A Vila Ipiranga, em Montes Claros, ganhou esta semana a primeira Clínica Municipal de Fisioterapia da cidade, viabilizando atendimento gratuito a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). A nova estrutura funciona das 7h às 18h, sem interrupções, e deve alcançar até 240 pessoas diariamente, totalizando 4.800 sessões por mês.
Além de ampliar a assistência em reabilitação, a obra também requalificou um espaço que estava abandonado e era usado como depósito irregular de lixo. Moradores relatam que o endereço, antes considerado inseguro, tornou-se ponto de encontro de pacientes e profissionais de saúde, devolvendo vitalidade ao bairro.
Estrutura e funcionamento
Instalada em prédio térreo com acessibilidade plena, a clínica concentra seis consultórios, sala de mecanoterapia, área para exercício terapêutico e vestiários adaptados. O município destacou seis fisioterapeutas para a unidade; três atuam no período da manhã e três à tarde, garantindo continuidade do serviço ao longo do dia.
Equipe e capacidade de atendimento
Cada profissional pode conduzir em média 40 atendimentos diários, segundo estimativa da Secretaria Municipal de Saúde. Somados, os dois turnos permitem alcançar o teto de 240 pacientes por dia. Esse fluxo, multiplicado pelos 20 dias úteis do mês, projeta 4.800 sessões de fisioterapia — número considerado suficiente para zerar parte da fila de espera registrada nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) locais.
O acolhimento não é porta aberta: usuários interessados devem procurar a UBS de referência, onde o clínico ou especialista avalia a indicação para fisioterapia. Se confirmada a necessidade, o encaminhamento eletrônico direciona o paciente à nova clínica, que agenda data e horário conforme disponibilidade.
Recuperação de espaço urbano
O terreno hoje ocupado pela clínica abrigava uma quadra poliesportiva municipal em desuso. Sem manutenção, a área transformou-se em depósito clandestino de entulho e ponto de consumo de drogas, gerando insegurança para quem mora na redondeza.
Segurança e revitalização
Com a construção da unidade de saúde, o cenário mudou. “Este local estava virando um lixão; agora virou uma clínica maravilhosa, não só para a nossa comunidade, mas para toda a cidade”, comenta o empresário Éder Gilson Martins Durães, morador do bairro há anos. A presença diária de profissionais, pacientes e veículos oficiais elevou o fluxo de pessoas e iluminou a área externa, fator citado pelos moradores como inibidor de atividades ilícitas.
Vozes da comunidade
A cadeirante Clamácia Avelino Peito, residente na própria Vila Ipiranga, descreve o impacto pessoal: “Eu tinha que atravessar a cidade para fazer fisioterapia; agora a clínica fica a poucas quadras de casa”. Para ela, a economia de tempo e de gastos com transporte facilita a adesão ao tratamento.

Imagem: Internet
A dona de casa Mariângela Cardoso, cujo pai idoso e irmão acidentado dependem ocasionalmente desse tipo de serviço, reforça o alívio de ter atendimento profissional perto de casa: “Se precisar, tá do lado e de graça”, diz, apontando a gratuidade como fator determinante para famílias de renda limitada.
Como acessar o serviço
O fluxo para iniciar o tratamento segue cinco passos:
- Paciente procura a UBS de referência no bairro.
- Médico ou especialista avalia necessidade de fisioterapia.
- Encaminhamento eletrônico é gerado para a clínica.
- Unidade agenda horário em dia e turno disponíveis.
- Paciente comparece munido de documento oficial e cartão do SUS.
Durante o atendimento, cada sessão dura em média 30 minutos, podendo variar conforme protocolo definido pelo fisioterapeuta responsável. A frequência semanal e o número total de sessões também dependem de avaliação clínica, respeitando diretrizes do SUS para reabilitação.
Perspectivas para a rede municipal
Com a nova clínica, Montes Claros amplia a oferta de fisioterapia sem recorrer a contratos terceirizados ou deslocamentos interestaduais para assistência de maior complexidade. A Secretaria de Saúde avalia, ainda, implantar programas de prevenção de lesões musculoesqueléticas, oficinas de postura e grupos educativos para idosos — atividades que poderão utilizar a mesma infraestrutura em horários ociosos.
Para a administração municipal, o sucesso do modelo na Vila Ipiranga servirá de parâmetro para futuras unidades em outras regiões. Se confirmados os índices de adesão esperados, a previsão é que metade da demanda reprimida na cidade seja absorvida já no primeiro semestre de funcionamento.
{internal_links}
