Rodrigo da Silva Nascimento, 26 anos, foi localizado na tarde de quinta-feira (13) no bairro Pantanal, em Sousa (PB), e voltou a ficar sob custódia após pouco mais de três meses em liberdade. Ele é o quarto detento recapturado entre os cinco que romperam as grades da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na Grande Natal, durante a madrugada de 2 de maio.
Com a prisão de Rodrigo, apenas Maycon Dias de Mora segue foragido, e a Secretaria de Administração Penitenciária do Rio Grande do Norte (Seap) mantém equipes de inteligência nas ruas para encerrar o episódio. O grupo que escapou cumpre penas que ultrapassam três décadas por roubo e corrupção de menores, entre outros delitos.
Prisão em Sousa contou com inteligência integrada
A captura foi executada por policiais militares da Paraíba com apoio de informações colhidas por agentes de inteligência do Rio Grande do Norte. Segundo relatório preliminar, Rodrigo portava um revólver e munições no momento da abordagem, o que reforça a suspeita de que ele tivesse auxílio para se manter foragido.
O detento não resistiu à prisão e foi transferido imediatamente para uma unidade da Polícia Civil para os procedimentos de autuação em flagrante por porte ilegal de arma. Depois de ouvidos os envolvidos, a Seap definiu o retorno de Rodrigo para o sistema prisional potiguar, onde ele deve cumprir o restante dos 37 anos a que foi condenado.
Cadeia de recapturas desde maio
Quatro dos cinco fugitivos de Alcaçuz foram localizados em operações distintas realizadas entre maio e agosto. A seguir, veja como cada um voltou para trás das grades:
Pedro Gabriel da Silva
- Recaptura: 20 de maio.
- Local: residência de familiares no bairro Felipe Camarão, Zona Oeste de Natal.
- Detalhe: foi surpreendido enquanto dormia; a denúncia partiu de moradores que reconheceram o foragido.
Jefferson Cleyton Lima da Silva
- Recaptura: 21 de maio.
- Local: sítio na zona rural de Japi, a 139 km da capital potiguar.
- Detalhe: policiais cercaram a propriedade após vigilância de 48 h; não houve troca de tiros.
Carlos Soares Alves da Silva
- Recaptura: também em 21 de maio.
- Local: Conjunto Village de Prata, bairro Planalto, Natal.
- Detalhe: denúncia anônima revelou o esconderijo; o suspeito tentou escapar pelos fundos, mas foi contido.
Rodrigo da Silva Nascimento
- Recaptura: 13 de agosto.
- Local: bairro Pantanal, Sousa (PB).
- Detalhe: flagrado armado; operação conjunta entre PMPB e Seap-RN.
O único nome ainda procurado é Maycon Dias de Mora. A força-tarefa alerta que ele pode estar armado e pede à população que acione o 190 em caso de informação.
Como ocorreu a fuga de 2 de maio
Imagens do circuito interno mostram que o grupo deixou as celas entre meia-noite e 1h, aproveitando a forte chuva que caía sobre Nísia Floresta. Os presos quebraram a grade do sistema de ventilação, cruzaram o pátio e alcançaram um muro interno. Na sequência, lançaram uma corda improvisada com lençóis – a popular “teresa” – para transpor o paredão externo, de cerca de cinco metros.
O desaparecimento só foi percebido no amanhecer, durante a contagem de rotina. Foi a primeira evasão registrada em Alcaçuz em quase cinco anos, intervalo considerado atípico para a maior penitenciária potiguar.

Imagem: Internet
Falhas apontadas no controle de Alcaçuz
Após a fuga, técnicos da Seap confirmaram que parte das câmeras do pavilhão 1 estava inoperante. Memorandos enviados em março e abril já pediam manutenção no sistema de vigilância, mas o serviço não foi concluído a tempo. Mesmo assim, o secretário Helton Edi Xavier defendeu que não há “pontos cegos” absolutos, pois “outros ângulos” supririam eventuais falhas.
Outro ponto criticado por entidades sindicais é a desativação das 10 guaritas externas. Segundo a presidente do Sindicato de Policiais Penais do RN, Vilma Batista, o baixo efetivo dificulta o patrulhamento visual e amplia a vulnerabilidade da unidade. O governo afirma que estuda realocar servidores e modernizar o monitoramento eletrônico para evitar novas ocorrências.
Histórico de crises no maior presídio do RN
Fundada em 1998 para desafogar o antigo “Caldeirão do Diabo”, Alcaçuz se tornou símbolo da crise carcerária potiguar em 2017, quando uma rebelião deixou 26 mortos – a maioria decapitada – e 56 fugitivos. À época, o episódio ficou conhecido como “Massacre de Alcaçuz” e provocou a troca de toda a direção penitenciária do estado.
Desde então, reformas estruturais e a instalação de centenas de câmeras reduziram a frequência de motins, mas a capacidade supera o limite em vários pavilhões. Especialistas em segurança pública avaliam que a superlotação e o déficit de policiais penais continuam sendo fatores críticos.
Enquanto o último fugitivo de maio permanece nas ruas, a Seap garante que o “trabalho só termina quando todos estiverem de volta às celas”. Qualquer cidadão que tenha pistas sobre o paradeiro de Maycon Dias de Mora pode recorrer aos canais de denúncia anônima da Polícia Militar.
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