O tradicional passeio de barco que leva visitantes até a base das Cataratas do Iguaçu está interrompido desde a tarde de terça-feira (28) depois que uma das embarcações virou no Rio Iguaçu e provocou a morte do holandês Mark Lensink, de 25 anos. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela fiscalização do contrato, determinou a paralisação de três dias, enquanto a concessionária Macuco Safari suspendeu as operações de forma voluntária para revisar protocolos de segurança.
A retomada das atividades foi prevista para sábado (1º), mas dependerá do resultado de uma análise técnica minuciosa sobre procedimentos de navegação e medidas de emergência. Até lá, equipes da Marinha do Brasil, da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros seguem apurando o que levou a embarcação, ocupada por oito pessoas, a capotar em pleno cânion do rio.
Como aconteceu o acidente
Por volta do meio-dia de terça, um grupo formado pelo turista holandês, a noiva dele, quatro familiares e dois tripulantes – piloto e copiloto – realizava o circuito que parte da base do Macuco, no interior do Parque Nacional do Iguaçu. Testemunhas relataram à Polícia Civil que uma rajada de vento atingiu a lateral do barco pouco depois de ele transpor uma sequência de corredeiras, fazendo a estrutura perder estabilidade e virar.
Todos os ocupantes caíram na água. Socorristas do Corpo de Bombeiros, que acompanham as saídas em apoio preventivo, conseguiram retirar o grupo rapidamente. Sete pessoas foram resgatadas sem ferimentos graves. Lensink, porém, sofreu parada cardiorrespiratória após ser submerso e não resistiu, mesmo depois de tentativas de reanimação ainda no local.
Investigações em curso
A Capitania Fluvial do Rio Paraná, braço da Marinha responsável pela região, abriu inquérito para apurar as circunstâncias, possíveis falhas operacionais e eventuais responsabilidades civis ou criminais. Técnicos recolheram dados sobre condições climáticas, estado da embarcação, habilitação da tripulação e equipamentos de segurança usados no dia.
Paralelamente, a Polícia Civil ouviu funcionários, turistas que estavam em outras lanchas e moradores que presenciaram o acidente. As gravações feitas por celulares de visitantes também integram o material pericial, dando suporte à reconstrução da dinâmica do capotamento.
Documentação da empresa
O ICMBio informou ter verificado toda a papelada da concessionária Ilha do Sol, responsável comercial pela atração, e considerou a operação regular. A empresa possui certificação ABNT NBR ISO 21101, norma que define requisitos de segurança para turismo de aventura.
Reação da Macuco Safari
Em nota, a Macuco Safari manifestou pesar, reiterou apoio integral à família da vítima e destacou que, em 40 anos de atividade, esse foi o segundo óbito registrado. A companhia afirma manter frota superior ao mínimo exigido para assegurar rodízio de manutenção, tripulação habilitada pela Marinha, coletes salvavidas em quantidade excedente e embarcações com casco reforçado em fibra de vidro.
Segundo a direção, o plano de revisão interna prevê inspeção estrutural de cada barco, checagem de motores, avaliação de protocolos de evacuação em corredeiras e reciclagem emergencial da equipe. Só após a conclusão dessas etapas e aval do ICMBio as saídas voltarão a ser oferecidas ao público.

Imagem: Internet
Impacto no turismo e na economia local
O Macuco Safari recebe, em média, 350 mil passageiros por ano e emprega cerca de 350 trabalhadores diretos. A suspensão temporária afeta guias, condutores de trilha, fotógrafos e prestadores de serviço ligados à cadeia turística da Tríplice Fronteira, que tem o Parque Nacional do Iguaçu como principal atrativo.
Hotéis e agências de viagem informaram ao trade local o redirecionamento de visitantes para outras atividades dentro do parque, como trilhas e mirantes, para minimizar cancelamentos. A administração do parque mantém atendimento normal nos demais circuitos.
Procedimentos de segurança previstos
- Vistorias periódicas da Capitania dos Portos em todos os barcos.
- Tripulação com habilitação específica para condução em águas interiores.
- Coletes obrigatórios para passageiros, fornecidos antes do embarque.
- Sinalização sobre risco de correnteza e ventos fortes em pontos estratégicos do rio.
- Equipes de resgate posicionadas em píeres e quedas d’água.
Especialistas explicam que, embora o trecho possua sistema de alerta hidrológico, rajadas de vento localizadas podem surpreender condutores. A investigação vai indicar se houve falha humana, intempérie imprevisível ou combinação dos dois fatores.
Próximos passos
O laudo preliminar da Marinha deve sair em até 90 dias, prazo que pode ser prorrogado caso surjam demandas laboratoriais. Enquanto isso, o Ministério Público acompanha o caso para avaliar se abre procedimento civil por dano coletivo ou eventual negligência.
A família de Mark Lensink ainda não definiu se adotará medidas judiciais no Brasil. O consulado da Holanda em Curitiba presta assistência diplomática e cuida dos trâmites para o traslado do corpo.
Aviso ao público
Visitantes que já tinham ingressos para o passeio podem remarcar ou solicitar reembolso junto à operadora. O ICMBio recomenda que interessados consultem canais oficiais antes de se deslocar até o parque.
Apesar da interrupção temporária, as Cataratas do Iguaçu continuam abertas para visitação, e as demais experiências de contemplação funcionam normalmente, respeitando regras de segurança e capacidade diária estabelecidas pelo parque.
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