Motos avançam sobre as calçadas de Icaraí e moradores temem tragédias em Niterói

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    O vaivém apressado de motocicletas sobre as calçadas de Icaraí, na Zona Sul de Niterói, virou rotina e motivo de pânico entre pedestres. Para escapar dos congestionamentos, condutores aceleram por passeios estreitos e dividem espaço com quem caminha, inclusive crianças a caminho da escola. O caso mais recente, registrado em vídeo por moradores, quase terminou em atropelamento de uma menina acompanhada da mãe na Rua Mariz e Barros.

    Os flagrantes se multiplicam em horário de pico. Ruas como Geraldo Martins, Dom Bosco e João Pessoa aparecem com frequência nas imagens enviadas ao poder público. Há ainda registros de carros e motos trafegando na contramão na Travessa Desembargador Álvaro Ferreira Pinto, agravando a sensação de insegurança.

    Escapar do engarrafamento virou risco coletivo

    Nos vídeos gravados ao longo dos últimos meses, motos de grande porte — muitas usadas para serviço de entrega — surgem costurando entre postes, lixeiras e pedestres. As manobras, segundo os denunciantes, ocorrem “todos os dias, de manhã cedo e no fim da tarde”, justamente quando o fluxo de alunos e pais é mais intenso diante das escolas particulares do bairro.

    Quase tragédia na porta da escola

    O episódio que acendeu o alerta aconteceu no fim de julho. Uma motocicleta subiu na calçada da Rua Mariz e Barros, desviou de um grupo de estudantes e, a poucos centímetros, passou por uma criança de sete anos. A cena, filmada por um transeunte, viralizou em grupos de moradores e reforçou a cobrança por fiscalização imediata.

    Wallace Santos, que vive há duas décadas no bairro, relata ter feito a primeira queixa formal há dois anos, por meio da plataforma federal de ouvidoria. “Desde então, só recebo respostas automáticas. Parece que estão esperando um atropelamento fatal para agir”, desabafa.

    Relato de quem quase perdeu a vida

    A médica Vanessa Duarte também escapou por pouco. Ao descer do ônibus na mesma Rua Mariz e Barros, sentiu a sacola que levava ser arrancada pelo retrovisor de uma moto. “Foi questão de centímetros. Se eu tivesse dado meio passo a mais, teria sido atingida”, conta. Para ela, o problema vai além do desrespeito: “Bicicletas elétricas já assustam; motos de 300 cilindradas em alta velocidade podem matar”.

    Morosidade na resposta oficial

    Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Niterói informou que direcionará novas operações de fiscalização aos pontos indicados pela população. Segundo nota, a NitTrans mantém um programa permanente de combate a infrações cometidas por motociclistas e, somente este ano, realizou 8.172 abordagens.

    O município disponibiliza o telefone 153 e o WhatsApp (21) 98099-2160 do Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) para denúncias. Moradores alegam, porém, que o número de ações no papel não se reflete nas ruas. “Se houvesse blitz diária nas mesmas vias onde todo dia vemos motos na calçada, o problema já teria sido estancado”, afirma Santos.

    Falta de punição incentiva repetição

    Especialistas em mobilidade urbana lembram que a prática é infração gravíssima prevista no Código de Trânsito Brasileiro, sujeita a multa e suspensão da CNH. Na avaliação do urbanista Roberto Chaves, a sensação de impunidade reforça o comportamento de risco: “Quando o motociclista percebe que pode ganhar minutos e não há fiscalização, ele repete o desvio”.

    Impacto diário para quem caminha

    Além do medo constante, moradores relatam alterações na rotina. Pais passaram a buscar rotas alternativas para levar os filhos às escolas, mesmo que o trajeto fique mais longo. Idosos evitam sair de casa em horários movimentados. Comerciantes relatam queda no fluxo de clientes que, receosos, preferem não circular a pé.

    Calçadas ficam sem função original

    As calçadas de Icaraí, projetadas para pedestres, acumulam obstáculos: árvores, postes, quiosques e, agora, motos. A combinação estreita o espaço livre e obriga quem anda a dividir a faixa reduzida com veículos motorizados. “Quando vimos, o passeio deixou de ser zona de segurança e virou pista de fuga”, comenta Vanessa.

    O que poderia mudar o cenário

    • Blitze móveis e surpresa em horários de pico, com possibilidade de remoção imediata das motos flagradas.
    • Instalação de barreiras físicas — como balizadores metálicos — nos trechos mais críticos, reduzindo a entrada de veículos sobre a calçada.
    • Sinalização vertical reforçada sobre a proibição, facilitando autuação por videomonitoramento.
    • Campanhas educativas voltadas a entregadores e aplicativos de delivery, principais usuários das motos identificadas.

    Enquanto medidas concretas não chegam, moradores seguem filmando cada nova infração e enviando ao Cisp. “Não queremos linchamento, só poder andar sem medo”, resume Wallace. Até lá, cada passo na calçada de Icaraí é dado com um olho no celular e o outro na esquina, na esperança de que a próxima moto escolha permanecer na rua — local para o qual foi projetada.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.