e realizada pela DaGente Produções. O projeto percorre o país levando montagens de pequeno e médio porte a capitais fora do eixo Rio-São Paulo, com o objetivo de descentralizar a oferta de artes cênicas. Em Salvador, o circuito já trouxe espetáculos como “A Alma Imoral”, de Clarice Niskier, e “Incansáveis”, com Nicette Bruno.

    A versão atual do texto de Cacau Hygin privilegia momentos de improviso, permitindo que Rosamaria interaja diretamente com a plateia quando julga oportuno. A cenografia simples — composta por poltrona, biombo estampado e manequins adornados por colares e lenços — destaca o figurino excêntrico, praticamente outro personagem em cena. Cada peça de roupa passou por curadoria que respeita o espírito maximalista de Iris, sem reproduzir literalmente seus looks mais famosos.

    Temas que transbordam o palco

    A montagem discute:

    • Idadismo: o preconceito que subestima a capacidade de quem envelhece;
    • Moda como manifesto: vestir-se para expressar humor, valores e resistência cultural;
    • Amor e luto: a dor da perda do companheiro vivido por Iris durante quase sete décadas;
    • Legado: o que permanece quando a celebridade se apaga e resta a influência sobre outras vidas;
    • Corrida contra o relógio: a consciência de que o tempo é finito e deve ser aproveitado em plenitude.

    O texto alterna recordações da infância nova-iorquina de Iris, passagens por ateliês europeus e a explosão de fama tardia, quando ela já ultrapassava os 80 anos. Emily funciona como contraponto, trazendo questionamentos típicos de quem está no início da carreira e teme tomar decisões que comprometam o futuro.

    Do monólogo ao diálogo com a plateia

    Cacau Hygin, responsável tanto pelo texto quanto pela direção, afirma que preferiu abandonar o formato de monólogo para ganhar frescor: “Iris falava muito sobre a importância da troca. Nada mais coerente do que colocar Rosamaria contracenando com uma atriz que represente esse futuro em construção”, comenta. O resultado são 80 minutos de cena contínua, sem intervalo, em que a tensão inicial dá lugar a cumplicidade e afeto.

    A iluminação, assinada por Aurélio de Simone, realça a paleta de cores vibrantes, reforçando a ideia de que cada tom carrega simbolismos distintos — do vermelho da paixão ao azul da serenidade. A trilha sonora combina jazz dos anos 1950, batidas eletrônicas discretas e trechos de entrevistas reais de Iris Apfel, projetados em off.

    Serviço

    • Espetáculo: “Uma Vida em Cores”
    • Datas: 19 de setembro (sábado), às 19h; 20 de setembro (domingo), às 17h
    • Local: Teatro Jorge Amado — Av. Manoel Dias da Silva, 2177, Pituba, Salvador
    • Ingressos: à venda na plataforma Sympla, a partir de R$ 60
    • Classificação indicativa: 16 anos
    • Duração: 1h20, sem intervalo

    Interessados podem adquirir entradas pela internet ou na bilheteria física do teatro, sujeitas à disponibilidade. Clientes que doarem peças de roupa em bom estado para a campanha Vista essa Ideia, promovida pela produção, ganham 50% de desconto limitado a um ingresso por pessoa.

    Embora não haja temporada prolongada confirmada, a produção estuda retornar a Salvador em 2025, dependendo da resposta de público. Até lá, o espetáculo segue roteiro que inclui Recife, Fortaleza, Brasília e Belo Horizonte.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.