Perícia não confirma maioridade de suspeito por assassinato em hotel à beira-mar de João Pessoa

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    A tentativa da Polícia Científica de determinar se o principal suspeito pelo estrangulamento de Washington Rodrigo, 33 anos, já completou 18 anos terminou sem resposta. O laudo, divulgado nesta quarta-feira (29), classificou como inconclusiva a análise dos elementos dentários do investigado, que está na faixa etária de transição para a vida adulta. Enquanto a dúvida persiste, ele segue custodiado como adolescente infrator.

    O resultado mantém em suspenso a possível transferência do preso para o sistema penal comum e obriga a investigação a buscar certidões escolares, registros médicos e outros documentos capazes de comprovar a data exata de nascimento. A Defensoria, o Ministério Público e a Vara da Infância receberão as novas peças antes de qualquer mudança de regime.

    Limites da perícia dentária

    Responsável pelo exame, o perito criminal Flávio Fabres explicou que a arcada do jovem não ofereceu sinais suficientes para cravar a maioridade legal. “Ele apresenta porte físico avantajado, mas alguns dentes ainda não estão completamente expostos. Nessa faixa etária, a diferença de meses pode alterar o resultado”, afirmou. Sem a conclusão, a conduta padrão é adotar o tratamento previsto para menores.

    Com a decisão, o investigado permanecerá na ala destinada a adolescentes da carceragem da Polícia Civil, no centro de João Pessoa, onde aguarda audiência de custódia com a Promotoria da Infância e Juventude. A defensoria pública pretende anexar certidões emitidas no Rio Grande do Norte, estado onde o suspeito tem residência e passagem anterior por unidades socioeducativas.

    Reconstituição do crime

    Washington Rodrigo foi encontrado morto na manhã de 24 de julho dentro do quarto 308 de um hotel na orla do bairro de Manaíra, um dos pontos turísticos mais movimentados da capital paraibana. O corpo estava sobre a cama, algemado, com um fio de secador enrolado no pescoço e um pano dentro da boca.

    Contato pela internet e encontro marcado

    De acordo com o inquérito conduzido pelo delegado Diego Garcia, vítima e suspeito se conheceram em um site de relacionamentos. O adolescente viajou a João Pessoa usando nome falso, hospedou-se no mesmo hotel que Washington e teria sugerido práticas de fetiche para que a vítima aceitasse ser algemada.

    Réplicas de arma e extorsão

    Durante o depoimento prestado em Caicó (RN), onde se apresentou acompanhado de advogado três dias após o crime, o jovem disse que temeu ter sua intimidade exposta. Contou que usou uma pistola airsoft para forçar Washington a entregar a senha do celular e conferir se havia fotos ou vídeos capazes de “macular sua imagem” como estudante de teologia.

    Segundo a versão narrada, a intenção era apenas apagar eventuais registros e deixar a vítima desacordada para escapar do local. A perícia, no entanto, aponta que o estrangulamento com o cabo do secador provocou asfixia fatal.

    Fuga frustrada de carro

    Depois do óbito, o investigado tentou sair do estacionamento dirigindo o veículo da vítima, mas não conseguiu ligar o motor. Imagens de câmeras internas mostram que ele deixou o hotel com comportamento tranquilo, carregando poucos pertences e publicando nas redes sociais como se nada tivesse ocorrido.

    Material apreendido e provas reunidas

    No quarto foram recolhidos algemas, a pistola de airsoft, luva cirúrgica, fio de secador e pertences pessoais das duas partes. Para a Polícia Civil, o conjunto de objetos serviu para confirmar a dinâmica do crime e a autoria. “A marca das algemas e o calibre da réplica batem com os itens encontrados na mochila do suspeito”, detalhou o superintendente Cristiano Santana.

    Não havia drogas nem sinais de luta corporal extensa, o que reforça a tese de que Washington já estava imobilizado quando perdeu os sentidos. O laudo tanatoscópico confirmou morte por estrangulamento violento, sem ferimentos de faca ou disparos.

    Histórico de infrações no Rio Grande do Norte

    Levantamento feito pela polícia potiguar revela pelo menos 17 boletins de ocorrência envolvendo o mesmo adolescente. Entre os atos infracionais registrados constam furto qualificado, extorsão, perseguição, ameaça, lesão corporal e violência doméstica. Em 2025 ele chegou a cumprir medida de internação em unidade socioeducativa de Natal.

    A delegada da Infância em João Pessoa, Juliana Lima, informou que todos os antecedentes serão anexados ao procedimento. “O histórico reforça a necessidade de perícia rigorosa de idade. Se for confirmado que ele já é maior, responderá por homicídio qualificado; caso contrário, pelo equivalente ato infracional, com possibilidade de internação de até três anos”.

    Família da vítima aguarda definição

    Mãe e irmãos de Washington Rodrigo acompanham as diligências na capital paraibana. O motorista autônomo saiu de Natal em 23 de julho para, segundo contou à mãe, levar um passageiro até Pipa (RN). Mais tarde informou que faria uma “parada rápida” em João Pessoa, onde acabou morto.

    Os familiares pedem celeridade na apuração e contestam a versão de que Washington teria ameaçado expor o jovem. “Queremos justiça e explicações plausíveis para tamanha violência”, declarou um primo que preferiu não ser identificado.

    Próximos passos da investigação

    1. Coleta de registros civis, escolares e médicos no Rio Grande do Norte para comprovar a data de nascimento do suspeito;
    2. Análise de conteúdo do celular de Washington e dos dispositivos apreendidos com o investigado;
    3. Confronto de depoimentos de funcionários do hotel e de possíveis testemunhas que viram a dupla na noite do crime;
    4. Envio do inquérito à Vara da Infância ou, caso a maioridade seja confirmada, à 1ª Vara do Tribunal do Júri de João Pessoa;
    5. Possível pedido de exame de antropometria óssea como recurso complementar para definir a idade.

    Enquanto esses procedimentos avançam, o adolescente segue isolado na ala juvenil da Central de Polícia, sem previsão de liberação ou transferência. Para a promotoria, a forma de execução — com restrição de liberdade, meio cruel e vantagem patrimonial — já caracteriza homicídio qualificado, hipótese que pode elevar a pena a até 30 anos se confirmado que ele é adulto.

    O caso permanece sob sigilo parcial para resguardar informações pessoais do investigado e da vítima. A Polícia Civil reforça que qualquer dado que ajude a sanar a dúvida sobre a idade deve ser encaminhado diretamente à Delegacia da Infância e Juventude de João Pessoa.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.