Nem a madrugada fria segurou a multidão que lotou o Estádio de Rodeios da 71ª Festa do Peão de Barretos. Matheus & Kauan transformaram o palco principal em um grande coral ao comemorar 15 anos de carreira, na virada de quinta-feira (20) para sexta (21). Durante duas horas, a dupla passeou por sucessos que marcaram a trajetória e promoveu encontros inesperados que incendiaram a arena.
O ponto alto veio quando, do camarote, Ana Castela e Mari Fernandez aceitaram o convite de última hora e dividiram os microfones com os anfitriões. Entre passos de dança, brincadeiras e canções divididas em coro, o quarteto selou a noite como uma das mais comentadas desta edição do evento.
Surpresas que levantaram o público
A empolgação era visível logo nos acordes iniciais de “Decide Aí”. Chapéus ao alto, braços erguidos e a arena em uníssono deram o tom de partida do show que, a cada música, atraía mais vozes para o refrão coletivo. Foi nesse clima que Matheus avistou Ana Castela e Mari Fernandez acompanhando tudo do espaço vip. Sem roteiro nem protocolos, chamou as duas para o palco — um convite prontamente aceito e ovacionado pelos fãs.
Participações improvisadas
- Mari Fernandez escolheu “Não Vitalício (Nunca Mais)”, hit de 2022, para assumir a linha de frente. A plateia respondeu cantando cada verso.
- A “boiadeira” Ana Castela puxou “Ilusão de Ótica”, seu sucesso sobre amores confusos, enquanto os quatro artistas deitavam no chão do palco em sinal de descontração. “Cantar deitado eu nunca vi”, brincou Matheus, ouvindo de Ana que “é ótimo para o diafragma”.
O improviso virou show dentro do show. Nos bastidores, a equipe correu para adaptar microfones, mas a espontaneidade manteve o público vidrado. Pouco depois, as cantoras ainda voltaram para um pout-pourri de modões, reforçando a atmosfera festiva.
Repertório costurado por 15 anos de história
Entre as participações, a dupla revisitou fases distintas da carreira. “Quarta Cadeira” e “Vou Ter Que Superar” levaram fãs mais antigos a relembrar os primórdios, enquanto “Mala dos Porta-Mala”, parceria com Gusttavo Lima, adiantou o clima para o show do mineiro no sábado (22). Canções marcadas por feats com Jorge & Mateus, Felipe Araújo e outros parceiros também ganharam espaço, costurando a narrativa de crescimento dos irmãos goianos.
Festa que não acaba no palco
Estimulado pela energia da arena, Matheus contou que pretendia esticar a comemoração no camping do Parque do Peão, repetindo a tradição de colegas como Nattan e Luan Pereira. “Quem quiser continuar, aparece lá que a viola não vai parar”, avisou, arrancando novos gritos da plateia.
Momento de emoção: homenagem a “Que Sorte a Nossa”
O clima de euforia deu lugar ao silêncio respeitoso quando os músicos chamaram ao palco o compositor Luiz Henrique Paloni. Ele é coautor de “Que Sorte a Nossa”, escrita ao lado de Paula Mattos e do irmão Fernando Paloni, falecido em 2015 vítima de leucemia. Sob forte ovação, Luiz Henrique não conteve as lágrimas ao ouvir a arena inteira cantar o refrão.
“Obrigado por eternizarem uma canção que significa tanto para mim”, disse, abraçado pelos anfitriões. A cena marcou o ponto mais sensível da apresentação e reforçou a conexão emocional entre artistas e público, presente desde a composição lançada há oito anos.

Imagem: Internet
Expectativa para o “Embaixador”
Perto do desfecho, Matheus & Kauan introduziram “Mala dos Porta-Mala” mencionando o parceiro Gusttavo Lima, que se apresenta na arena nos dias 22 e 29. Entre risadas, confessaram a vontade de adiar compromissos apenas para assistir ao mineiro de perto. A referência ao “Embaixador” foi suficiente para arrancar gritos dos fãs que também aguardam o show duplo do cantor.
Barretos segue com programação intensa
A abertura oficial da 71ª edição já mostrou que a maratona de 11 dias tende a repetir gigantescos coros noite após noite. A celebração de uma década e meia de Matheus & Kauan estabeleceu o tom: mistura de nostalgia, espontaneidade e encontros que só Barretos proporciona. Até o final do mês, o palco ainda recebe, entre outros, Henrique & Juliano, Luan Santana, Alok e Pedro Sampaio.
Por que a data foi especial para a dupla
Matheus, hoje com 34 anos, e Kauan, de 31, iniciaram a carreira cantando em bares de Itapuranga (GO). Em 2011 romperam a cena regional com o EP independente que trouxe “Paraquedas”, e desde então emplacaram mais de uma dezena de faixas entre as mais tocadas do país. O show em Barretos simbolizou não apenas a linha do tempo pessoal, mas também o reconhecimento do rodeio mais tradicional do Brasil — palco cobiçado por qualquer artista sertanejo.
Retorno após hiato
A última apresentação da dupla no Estádio de Rodeios havia ocorrido em 2019. Nos anos seguintes, a pandemia atrasou a volta do evento em grande escala. Ao regressar em 2026, os irmãos encontraram uma plateia com repertório na ponta da língua e disposição para cantar até o nascer do sol, reforçando a importância do festival como vitrine nacional.
Próximos passos
Depois de Barretos, Matheus & Kauan retomam a turnê “Praia, Bar e Violão”, que percorre capitais do Sudeste e Nordeste até novembro. Segundo a equipe, um álbum ao vivo gravado no litoral catarinense está em fase de mixagem, previsto para dezembro. O trabalho trará registros do show desta madrugada, incluindo as participações de Ana Castela e Mari Fernandez, ainda que num formato de faixa bônus.
Resistência na voz e na estrada
Ao deixar o palco, já por volta das 3h30, os cantores agradeceram à organização pela estrutura e ao público por “fechar a conta” de 15 anos com tanta intensidade. “Se depender da gente, vem mais quinze, vinte, trinta”, disparou Kauan antes de lançar o chapéu ao público, encerrando o espetáculo que uniu nostalgia, homenagem e festa ao melhor estilo Barretos.
