Justiça manda soltar VT Kebradeira e determina internação para tratamento psiquiátrico

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    Após uma sequência de três detenções em menos de 24 horas, o cantor recifense Ewerton Cláudio, de 25 anos, conhecido artisticamente como VT Kebradeira, deixou a carceragem no sábado (1º) por ordem da Justiça paraibana. Na audiência de custódia, o magistrado entendeu que havia indícios de um surto psicótico e substituiu a prisão por medidas cautelares, entre elas a obrigatoriedade de tratamento psiquiátrico em unidade especializada.

    A decisão encerrou um ciclo de ocorrências que começou na noite de quinta-feira (30) e envolveu acusações de dano ao patrimônio, posse de entorpecentes, lesão corporal, invasão de estabelecimento e resistência à abordagem policial. Embora o artista tenha sido liberado, o processo criminal segue em aberto e ele deverá apresentar relatórios médicos periódicos para comprovar acompanhamento profissional.

    Medidas impostas pela Justiça

    Na audiência, o juiz avaliou laudos preliminares, depoimentos de familiares e o relato da defesa de que o artista já vinha sendo medicado para transtorno psiquiátrico. Com base nisso, decidiu pela liberdade provisória com condições rígidas:

    • internação imediata em clínica ou hospital preparado para episódios de surto;
    • proibição de consumir bebidas alcoólicas ou drogas ilícitas enquanto durar o tratamento;
    • comparecimento mensal ao juízo para apresentação de relatórios clínicos assinados por psiquiatra;
    • proibição de frequentar bares ou casas noturnas nos primeiros 90 dias.

    O descumprimento de qualquer uma dessas determinações pode resultar na volta à prisão preventiva. O Ministério Público solicitou ainda que seja aberto inquérito para avaliar se outras pessoas foram lesadas nos episódios registrados.

    Posicionamento da defesa

    A advogada Christianne Lauritzen, que representa o cantor, argumentou que ele sofreu um “novo episódio de surto psicótico” e não teria tido consciência plena de seus atos. Segundo ela, o diagnóstico é pré-existente e vinha sendo tratado, mas houve interrupção da medicação nos últimos dias, o que teria desencadeado o comportamento agressivo.

    Lauritzen informou que a família já providenciou vaga em uma clínica na Região Metropolitana do Recife, para onde VT Kebradeira foi encaminhado poucas horas depois de deixar a Central de Flagrantes de João Pessoa. “Nosso objetivo é garantir que ele se estabilize e retome o tratamento medicamentoso. A prioridade agora é a saúde”, afirmou a advogada.

    Reação da acusação

    Embora tenha acatado a decisão judicial, o Ministério Público reforçou em manifestação escrita que as vítimas identificadas devem ser ressarcidas. Um morador de Mangabeira alega prejuízo após ter a motocicleta danificada; o proprietário de uma conveniência afirma ter perdido bens materiais e ter sofrido lesão corporal; e uma mulher registrou boletim de ocorrência por agressão física. As investigações prosseguem em delegacia distrital.

    Entenda a sequência de prisões

    O primeiro chamado à Polícia Militar ocorreu na noite de quinta-feira, quando vizinhos denunciaram perturbação do sossego em Mangabeira. Segundo o boletim, o artista teria atirado objetos, quebrado janelas e ameaçado moradores. Na chegada da Força Tática do 5º Batalhão, policiais encontraram recipientes de entorpecentes — a perícia confirmou pequena quantidade de maconha. Ele foi conduzido à Central de Flagrantes por dano, posse de drogas e resistência.

    Depois de assinar termo circunstanciado, VT Kebradeira foi liberado. Contudo, já na madrugada de sexta-feira, equipes da Guarda Civil Municipal o localizaram novamente, desta vez em via pública, gritando e, segundo agentes, tentando arremessar pedras em automóveis. Levado pela segunda vez à delegacia, foi ouvido e solto assim que o plantonista entendeu não haver condição de flagrante continuado.

    Menos de cinco horas depois, ainda na sexta-feira de manhã, a PM recebeu nova denúncia. Testemunhas relataram que o cantor teria agredido uma mulher, arrombado uma conveniência e depredado uma motocicleta estacionada. Três viaturas fizeram a abordagem; segundo relatório, o uso de dispositivo elétrico incapacitante (Taser) foi necessário para contê-lo. Ele acabou preso pela terceira vez e permaneceu na cela até a audiência de sábado.

    Uso da força e alegações de abuso

    A assessoria do artista publicou nota em rede social acusando policiais de excesso durante a primeira abordagem. A corporação, por sua vez, sustenta que aplicou “técnicas de menor potencial ofensivo” e que o uso do Taser foi “proporcional à resistência”. Um vídeo gravado por vizinhos mostra o artista descalço, gritando, antes de ser imobilizado; a gravação será analisada na investigação interna aberta pela Corregedoria da PM.

    Atendimento médico no ato da prisão

    Documentos anexados ao processo indicam que, antes de cada condução à delegacia, VT Kebradeira passou por avaliação em Unidade de Pronto Atendimento. Exames não apontaram lesões graves, mas laudo médico menciona “quadro de agitação psicomotora compatível com surto”. Essa informação foi fundamental para convencer o juiz de que a prisão preventiva poderia agravar a condição clínica.

    Impacto na carreira do artista

    Nascido no Recife e radicado em João Pessoa, VT Kebradeira ganhou notoriedade nas redes sociais com músicas que mesclam brega funk e trap. O episódio das prisões gerou repercussão imediata: seu perfil no streaming teve pico de reproduções, porém contratos de shows agendados para agosto foram suspensos por empresários que aguardam definição judicial.

    A equipe do cantor divulgou comunicado dizendo estar “concentrada exclusivamente na recuperação da saúde” e, por ora, não há previsão de retorno aos palcos. Agentes do mercado avaliam que a manutenção de agendas futuras dependerá do desfecho do tratamento e do eventual acordo com as vítimas.

    Próximos passos judiciais

    O inquérito policial deve ser concluído em até 30 dias. Até lá, testemunhas serão novamente ouvidas e perícias complementares sobre os danos materiais serão anexadas. Caso o laudo médico definitivo confirme incapacidade temporária, a defesa pode solicitar extinção de punibilidade por inimputabilidade, o que exigiria laudo pericial oficial.

    Se o Ministério Público entender que o artista tinha, mesmo em surto, condição de entender o caráter ilícito de suas ações, poderá denunciá-lo por crimes como dano qualificado, lesão corporal e ameaça, cujas penas somadas ultrapassam cinco anos de prisão. Nessa hipótese, a defesa pode pleitear medida de segurança, resultando em internação compulsória em vez de prisão convencional.

    Como funciona a audiência de custódia

    Realizada em até 24 horas após a prisão em flagrante, a audiência de custódia tem objetivo de avaliar a legalidade da detenção e ouvir o preso sobre eventuais maus-tratos. No caso de VT Kebradeira, o juiz observou que havia base para manter o flagrante, mas considerou “mais adequado” substituir a prisão por cautelares que assegurassem tratamento de saúde, em consonância com a Lei Antimanicomial e com decisões recentes do Supremo Tribunal Federal sobre dependência química e transtorno mental.

    Com isso, o cantor deixou o Presídio do Róger escoltado por familiares, assinou termo de compromisso e seguiu direto para a clínica. Ele só poderá sair do local mediante autorização médica e comunicação ao Juízo competente.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.