A travessia de rotina entre as ilhas de Bali e Lombok terminou em tragédia na madrugada desta quarta-feira (12). A balsa KM Putri Yasmin, que havia deixado o porto balinês de Padangbai em direção a Lembar, foi tomada pelas chamas no Estreito de Lombok por volta das 4h39 (horário local). Equipes navais e civis conseguiram retirar 172 pessoas da água, mas confirmaram a morte de um passageiro indonésio enquanto prosseguem as buscas por eventuais desaparecidos.
Segundo o chefe da Agência de Busca e Resgate de West Nusa Tenggara, Muhammad Hariyadi, mais de 200 profissionais e diversas embarcações foram destacadas para a operação, que se estendeu ao longo do dia. Entre os sobreviventes está um cidadão australiano; os demais resgatados são indonésios.
Como o incêndio começou
Até o início da noite local, as autoridades não haviam determinado a causa do fogo a bordo. A tripulação conseguiu disparar o alerta de emergência logo que a fumaça tomou conta dos conveses, permitindo que barcos que navegavam na mesma rota se aproximassem para prestar socorro. Investigadores da capitania dos portos recolheram depoimentos de marinheiros e passageiros, mas ainda não divulgaram indícios sobre falha mecânica, curto-circuito ou outro motivo específico.
Momento do desastre
- Horário do incêndio: 4h39 (20h39 GMT de terça-feira).
- Local: Estreito de Lombok, entre as ilhas de Bali e Lombok.
- Condição climática: mar calmo, conforme informaram os socorristas.
Mobilização das equipes de resgate
A rápida reação dos centros de monitoramento marítimo foi decisiva para conter o número de vítimas. Lanchas rápidas, rebocadores e navios-patrulha criaram um cordão em torno da KM Putri Yasmin, enquanto helicópteros sobrevoavam a área para localizar pessoas que se lançaram ao mar. A espessa coluna de fumaça negra pôde ser avistada a quilômetros de distância, ajudando na orientação dos primeiros socorristas.
Estrutura envolvida
- Duas embarcações de resgate da Basarnas (agência nacional de buscas);
- Navios da marinha indonésia deslocados a partir de Lembar;
- Pescadores e operadores turísticos que navegavam na rota Bali-Lombok, acionados por rádio;
- Unidades médicas montadas nos portos de chegada para atendimento imediato.
Os passageiros retirados do mar foram distribuídos entre Padangbai e Lembar, onde receberam cobertores térmicos, água potável e avaliação médica. Vítimas com escoriações leves foram liberadas ainda pela manhã; casos de inalação de fumaça permaneceram em observação.
Perfil dos sobreviventes e da vítima fatal
Inicialmente, 173 pessoas estavam desaparecidas ou presas no casco em chamas. Durante a tarde, mergulhadores localizaram o corpo de um indonésio que não conseguiu abandonar a embarcação. A identidade da vítima não foi divulgada até a conclusão dos trâmites de perícia.
Entre os 172 resgatados:
- 1 australiano;
- 171 indonésios, entre passageiros e tripulantes.
O Ministério das Relações Exteriores da Austrália foi informado sobre o incidente envolvendo seu cidadão, que passa bem.
Dúvidas sobre a lotação da balsa
O número de pessoas a bordo virou ponto central da investigação. De acordo com Heri Wiyanto, funcionário do porto de Padangbai, o manifesto entregue antes da partida registrava 114 passageiros e 17 tripulantes — total de 131 pessoas. Os 172 sobreviventes, somados à vítima fatal, excedem essa contagem em mais de 40 nomes, sugerindo possibilidade de embarque sem registro.

Imagem: Internet
Esse cenário alimenta a hipótese de superlotação, prática comum em balsas indonésias durante períodos de alta demanda turística ou feriados religiosos. A comissão que apura o caso irá cruzar listas de passagens, gravações de câmeras de segurança no terminal e relatos de familiares para definir a real capacidade operacional naquele dia.
Histórico recente de acidentes
Menos de um mês antes, a balsa KM Mutiara Sentosa 2 pegou fogo nas proximidades da ilha de Madura, resultando em cinco mortes. Na ocasião, a investigação também apontou divergência entre o manifesto oficial e a quantidade de pessoas encontradas a bordo.
Com cerca de 17 mil ilhas, a Indonésia se apoia intensamente no transporte marítimo de curta distância. O custo reduzido e a disponibilidade de rotas tornam as balsas o elo principal entre comunidades, mas o cumprimento de normas de segurança, como controle de passageiros, manutenção dos motores e treinamento de evacuação, nem sempre acompanha o crescimento da demanda.
Principais problemas apontados pelas autoridades navais
- Fiscalização seletiva em portos menores;
- Equipamentos de combate a incêndio vencidos ou insuficientes;
- Capacidade de salvamento (coletes e botes) inferior ao número real de viajantes;
- Tripulações com treinamento limitado em procedimentos de emergência.
Próximos passos da investigação
Peritos marítimos isolaram a carcaça carbonizada da KM Putri Yasmin, que deve ser rebocada até doca seca em Lombok para inspeção estrutural. Além de determinar o ponto inicial das chamas, os investigadores pretendem avaliar se havia material inflamável estocado fora dos compartimentos destinados a carga.
Conclusões preliminares devem ser divulgadas nos próximos dias. Enquanto isso, o Ministério dos Transportes estuda aumentar a frequência de vistorias surpresa em rotas turísticas populares no verão do hemisfério sul.
Impacto no turismo entre Bali e Lombok
A linha Bali-Lombok figura entre as mais movimentadas do país, ligando o centro turístico de Padangbai às praias de Lembar em pouco mais de duas horas. Agências de viagem relataram cancelamentos imediatos após o incêndio, mas esperam retomar a programação regular assim que a capitania liberar novas autorizações de saída. Operadores prometeram revisar planos de segurança e reforçar a comunicação a bordo.
Moradores que dependem das balsas para deslocamentos diários, especialmente comerciantes de produtos agrícolas, solicitam a criação de um plano emergencial de transporte alternativo até que a confiança na rota seja restabelecida.
