Jovem é resgatada em comunidade indígena de Bonfim após dois semanas de cativeiro e golpe de facão

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    Uma jovem de 18 anos foi encontrada pela Polícia Militar na noite de segunda-feira (10) dentro de uma cabana improvisada na mata da comunidade indígena Cumaru, zona rural de Bonfim, ao norte de Roraima. Ela estava ferida na nuca por um golpe de facão desferido duas semanas antes e, segundo os investigadores, vinha sendo mantida em cárcere pelo próprio companheiro, um adolescente de 17 anos.

    O suspeito foi detido em flagrante no local, onde ainda foram apreendidos dois facões, uma faca e três artefatos artesanais que imitavam armas de fogo. Um homem de 35 anos, apontado como a pessoa que levava mantimentos até a cabana, também acabou preso. A vítima apresentava hematomas no braço esquerdo e no peito, além do corte na nuca já em cicatrização.

    Resgate na mata

    O desaparecimento da jovem mobilizava moradores das comunidades Pium e Cumaru desde 25 de julho. Na tarde de segunda-feira, lideranças indígenas procuraram a PM com informações mais precisas sobre o possível paradeiro do casal. Os policiais se uniram ao Grupo de Proteção e Vigilância Territorial Indígena (GPVIT) e iniciaram uma varredura na área de floresta que margeia um lago, ponto considerado estratégico por oferecer fácil esconderijo e água.

    Mobilização indígena e policiamento

    Os primeiros a serem localizados foram rastros recentes de pessoas e de uma motocicleta. Minutos depois, a equipe encontrou o homem de 35 anos que, segundo o relatório da PM, confessou estar levando comida para o adolescente. A partir dessa pista, os militares chegaram até a cabana de madeira coberta por lonas. O abrigo improvisado ficava a poucos metros do espelho d’água, protegido pela vegetação fechada.

    Ao perceber a aproximação dos agentes e das lideranças indígenas, o adolescente ergueu um facão e passou a fazer ameaças. Cercado, acabou rendido sem que novos ferimentos fossem registrados. Durante a abordagem, ele declarou que, se fosse liberado, mataria quem o denunciasse—a ameaça teria sido direcionada inclusive à tuxaua da comunidade Cumaru, uma mulher de 47 anos que vinha pressionando por respostas.

    Violência e ameaças

    De acordo com o boletim policial, o ataque a facão ocorreu há cerca de duas semanas, quando a vítima ainda tinha 17 anos. O aniversário dela foi um dia antes do resgate. O golpe atingiu a nuca, mas não comprometeu estruturas vitais; mesmo assim, o sangramento intenso impossibilitou pedidos imediatos de socorro. Sob ameaça constante, a jovem foi forçada a permanecer com o agressor na mata.

    Cativeiro e condições

    Dentro da cabana, os policiais encontraram colchões improvisados no chão batido, roupas úmidas e restos de alimento. Não havia energia nem suprimentos médicos. Os facões e a faca estavam ao alcance do adolescente, assim como três tubos de metal preenchidos com pólvora e espoleta, montados como pistolas caseiras. Segundo a PM, o cenário confirmava o risco permanente de violência.

    Depois de retirada da mata, a vítima recebeu atendimento de uma enfermeira que acompanhava a operação. Ela foi hidratada, teve os ferimentos limpos e, em seguida, encaminhada a uma unidade de saúde de Bonfim para avaliação detalhada. Os médicos constataram lesões compatíveis com espancamento recente.

    Prisões e investigação

    O adolescente foi autuado por cárcere privado, lesão corporal, maus-tratos e ameaça no contexto de violência doméstica. Por ser menor de idade, ele foi conduzido à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, onde ficou à disposição do Ministério Público. O homem que repassava mantimentos responderá por associação criminosa e favorecimento pessoal.

    Próximos passos

    • A Polícia Civil abriu inquérito para detalhar a dinâmica do sequestro e identificar se houve participação de outras pessoas na logística de apoio ao agressor.
    • A tuxaua que sofreu ameaças será ouvida como testemunha, assim como integrantes do GPVIT que participaram das buscas.
    • Os artefatos artesanais apreendidos passarão por perícia balística para determinar capacidade de disparo.
    • A Secretaria Estadual de Segurança informou que atua para garantir proteção à vítima e às lideranças indígenas, caso novas ameaças se confirmem.

    Enquanto o processo segue, a jovem permanece sob acompanhamento psicológico oferecido pela Rede de Proteção à Mulher de Bonfim. A prefeitura colocou o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) à disposição da família para auxílio material e orientação jurídica.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.