Os cinco nomes que disputam o Palácio do Setentrião em 2026 entregaram à Justiça Eleitoral a lista de seus bens e, juntos, declaram possuir patrimônio que ultrapassa R$ 1 milhão. As informações constam no sistema de registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cujo prazo final para entrega de candidaturas e documentos foi encerrado no último sábado (15).
O valor mais alto pertence ao atual prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), que relata R$ 1,168 milhão. Em seguida aparece o ex-prefeito da capital Clécio Luís (União Brasil), com quase meio milhão de reais. Carlos Cley (PSTU) declara pouco menos de R$ 50 mil, enquanto Jairo Palheta (PCO) e Marcos Reátegui (Democracia Cristã) afirmam não possuir bens. Abaixo, as declarações em detalhes e a evolução patrimonial de cada candidatura.
Como o TSE organiza as declarações
Todo candidato é obrigado a informar seus bens no momento em que protocola o pedido de registro de candidatura. A lista reúne imóveis, veículos, participações societárias, aplicações financeiras, direitos autorais e quaisquer outros itens avaliados em dinheiro. O formulário, assinado digitalmente, fica disponível para consulta pública no site do Tribunal e serve de base para fiscalização do Ministério Público Eleitoral, da imprensa e da sociedade.
A divulgação dos dados não significa, por si só, irregularidade ou comprovação de enriquecimento ilícito, mas permite que os eleitores acompanhem a variação de patrimônio entre um pleito e outro, além de comparar o volume de bens com a renda oficialmente declarada pelos postulantes a cargos públicos.
Quem são e quanto têm
Dr. Furlan (PSD) — R$ 1.168.464,77
- Item mais valioso: apartamento residencial avaliado em R$ 530 mil.
- Demais bens: dois imóveis residenciais (R$ 300 mil e R$ 180,2 mil), participação societária de R$ 100 mil, construção de imóvel urbano de R$ 43,2 mil e quota de 20% em empresa de saúde avaliada em R$ 15 mil.
- Evolução: o médico e prefeito declarou R$ 1,262 milhão em 2024, quando foi reeleito para comandar Macapá. O número atual representa queda aproximada de 7,5%.
Mesmo com a retração, Furlan continua encabeçando a lista de patrimônios entre os concorrentes ao governo estadual. O detalhe que mais chama atenção é a composição: quase 90% está concentrada em imóveis.
Clécio Luís (União Brasil) — R$ 497.990,00
- Item mais valioso: veículo de passeio fixado em R$ 184.990.
- Lotes urbanos: três terrenos (duas unidades de R$ 104 mil e uma de R$ 105 mil).
- Evolução: em 2022, quando concorreu ao Executivo amapaense e ficou em segundo turno, havia registrado R$ 88,5 mil. O salto de 462,6% em quatro anos coloca-o como quem mais expandiu patrimônio no período.
Ex-prefeito de Macapá, Clécio justificou a valorização alegando aquisição de ativos imobiliários e troca de veículo. As compras foram financiadas, segundo informou em nota enviada à prestação de contas preliminar.
Carlos Cley (PSTU) — R$ 49.166,00
- Item mais valioso: automóvel ano 2013 avaliado em R$ 48.416.
- Outros itens: uma bicicleta declarada por R$ 750.
- Evolução: na disputa municipal de 2024, em que concorreu como vice-prefeito, apresentou patrimônio zerado.
Professor da rede pública e dirigente sindical, Cley afirma que o carro foi comprado de terceiro em 2025 e segue financiado. O valor declarado representa a avaliação de mercado no momento da entrega dos dados.
Jairo Palheta (PCO) — sem bens declarados
O metalúrgico e militante histórico do Partido da Causa Operária repetiu a declaração de anos anteriores: não possui patrimônio em seu nome. Palheta informou morar em imóvel familiar e utilizar transporte público para deslocamentos de campanha.
Marcos Reátegui (Democracia Cristã) — sem bens declarados
Ex-deputado federal e ex-policial federal, Reátegui também não listou nenhum bem. Questionado ao registrar a candidatura, anexou declaração de isenção de Imposto de Renda e afirmou que veículos e imóveis usados por ele pertencem à esposa.

Imagem: Internet
Calendário eleitoral e próximos passos
Com a fase de registros já encerrada, a Justiça Eleitoral segue agora para análise de eventuais impugnações. Partidos, Ministério Público e cidadãos têm prazo de cinco dias úteis para questionar documentos ou apontar inconsistências nas declarações.
O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Caso nenhum candidato alcance mais da metade dos votos válidos, os dois mais bem colocados retornam às urnas em 25 de outubro. Até lá, as campanhas podem ser acompanhadas pelo sistema DivulgaCandContas, que apresenta atualizações diárias sobre receitas, despesas e situação jurídica de cada nome.
Por que conhecer o patrimônio dos candidatos importa
Especialistas em transparência eleitoral destacam que a divulgação dos bens contribui para:
- Combater o uso de caixa dois, já que a movimentação financeira posterior pode ser comparada no futuro.
- Identificar possíveis conflitos de interesse entre a atividade pública e negócios privados.
- Aumentar a confiança do eleitorado, que tem mais elementos para avaliar a trajetória socioeconômica dos postulantes.
- Servir de ponto de partida para investigações de enriquecimento incompatível com a renda, se houver.
No Amapá, onde metade do eleitorado vive na capital, a exposição de dados patrimoniais costuma ganhar repercussão nas redes sociais e em debates televisivos. Levantamento da Justiça Eleitoral mostra que, nas últimas três eleições para governo estadual, ao menos uma candidatura foi alvo de contestação por suposta omissão de bens — todas arquivadas por falta de provas.
Fiscalização continua após a eleição
Mesmo depois do pleito, o Tribunal de Contas do Estado, o Ministério Público e a Receita Federal podem utilizar as informações para cruzar dados de declarações de Imposto de Renda, contratos com o poder público e evolução patrimonial durante o exercício do mandato. A Lei das Eleições (9.504/1997) prevê multa e, em casos graves, cassação para quem omitir ou falsificar bens.
Panorama financeiro dos postulantes ao Setentrião
Sintetizando os números oficiais:
- Total declarado pelos cinco candidatos: R$ 1.715.620,77
- Média por candidato: R$ 343.124,15
- Participação de imóveis: 73% do valor agregado
- Participação de veículos: 14%
- Participação societária e outros: 13%
Embora o volume total seja modesto se comparado a outras unidades da Federação, a disputa no Amapá ilustra diferentes perfis econômicos: de políticos com patrimônio milionário a militantes sem bens, passando por variações expressivas entre eleições. Esse contraste costuma pautar discussões sobre representatividade social e financiamento de campanha.
