Megatraficante que rompeu com o PCC aparece morto em cela de presídio federal de Brasília

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    Marcos Silas Neves de Souza, 42 anos, apontado como fundador do chamado Cartel do Sul e ex-integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi encontrado morto na manhã de domingo (30/8) dentro do Presídio Federal de Brasília. A unidade abriga líderes da facção paulista da qual ele se desligou anos atrás, circunstância que adiciona tensão extra ao caso.

    A Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) informou que agentes penitenciários localizaram o detento desacordado durante a primeira rotina diária de revista e entrega de café da manhã. A versão oficial é de suicídio, porém o órgão não detalhou como o óbito teria ocorrido nem se outros internos ou equipes de plantão foram ouvidos imediatamente após a descoberta.

    Corpo foi achado durante vistoria matinal

    Segundo a Senappen, Marcos Silas estava sozinho na cela quando foi encontrado. Os servidores ainda tentaram reanimá-lo, mas o óbito foi declarado poucos minutos depois. A administração do presídio acionou a Polícia Federal e o Ministério Público para acompanhar o caso, como prevê o protocolo para mortes dentro do sistema prisional de segurança máxima.

    Relatórios iniciais indicam que câmeras de monitoramento da ala onde o megatraficante permanecia preso serão analisadas quadro a quadro. O objetivo é confirmar a hipótese de suicídio levantada pela Senappen ou indicar eventual participação de terceiros. Por ora, não há previsão oficial sobre divulgação de laudo do Instituto Médico-Legal.

    Rompimento com a maior facção do país

    Conhecido pelos apelidos “Patrão” e “Amigo”, Marcos Silas ganhou notoriedade como operador de grandes carregamentos de cocaína ligados ao PCC. Em meados da última década, entretanto, ele se desentendeu com lideranças da facção e passou a atuar de forma independente. A cisão resultou na criação do Cartel do Sul, grupo que concentrou atividades no Paraná e, posteriormente, em Santa Catarina.

    Fontes da investigação relatam que o ex-PCC sofreu represálias internas após recusar novas regras de distribuição de lucros e logística impostas pela cúpula paulista. O rompimento foi acompanhado de um movimento de recrutamento de dissidentes e traficantes locais, consolidando sua própria rede de abastecimento, especialmente por rotas que ligam a fronteira com o Paraguai aos portos do litoral sul-brasileiro.

    Plano de trocar de rosto para escapar da polícia

    A prisão de Marcos Silas ocorreu em outubro de 2021, na zona oeste da capital paulista. Naquele momento, ele havia desembolsado valores vultosos para uma cirurgia plástica que mudaria traços faciais e dificultaria sua identificação nos sistemas de reconhecimento de imagem usados por polícias e aeroportos. A abordagem foi conduzida por equipes da Polícia Federal, que já monitoravam o traficante havia meses.

    Com ele, os agentes apreenderam documentos falsos, recibos de clínicas estéticas e aparelhos de telefone criptografado. Investigadores afirmam que o procedimento cirúrgico estava marcado para dias depois da captura e que a mudança de fisionomia seria o passo final para fugir do radar de autoridades internacionais.

    Base logística transferida para o interior paulista

    O cerco ao Cartel do Sul ganhou força por meio de um inquérito aberto pela Delegacia da Polícia Federal de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. De acordo com relatório do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) mencionado em decisões judiciais, a facção liderada por Marcos Silas mudou parte de sua estrutura para a região noroeste paulista na tentativa de escapar da vigilância no Paraná e em Santa Catarina.

    Além de aproximar-se de um importante entroncamento rodoviário, a escolha por Rio Preto oferecia relativa discrição para operações de lavagem de dinheiro, sobretudo por meio do mercado imobiliário. Estimativas do Ministério Público apontam que, somente em 2021, o megatraficante adquiriu cerca de 260 apartamentos, registrados em nome de laranjas, para disfarçar o lucro obtido com a venda de entorpecentes.

    Megatraficante que rompeu com o PCC aparece morto em cela de presídio federal de Brasília - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    Lavagem de dinheiro via mercado imobiliário

    • Imóveis eram pagos à vista, muitas vezes com recursos transferidos em nome de empresas de fachada.
    • Posteriormente, as unidades eram revendidas ou alugadas, gerando receita “limpa”.
    • Parte dos contratos simulava reformas que jamais saíam do papel, inflando artificialmente o valor dos bens.

    Essa teia de transações motivou pedidos de bloqueio de contas bancárias e sequestro de patrimônio, mas grande parte dos bens ainda se encontra em disputa judicial.

    Peregrinação por unidades federais de segurança máxima

    Depois de detido, Marcos Silas passou alguns meses em presídios estaduais do Paraná. Em março de 2022, foi transferido para o Presídio Federal de Campo Grande (MS), considerado estratégico para isolar líderes de organizações criminosas. O deslocamento foi autorizado pela Justiça Federal sob o argumento de que a permanência em solo paranaense oferecia risco de fuga e de articulação do Cartel do Sul.

    Meses mais tarde, o Departamento Penitenciário Nacional (Depen, hoje Senappen) encaminhou o traficante para a unidade de Brasília. A cadeia, inaugurada em 2018, abriga chefes do PCC, Comando Vermelho e outras facções rivais que vivem em celas individuais, sem qualquer contato físico entre si. A presença de ex-aliados e desafetos entre os prisioneiros alimenta especulações de que a morte possa ter outra motivação além do suicídio sugerido pelas autoridades, embora nenhuma evidência concreta tenha sido apresentada até o momento.

    Investigação em múltiplas frentes

    O inquérito que apura a morte está sob responsabilidade da Polícia Federal, com participação da corregedoria da Senappen. Entre os pontos que devem ser verificados estão:

    1. Registro de entrada e saída de servidores na galeria onde ficava a cela.
    2. Imagens das câmeras de monitoramento interno ao longo da noite anterior.
    3. Laudo de necropsia, que indicará causa clínica exata do óbito.
    4. Possíveis anotações ou cartas encontradas no espaço pessoal do preso.

    Até a última atualização deste texto, não havia confirmação sobre abertura de sindicância militar nem divulgação de depoimentos de colegas de pátio, já que os internos cumprem regime praticamente isolado.

    Repercussão no sistema penitenciário

    Internamente, a morte de um dos nomes mais influentes do tráfico nos últimos anos acendeu sinal de alerta em outras penitenciárias federais. Gestores temem retaliações cruzadas entre facções rivais ou mesmo dentro do Cartel do Sul, que pode enfrentar disputa de poder pela liderança deixada vaga. Por precaução, visitas presenciais e videoconferências de alguns detentos foram revistas nos últimos dias, segundo servidores ouvidos sob condição de anonimato.

    Para fora dos muros, o caso renova o debate sobre a eficácia dos presídios federais no bloqueio de atividades criminosas e, ao mesmo tempo, sobre a necessidade de melhorar protocolos de prevenção ao suicídio em ambientes de alta restrição, onde o contato humano é reduzido ao mínimo.

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    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.