Em meio ao verde do Parque Ibirapuera, a primeira edição do São Paulo Beyond Business (SP2B) transformou a paisagem da capital paulista num grande fórum sobre inovação. Ao longo de oito dias, cerca de 500 mil visitantes circulam por tendas e auditórios para acompanhar mais de 750 painéis, conduzidos por 2 mil palestrantes que somam mil horas ininterruptas de conteúdo. É o maior encontro sobre negócios já realizado em espaço aberto na cidade, segundo a organização.
A programação explora a intersecção entre criatividade, tecnologia, empreendedorismo e cultura. “A provocação é olhar além dos balanços e entender o impacto social da atividade empresarial”, resume o idealizador Rafael Lazarini, que define São Paulo como um “caldeirão cultural de alcance global”.
O que está em jogo
A curadoria do SP2B foi pensada para refletir o ritmo de um mercado que, nas palavras dos organizadores, “não espera o veredito para mudar”. Discussões sobre inteligência artificial, influência digital, novos modelos de consumo e responsabilidade corporativa aparecem lado a lado com debates sobre diversidade, sustentabilidade e economia criativa. O resultado, avalia Lazarini, “é um mapa de tendências construído ao vivo”.
Números que dimensionam o encontro
- 8 dias de atividades.
- 2 mil especialistas no palco.
- 750 painéis e workshops.
- 1 000 horas de conteúdo gravado.
- Expectativa de 500 mil participantes.
Globo leva a pauta da influência responsável
Um dos espaços mais disputados do evento leva a assinatura da Globo. Logo na abertura, o jornalista William Bonner abordou o que chamou de “o momento mais transformador da comunicação”: a era em que qualquer voz pode ganhar escala planetária em segundos. Para ele, formadores de opinião precisam assumir o peso ético desse alcance. “Influência real é responsabilidade, não manipulação”, salientou diante de uma plateia composta por executivos, creators e estudantes.
Na sequência, Manzar Feres, diretora-geral de Negócios da emissora, reforçou o desafio de marcas que desejam dialogar com públicos fragmentados. Segundo ela, “não basta estar em todos os lugares; é preciso promover conversas com significado humano”.
A improvisação como rotina
O caráter “ao vivo” do empreendedorismo ganhou metáfora no relato da empresária Flávia Bianchin. Ela comparou a vida de quem lidera negócios à dinâmica de um telejornal: “todos os dias entramos em cena sem roteiro fechado e precisamos reagir a mudanças que acontecem em tempo real”.
Tecnologia, credibilidade e a batalha pela confiança
A preocupação com a desinformação apareceu de forma contundente quando a jornalista Poliana Abritta trouxe exemplos de clonagem de voz e uso de inteligência artificial para falsificar conteúdos. Responsável por mediar o debate sobre credibilidade, ela lembrou que o Fantástico “entra na casa de milhões de brasileiros” e, por isso, a busca pela exatidão ganhou contornos ainda mais críticos na era digital. “Hoje a disputa não é pelo clique, mas pela confiança”, destacou.

Imagem: Internet
Repercussão entre marcas
Para o setor privado, o SP2B se converteu em espaço de observação do comportamento do consumidor. A vice-presidente de Marketing do Grupo Boticário, Renata Gomide, reconheceu o ambiente como termômetro estratégico: “é raro reunir, no mesmo gramado, pesquisadores do mercado, grandes anunciantes e produtores de conteúdo. O aprendizado aqui é transversal”.
Programação atravessa arte e negócios
Além de painéis técnicos, o festival mistura shows, instalações artísticas e experiências imersivas que buscam evidenciar a influência da economia criativa no PIB. Oficinas rápidas de prototipagem, exposições de NFTs e performances de dança urbana dividem o espaço com apresentações sobre venture capital e data analytics, reforçando a proposta de “São Paulo além dos negócios”.
Visão do fundador
Para Lazarini, o Parque Ibirapuera oferece a síntese que o SP2B pretende espelhar: “é um ponto de encontro onde passado e futuro da cidade conversam”. A escolha do local, diz ele, visa democratizar o acesso a discussões tradicionalmente restritas a centros de convenções. A estrutura temporária inclui auditórios infláveis, estúdios de gravação e áreas abertas para transmissão simultânea pelo celular — um recurso que deve ampliar a audiência para além do meio milhão de visitantes in loco.
Próximos passos
Encerrado o calendário presencial, o conteúdo gerado em painéis e workshops ficará disponível on-demand em plataforma própria. A organização também anuncia a intenção de levar edições itinerantes a outras capitais brasileiras, mantendo São Paulo como sede anual. “Não se trata de um congresso, mas de um organismo vivo que precisa circular”, resume o criador do evento.
Até lá, o SP2B segue ocupando cada canto do Ibirapuera com conversas que atravessam fronteiras setoriais e aproximam CEOs, acadêmicos, artistas e o público geral em torno da mesma questão: como desenhar negócios que prosperem sem perder de vista a responsabilidade social e a confiança pública?
