A 2ª Mostra de Teatro Águas de Manaus (MTAM) chega ao fim neste domingo, 16 de agosto, oferecendo ao público três sessões gratuitas que ocupam dois endereços simbólicos do Centro da capital amazonense. A maratona começa às 16h, no Centro Cultural Casarão de Ideias, segue para o Largo São Sebastião às 17h e volta a lotar o espaço às 19h, em uma despedida que combina palhaçaria, bufonaria e homenagem ao Rei do Baião.
Ao longo de seis dias — de 11 a 16 de agosto — a mostra reuniu produções locais e nacionais, oficinas e debates com a meta de democratizar o acesso às artes cênicas e fortalecer a cena cultural do Norte. A programação final sintetiza esse propósito ao colocar lado a lado um espetáculo premiado da Amazônia, a pré-estreia de uma criação coletiva regional e uma montagem reconhecida em vários estados.
Programação de encerramento ocupa dois palcos do Centro
16h – “O Sarau do Feupuudo” abre a tarde no Casarão de Ideias
Premiado como Melhor Espetáculo no XIX Festival de Teatro da Amazônia e com troféu de Melhor Ator na Mostra Competitiva Jurupari Infâncias 2025, “O Sarau do Feupuudo” coloca em cena um palhaço caladão e mal-humorado que se comunica por gestos e Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Numa tentativa de exibir suas “habilidades extraordinárias”, o personagem monta um sarau que logo se transforma em palco para encontros improváveis e relações de afeto, arrancando risadas do público ao mesmo tempo que provoca reflexão sobre inclusão e comunicação não verbal.
Além de Manaus, a montagem já passou por Belém, Boa Vista, Macapá, Palmas, Santarém, Porto Velho e São Luís, consolidando-se como uma das produções mais circuladas do teatro amazonense recente. No encerramento da MTAM, a companhia promete repetir o tom intimista do espetáculo, transformando a sala do Casarão de Ideias em uma pequena arena onde tudo, literalmente, pode acontecer.
17h – Largo São Sebastião recebe “Fértil em Terras Áridas”
Logo após o fim do sarau, a plateia é convidada a caminhar até o Largo São Sebastião para acompanhar “Fértil em Terras Áridas”, novo trabalho do Ateliê 23 apresentado como abertura de processo criativo — a estreia oficial está prevista para setembro. A performance encerra a trilogia que começou em 2022 com “Cabaré Chinelo” e avançou em 2024 com “Sebastião”, explorando a linguagem da bufonaria para discutir poder, hipocrisia e os obstáculos que artistas da Região Norte enfrentam.
Em cena, cinco bufões retornam de uma turnê internacional e descobrem que sua companhia foi dissolvida; o teatro onde atuavam foi demolido. Entre escombros, eles transformam ruínas em palco para uma obra independente que questiona quem pode contar a verdade, quais corpos são autorizados a ocupar a cena e de que maneira o riso se converte em ferramenta de resistência. O formato de work in progress convida a plateia a testemunhar escolhas estéticas ainda em ebulição, criando diálogo direto entre artistas e espectadores.
19h – “Luiz Lua Gonzaga” encerra a mostra com poesia e baião
Fechando a noite, o Grupo Magiluth retorna ao Largo com “Luiz Lua Gonzaga”, tributo teatral a Luiz Gonzaga que une música, poesia e performance. Longe de seguir caminho biográfico convencional, a montagem mergulha em memória, identidade e pertencimento, oferecendo ao público a chance de rever clássicos do Rei do Baião numa moldura cênica experimental. A proposta é celebrar a cultura popular nordestina ao mesmo tempo que amplia seu alcance, mesclando sons de sanfona a imagens poéticas sobre as múltiplas brasilidades.

Imagem: Internet
Bastidores e parceiros do evento
Realizada pelo Governo Federal, via Ministério da Cultura, em parceria com o Instituto Brasileiro de Teatro (iBT), a Mostra de Teatro Águas de Manaus conta com patrocínio da concessionária Águas de Manaus e apoio institucional da Benevolência, do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) e da Federação de Teatro do Amazonas (Fetam). Para Simony Dias, gerente de Responsabilidade Social da concessionária, o investimento reforça o compromisso da empresa com a democratização do acesso à cultura: “A população abraçou a proposta e isso nos enche de orgulho”, afirmou.
Desde a primeira edição, a mostra aposta em entrada franca e em múltiplos espaços culturais do Centro histórico, buscando aproximar artistas e moradores, além de atrair turistas que circulam pela área. Neste ano, oficinas e rodas de conversa sobre produção, cenário e luz complementaram as apresentações, fortalecendo vínculos entre companhias locais e grupos convidados. A meta, segundo a coordenação, é consolidar Manaus na rota de festivais nacionais, reduzindo custos de circulação para quem produz no Norte e promovendo intercâmbio artístico contínuo.
Impacto para a cena amazonense
Os organizadores avaliam que o retorno do público aos teatros e praças, após períodos de instabilidade econômica e sanitária, demonstra apetite por arte ao ar livre e por espetáculos que dialoguem com as especificidades regionais. A presença de montagens que tratam de linguagem inclusiva, bufonaria amazônica e cultura popular nordestina indica, ainda, a pulsação de temas identitários que atravessam o Brasil e ganham cor própria em Manaus.
Artistas ouvidos durante a semana destacaram o papel da mostra na criação de oportunidades de trabalho: técnicos de som e luz, figurinistas, cenógrafos e produtores locais somaram-se a elencos vindos de outros estados, fomentando empregos temporários e troca de saberes. Para o público, o acesso gratuito remove barreiras econômicas e incentiva o hábito de consumir cultura de forma regular, não apenas em ocasiões pontuais.
Serviço
- Data: Domingo, 16 de agosto
- 16h: “O Sarau do Feupuudo” – Centro Cultural Casarão de Ideias
- 17h: “Fértil em Terras Áridas” – Largo São Sebastião
- 19h: “Luiz Lua Gonzaga” – Largo São Sebastião
- Entrada: Gratuita
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