Joesley Batista convence Trump a cortar tarifa e redefine mercado de carne nos EUA

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    Uma reunião reservada na Casa Branca, em 20 de agosto, colocou o empresário brasileiro Joesley Batista no centro da ofensiva do presidente Donald Trump contra a escalada dos preços da carne bovina nos Estados Unidos. Segundo reportagem publicada pelo Wall Street Journal nesta segunda-feira (31), o dono da JBS convenceu o republicano de que a forma mais rápida de conter a alta nos açougues americanos era abrir as portas para maiores volumes de carne brasileira sem a cobrança de tarifa de importação.

    Vinte e quatro horas depois do encontro, Trump anunciou nas redes sociais que ampliaria a cota de carne estrangeira isenta de imposto — iniciativa formalizada por decreto poucos dias depois. A decisão desagradou parte do agronegócio americano, mas reforçou a presença da gigante brasileira no maior mercado consumidor do mundo.

    Encontro relâmpago desencadeia mudança de política

    O Wall Street Journal não conseguiu determinar quem articulou a audiência entre Batista e Trump, mas confirmou que eles discutiram a possibilidade de abolir a tarifa para aumentar a oferta de produto sul-americano nos supermercados. A rapidez com que o anúncio saiu do papel chamou atenção de assessores presidenciais e de observadores do setor, que ainda tentam mapear a cadeia de influência por trás da medida.

    No mesmo dia em que Washington tornava pública a nova diretriz, o Palácio do Planalto divulgou nota sobre conversa telefônica entre Lula (PT) e Trump. O comunicado mencionava temas como comércio, combate ao crime organizado e conflitos internacionais, mas não detalhava o lobby em torno da carne bovina.

    Pressão de preços e resistência do campo

    Os Estados Unidos atravessam escassez de gado em meio à elevação dos custos de insumos e à quebra de safra em alguns estados pecuários. Com menos animais prontos para abate, o preço pago aos produtores subiu e empurrou o valor da carne ao consumidor para níveis recordes. O desconforto chegou à Casa Branca, que teme o efeito da inflação alimentar sobre a popularidade do presidente às vésperas da campanha pela reeleição.

    Ao optar pela importação, Trump comprou briga com criadores de gado, associações de pecuaristas e parlamentares republicanos de estados rurais. O argumento dos críticos é que o afluxo de carne barata do Brasil e de outros países pode derrubar a renda no campo e desestimular a recomposição dos rebanhos, prolongando a crise de oferta doméstica.

    Plano de maio ficou na gaveta

    Antes da aproximação com Joesley, o governo chegou a avaliar, em maio, a suspensão total da cota que limita a entrada de carne bovina sem tarifa. A proposta, porém, foi engavetada diante da pressão dos próprios pecuaristas e de membros do Departamento de Agricultura. O encontro de agosto acabou reacendendo a ideia, desta vez com apoio explícito da indústria processadora.

    Peso político e financeiro da JBS em Washington

    A JBS, maior produtora de proteína animal do planeta, já mantinha canais diretos com a administração Trump. A Pilgrim’s Pride, subsidiária de aves com sede no Colorado, foi a maior doadora privada para a cerimônia de posse do republicano, em janeiro de 2025. Executivos do grupo mantêm presença frequente nos corredores do Capitólio, defendendo uma agenda de menores barreiras tarifárias e regulamentações mais flexíveis para o setor.

    Em nota enviada ao jornal americano, a companhia afirmou possuir “longo histórico de participação no processo cívico dos Estados Unidos” e disse atuar para “oferecer alimentos seguros e acessíveis às famílias americanas”.

    Brasil amplia fatia no mercado norte-americano

    Dados oficiais indicam que o Brasil exportou cerca de US$ 1,5 bilhão em carne bovina para os EUA no primeiro semestre, aumento de 10 % ante igual período do ano anterior. Com a expansão da cota livre de tarifa, o volume tende a crescer ainda mais, consolidando a ênfase da JBS em ganhar terreno sobre rivais locais.

    Efeitos imediatos e risco de escassez prolongada

    Economistas ouvidos pelo WSJ calculam que a entrada adicional de carne sul-americana poderá reduzir em até 5 % o preço médio no balcão de redes de fast-food e supermercados. O alívio, contudo, pode ser temporário. Se a remuneração ao criador americano cair além do previsto, muitos podem adiar os investimentos para repor o plantel, retardando a normalização da oferta interna de bezerros.

    Joesley Batista convence Trump a cortar tarifa e redefine mercado de carne nos EUA - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    “É um tiro de curto alcance: segura a inflação agora, mas empurra o problema para frente”, avaliou um analista do setor ouvido anonimamente pelo jornal.

    Investigação antitruste ganha fôlego

    A revelação do encontro coloca lenha na fogueira de outra frente: o Departamento de Justiça investiga as quatro maiores indústrias de processamento de carne dos EUA — JBS, Tyson, Cargill e National Beef — por suspeita de práticas monopolistas. Promotores apuram se as companhias coordenaram compras de gado para manipular preços pagos a produtores e, ao mesmo tempo, elevar as margens nas gôndolas.

    O avanço repentino de uma agenda que beneficia diretamente a JBS fortalece a tese de concorrentes menores, que acusam as gigantes de usar poder político para moldar regras a seu favor. Parlamentares democratas e republicanos prometem audiências no Congresso para exigir transparência sobre quem organizou a reunião de 20 de agosto e quais compromissos foram assumidos nos bastidores.

    Cenário de tensão política

    Para Trump, a aposta na importação mais barata representa tentativa de aliviar o bolso do consumidor, mas também expõe o governo a desgaste com uma base eleitoral historicamente alinhada aos republicanos: os produtores rurais. Já Joesley Batista mira ampliar market share, enquanto enfrenta questionamentos éticos tanto nos EUA quanto no Brasil por casos de corrupção e uso de informação privilegiada que vieram à tona nos últimos anos.

    Próximos passos

    O decreto que amplia a cota livre de tarifas deve entrar em vigor nos próximos dias, após publicação de regras complementares pelo Departamento de Agricultura. Entidades de criadores prometem acionar a Justiça para barrar a medida ou, no mínimo, impor salvaguardas que impeçam uma onda de importações concentrada em poucos grupos multinacionais.

    No Congresso, coalizões rurais articulam projetos de lei que restabeleçam limites mais rígidos à carne estrangeira ou ofereçam subsídios para incentivar a reposição de rebanhos domésticos. A Casa Branca, por sua vez, sinalizou que permanecerá aberta a “ajustes pontuais” se o mercado interno der sinais de deterioração.

    Impacto sobre o consumidor americano

    Apesar da disputa política, especialistas lembram que a queda de preço ao consumidor será observada na gôndola somente se a cadeia de distribuição repassar o desconto. Em crises anteriores, parte do ganho ficou retida na margem das grandes redes varejistas e das processadoras, fenômeno que agora é alvo de investigação paralela na Comissão Federal de Comércio.

    Enquanto isso, embarques do Brasil seguem em ritmo acelerado. Navios carregados de carcaças desossadas, hambúrguer industrial e cortes premium devem chegar aos portos de Filadélfia, Savannah e Houston já sob a nova alíquota zero. Na prática, o gesto costurado entre Batista e Trump inaugura uma fase inédita na disputa pelo prato do consumidor americano — com reverberações que vão do interior do Texas aos pastos do Mato Grosso.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.