Uma pintura monumental de OSGEMEOS, avaliada em R$ 1,3 milhão, e um quadro de Iberê Camargo com lance mínimo de R$ 1,4 milhão encabeçam dois leilões que movimentam o mercado de arte em Belo Horizonte nesta semana. Antes de irem a pregão, as cerca de 120 peças – de nomes centenários do modernismo a artistas contemporâneos consagrados – podem ser vistas gratuitamente em dois endereços da capital mineira.
Os pregões acontecem em datas diferentes: no sábado (22), às 11h, ocorre o leilão organizado pela plataforma Bomblô em uma residência modernista no bairro Cidade Jardim; já na terça-feira (25) é a vez da chamada Coleção Errante, ofertada on-line pela Leilões BR, após exposição no Belvedere Mall. Juntas, as vendas reúnem obras que variam de R$ 3,5 mil a R$ 1,4 milhão, demonstrando a amplitude do acervo oferecido ao público e a colecionadores.
Peças contemporâneas e modernas lado a lado
O primeiro grupo de lotes, instalado na casa número 88 da Rua Josafá Belo, integra um recorte que mescla arte moderna e contemporânea brasileira. A estrela principal é a tela sem título de OSGEMEOS, produzida em 2008, com dois metros de altura por 3,5 m de largura. O duplo painel, feito com spray e lantejoulas sobre madeira, ocupa uma parede inteira do imóvel projetado por Luiz Pinto Coelho e tombado pelo patrimônio municipal.
Destaques de alto valor
- Iberê Camargo – “Figura” (1964): lance inicial de R$ 1,4 milhão; já exposto em museus do Brasil e da Europa.
- OSGEMEOS – pintura sem título (2008): lance inicial de R$ 1,3 milhão; obra de grandes dimensões com técnicas mistas.
- Tarsila do Amaral – dois desenhos: cada um aberto a partir de R$ 100 mil.
- Alberto da Veiga Guignard – retratos femininos: lances entre R$ 80 mil e R$ 98 mil, presentes no segundo leilão.
- Anita Malfatti – “Retrato de Dora Villalva”: lance de R$ 90 mil, também incluído na Coleção Errante.
Obras mais acessíveis
Quem busca valores inferiores encontra gravuras de Cândido Portinari a partir de R$ 7 mil e serigrafias de Amílcar de Castro por R$ 3,5 mil. Há ainda trabalhos de Athos Bulcão, Alfredo Volpi, Emiliano Di Cavalcanti, Lygia Clark, Tomie Ohtake, Roberto Burle Marx e Beatriz Milhazes, compondo um panorama de quase sete décadas de produção artística nacional.
Visitação pública em casa modernista
O casarão do Cidade Jardim funciona como uma pequena galeria temporária até sexta-feira (21), das 11h às 18h. Por conta do valor e da raridade das peças, o local recebeu reforço de segurança com vigilância 24 horas. O acesso é gratuito, e o visitante pode percorrer todos os cômodos, onde pinturas, esculturas e desenhos dialogam com o mobiliário original da residência de 1950.
No sábado, minutos antes do início dos lances, credenciados poderão examinar novamente os lotes. Interessados que não estiverem em Belo Horizonte podem acompanhar o pregão em tempo real pelo site da Bomblô, fazendo ofertas on-line mediante cadastro prévio.
Coleção Errante: outro pregão na capital
A segunda leva de obras pertence ao empresário e colecionador mineiro Vinicius Veloso. Ao longo de uma década, ele formou um acervo de aproximadamente 60 peças, batizado de Coleção Errante. Embora dedique-se majoritariamente à arte contemporânea, Veloso adquiriu, nesse período, trabalhos modernos que agora decidiu recolocar em circulação.

Imagem: Internet
Segundo o proprietário, todo o valor arrecadado será investido em um programa itinerante de exposições voltado para escolas, hospitais e espaços não convencionais. A intenção é ampliar o acesso do público a obras que normalmente ficam restritas a galerias ou coleções privadas.
Peculiaridade no retrato de Malfatti
Entre as pinturas ofertadas, o “Retrato de Dora Villalva”, de Anita Malfatti, guarda uma curiosidade revelada em 2023 por professores da Universidade Federal de Minas Gerais: sob a figura visível existe uma composição anterior, que mostra uma mulher nua. A descoberta foi feita com exames de luz infravermelha e tornou o trabalho ainda mais atrativo para estudiosos e compradores.
Outros destaques incluem dois retratos femininos de Guignard, com lances mínimos de R$ 98 mil e R$ 80 mil, além de paisagens, desenhos e esculturas produzidos entre as décadas de 1930 e 1990. O catálogo completo está disponível no site da Vitor Braga – Rugendas Galeria de Arte.
Como participar dos leilões
Primeiro pregão – sábado, 22/08
- Visitação: até sexta, das 11h às 18h, Rua Josafá Belo, 88 – Cidade Jardim.
- Leilão: sábado, 22, às 11h, no mesmo endereço, com transmissão on-line pela Bomblô.
- Cadastro: gratuito na plataforma, exigindo documento de identificação e aceitação das regras de arremate.
Segundo pregão – terça, 25/08
- Exposição: quarta a sexta, das 11h às 19h; sábado, das 10h às 15h, na Vitor Braga – Rugendas Galeria de Arte, Belvedere Mall (Av. Luiz Paulo Franco, 1011).
- Leilão: terça, 25, on-line, com transmissão ao vivo pela Leilões BR.
- Participação: cadastro antecipado no site da leiloeira para lances em tempo real.
Com estimativas que superam R$ 1 milhão e lotes mais acessíveis a partir de poucos milhares de reais, os dois eventos colocam Belo Horizonte no centro da agenda nacional de leilões nesta temporada, oferecendo ao público o privilégio de ver de perto obras raras e, para investidores, a chance de adquirir peças de nomes fundamentais da arte brasileira.
