Pressão de moradores faz governo adiar pedágio eletrônico e mudar localização de pórtico na Imigrantes

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    O governo paulista decidiu adiar o início do sistema de pedágio eletrônico “Siga Fácil” no Sistema Anchieta-Imigrantes e transferir um dos pórticos de cobrança, antes previsto para o km 29 da Rodovia dos Imigrantes (sentido capital), para a altura do km 38. A mudança, anunciada após sucessivas manifestações de moradores dos bairros pós-balsa de São Bernardo do Campo, interrompe a contagem regressiva para a estreia do modelo “free flow”, anteriormente marcada para 1º de agosto.

    Segundo a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) e a Artesp, a decisão busca evitar que a população local arque com até R$ 20 diários em trajetos de rotina — valor que seria cobrado sempre que o motorista deixasse ou retornasse ao bairro. Com o reposicionamento, os deslocamentos internos deixam de ser tarifados enquanto o plano técnico, os testes operacionais e os trâmites administrativos não forem concluídos. O governo ainda não definiu uma nova data para ligar o sistema.

    Protestos desde fevereiro pressionaram o Palácio dos Bandeirantes

    Foi nas ruas de São Bernardo que a configuração inicial do pedágio eletrônico começou a ruir. Entre fevereiro e julho, moradores das regiões isoladas pela represa Billings fecharam pistas, organizaram abaixo-assinados e levaram faixas às audiências públicas. O argumento central era o direito de ir e vir: sem alternativa terrestre à Imigrantes, o grupo seria forçado a pagar para trabalhar, estudar ou ter acesso a serviços básicos no restante do município.

    O estopim veio quando técnicos da Ecovias, concessionária responsável pelo trecho, instalaram estruturas para o pórtico no km 29. A proximidade com os acessos aos bairros pós-balsa tornava inevitável a cobrança em deslocamentos curtíssimos. Sob a repercussão negativa e a iminência de novos atos, o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) recuou e abriu mesa de negociação com lideranças comunitárias.

    Negociação levou à troca do km 29 pelo km 38

    • Local original: km 29 da Imigrantes, pista norte (sentido capital);
    • Novo ponto: km 38 da mesma rodovia, também na subida da serra.

    O deslocamento de nove quilômetros, de acordo com o Executivo, “preserva os deslocamentos locais e amplia a justiça tarifária”, mantendo a lógica do modelo free flow sem penalizar quem mora na região. Os demais pórticos foram mantidos: km 29 (sentido litoral) na Imigrantes e km 33 na Anchieta.

    Como fica a cobrança até o sistema eletrônico entrar em vigor

    Até que o “Siga Fácil” seja oficialmente ligado, nada muda para motoristas que usam o corredor Anchieta-Imigrantes. Permanece a tarifa de R$ 40,60 cobrada apenas na descida da serra, nas praças físicas de:

    1. Via Anchieta, km 31, bairro Riacho Grande (São Bernardo);
    2. Rodovia dos Imigrantes, km 32, bairro Piratininga (São Bernardo).

    Nesse período, a Ecovias continua testando câmeras, sensores de leitura de placas e antenas de identificação de dispositivos TAG. Equipes de orientação também distribuem folhetos e publicam avisos nas redes sociais, explicando como será a cobrança fracionada quando o novo modelo começar.

    Modelo atual x modelo eletrônico

    Modelo vigenteModelo free flow
    Praças físicas no km 31 (Anchieta) e km 32 (Imigrantes)Pórticos eletrônicos no km 33 (Anchieta) e km 29/38 (Imigrantes)
    Cobrança apenas na descida: R$ 40,60Tarifa dividida: R$ 20,30 na descida + R$ 20,30 na subida
    Necessidade de parar no guichêLeitura automática sem redução de velocidade

    O que é o “Siga Fácil”

    Trata-se da denominação paulista para o free flow, tecnologia que dispensa cabines e cancela físico. A cobrança é feita por meio de leitura de placa ou de dispositivos eletrônicos instalados no para-brisa. O sistema já opera em rodovias como a Rio-Santos (SP-055) e a Adhemar de Barros (SP-340), consideradas projetos-piloto pela Artesp.

    No Anchieta-Imigrantes, a expectativa do governo é reduzir retenções, diminuir o número de acidentes leves — provocados por freadas bruscas nas filas de pedágio — e oferecer “tarifa mais justa”, já que o pagamento passa a ser proporcional ao uso do trecho. Quem só desce ou só sobe a serra pagará metade do valor atual.

    Próximos passos e pendências

    A transferência do pórtico para o km 38 exige:

    • Deslocamento e instalação de suportes metálicos;
    • Reconfiguração do sistema de energia e dados;
    • Novos testes de leitura em alta velocidade;
    • Adequação da sinalização vertical e horizontal;
    • Homologação final da Agência Reguladora (Artesp).

    Somente após esse check-list, o governo divulgará a nova data de corte. Internamente, técnicos falam em “algumas semanas”, mas o Palácio dos Bandeirantes evita cravar um calendário para não repetir o anúncio frustrado de agosto.

    Impacto no cronograma estadual de concessões

    O adiamento na principal ligação entre capital e litoral sul gera apreensão em outras frentes do programa de concessões rodoviárias. A Secretaria de Parcerias em Investimentos previa usar os dados do Anchieta-Imigrantes como vitrine para atrair interessados em novos lotes que exigem pedágio eletrônico desde o primeiro dia. Sem números reais de fluxo e evasão, investidores pedem mais garantias ou postergação de editais.

    A despeito das incertezas, a equipe do governador Tarcísio de Freitas sustenta que o free flow é “irreversível” e que a experiência em São Bernardo servirá para refinar modelos de remuneração ao longo de 2025.

    Reações locais

    Lideranças comunitárias celebraram a vitória parcial, mas mantêm a mobilização. “Conseguimos tirar o pedágio da porta de casa, porém vamos esperar a publicação da nova localização no Diário Oficial para confirmar”, disse um dos organizadores dos protestos, que prefere não se identificar. A Defensoria Pública acompanha o caso e avalia se ainda há brecha para rediscutir o valor de R$ 20,30 por sentido, considerado alto para quem depende diariamente da rodovia.

    Na Câmara de São Bernardo, vereadores cogitam propor isenção ou desconto para moradores da zona pós-balsa, a exemplo de benefícios existentes em pontes e travessias marítimas. A medida dependeria de aporte financeiro do Estado ou de negociação com a concessionária.

    O que o motorista precisa saber por enquanto

    • Tarifa segue em R$ 40,60, somente na descida, até novo aviso;
    • Não é necessário instalar TAG agora, mas quem já possui continuará usando normalmente;
    • Sinalizações sobre o futuro free flow aparecerão ao longo dos próximos meses, mas ainda sem cobrança eletrônica;
    • Dúvidas podem ser tiradas pelo telefone 0800-019-7878 (Ecovias) ou no site da Artesp.

    Quando o “Siga Fácil” finalmente entrar em operação, a cobrança automática passará a valer imediatamente e as cabines físicas serão desativadas em poucos dias, encerrando uma era de mais de 30 anos de pedágio tradicional no principal corredor entre a Região Metropolitana de São Paulo e o litoral sul.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.