Ex-secretário do Exército dos EUA abandona cargo e expõe disputa com chefe do Pentágono

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    A saída de Dan Driscoll da chefia do Exército norte-americano foi entregue nesta segunda-feira (24/6) à Casa Branca e aprofundou a disputa interna com o secretário de Defesa, Pete Hegseth. O rompimento ocorre em meio à guerra contra o Irã, com dezenas de milhares de militares destacados no Oriente Médio, e à tentativa de Washington de negociar o fim do conflito entre Rússia e Ucrânia.

    Driscoll, aliado próximo do vice-presidente JD Vance, tornou-se o mais recente oficial de alto escalão a deixar o Pentágono sob o comando de Hegseth, multiplicando questionamentos sobre a estabilidade da cúpula militar num momento de operações simultâneas fora do país.

    Renúncia agrava crise no topo do Pentágono

    Fontes do Departamento de Defesa relatam que o secretário demissionário vinha alertando a administração para o que considerava retrocessos nos programas de prontidão e modernização do Exército. Segundo esses relatos, decisões de Hegseth, como a destituição de oficiais-generais responsáveis por projetos-chave, estariam minando anos de planejamento.

    Meses de atritos

    • A rivalidade ganhou força logo após a confirmação de Driscoll, em fevereiro de 2025, quando ele passou a defender uma transformação estruturante da Força Terrestre.
    • Hegseth, que controla o Orçamento de Defesa, enxergava o secretário do Exército como um concorrente dentro da máquina burocrática e, de acordo com um assessor ouvido pela imprensa norte-americana, cogitava afastá-lo “há muito tempo”.
    • O ponto de ruptura veio em abril, com a demissão do então chefe do Estado-Maior do Exército, general Randy George, decisão tomada sem consulta prévia a Driscoll.

    Mudanças no alto comando geram reação

    A dispensa de Randy George pegou o secretário de surpresa. Na mesma noite, ele e a família visitaram a residência do general para prestar solidariedade, gesto visto por colegas como desafio simbólico a Hegseth. Dois meses depois, o chefe do Pentágono voltou a intervir: removeu o comandante das forças do Exército na Europa e bloqueou promoções de oficiais de quatro estrelas que haviam trabalhado de perto com Driscoll.

    Para analistas de defesa, essas trocas sucessivas criam um vácuo de continuidade num período crítico: os Estados Unidos conduzem operações terrestres no Golfo Pérsico contra o Irã e mantêm unidades avançadas na Polônia, Romênia e Báltico, pontos de apoio à guerra de Kiev.

    Divergências sobre modernização e indústria bélica

    Desde a sabatina no Senado, Driscoll apontava falhas na relação entre o Exército e os grandes fornecedores do complexo militar-industrial. Em audiências públicas, acusou “contratadas bilionárias” de entregarem sistemas atrasados e acima do custo, prejudicando a segurança dos soldados. Para contornar esse ciclo, propôs licitações mais ágeis e parcerias com empresas de tecnologia emergente.

    Hegseth, segundo pessoas que acompanharam as discussões internas, entendia que mudanças tão abruptas colocariam em risco cronogramas de produção de munição de precisão e veículos blindados cuja demanda disparou após o front ucraniano. A tensão transformou reuniões de planejamento em arenas de disputa, até culminar na carta de demissão.

    Casa Branca agradece, mas evita polêmica

    Em nota curta, a porta-voz presidencial Anna Kelly louvou a “liderança excepcional” de Driscoll em missões recentes e destacou sua participação nas negociações indiretas entre Moscou e Kiev. O comunicado, porém, não mencionou divergências com Hegseth nem indicou quando o substituto será escolhido.

    Parlamentares republicanos ligados ao Freedom Caucus elogiaram Driscoll por “enfrentar o cartel industrial de defesa”. Já democratas moderados afirmam que o episódio evidencia “descontrole” na hierarquia militar sob a atual administração.

    Contexto internacional amplia pressão

    Frente no Oriente Médio

    Desde janeiro, forças norte-americanas lideram bombardeios de retaliação contra instalações iranianas após Teerã apoiar ataques a navios comerciais no Estreito de Ormuz. O Exército mobilizou brigadas blindadas adicionais no Kuwait e enviou baterias Patriot à Arábia Saudita. A ausência de um secretário capaz de arbitrar prioridades de aquisição de munição, alerta o Instituto para Estudos de Guerra, pode afetar cadeia logística e treinamento.

    Negociações na Ucrânia

    Donald Trump escalou Driscoll para compor a equipe que dialoga, por meio de mediadores, com Moscou e Kiev. Mesmo a passos lentos, o canal é considerado “momento chave” pela União Europeia, que teme o prolongamento das hostilidades no leste europeu. A renúncia obrigará a diplomacia dos EUA a redistribuir funções no curto prazo.

    Ex-secretário do Exército dos EUA abandona cargo e expõe disputa com chefe do Pentágono - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    Próximos passos

    Até que o Senado confirme um novo titular, o subsecretário adjunto fica no comando interino do Exército. Nos bastidores, circulam os nomes da general reformada Laura Richardson, atual chefa do Comando Sul, e do deputado Tom Cotton, veterano de combate no Iraque, para a vaga.

    Hegseth, por sua vez, enfrenta pressão de associações de oficiais da reserva que pedem previsibilidade nas carreiras. Eles temem um efeito cascata sobre promoções e continuidade de programas vitais, como o helicóptero de ataque de nova geração e os testes de armas hipersônicas.

    Impacto sobre tropas e orçamento

    O orçamento fiscal de 2026, que será enviado ao Congresso em setembro, prevê 195 bilhões de dólares para o Exército. Parte significativa destina-se à substituição de blindados Bradley e à compra de drones táticos. Sem um secretário titular, especialistas veem risco de que escolhas de investimento reflitam mais a agenda do gabinete político do Pentágono do que as demandas operacionais do campo de batalha.

    Nos quartéis-generais, comandantes regionais relatam incertezas sobre prazos de recebimento de blindagem reativa e rádio de nova geração, ambos essenciais às unidades deslocadas na fronteira iraquiano-iraniana.

    Retrato de um secretário contundente

    Natural de Cincinnati, Dan Driscoll serviu como capitão de infantaria nos fuzileiros navais antes de se tornar assessor legislativo. Ganhou destaque ao coordenar o comitê de transição de segurança nacional de Donald Trump, em 2024. Adepto do slogan “letality first”, defendia foco em poder de fogo e capacidade expedicionária.

    Mesmo adversários admitem que ele injetou senso de urgência em processos burocráticos. Entre as principais iniciativas de sua gestão estiveram a aceleração de testes de veículos robóticos de combate, a revisão de protocolos de recrutamento e a expansão de programas de saúde mental para veteranos. Todas essas ações agora entram em período de incerteza.

    Perspectiva de escalada institucional

    A renúncia de Driscoll não é fato isolado. Desde o início do ano fiscal, já deixaram seus cargos o subsecretário de aquisições e o diretor de operações especiais, ambos críticos da recente reorganização militar conduzida por Hegseth. Analistas do Center for Strategic and International Studies enxergam um padrão que pode comprometer a coesão interforças se persistir.

    Para o professor Marcus Abrams, da Universidade de Georgetown, “a instabilidade no topo soma-se a desafios externos sem precedentes desde 2003”. Ele lembra que, à época da invasão do Iraque, disputas entre secretários também atrasaram decisões de compra de veículos blindados resistentes a minas, aumentando o número de baixas. “O histórico não recomenda repetir o erro”, conclui.

    Enquanto Casa Branca e Congresso discutem substitutos, milhares de soldados continuam em operações de combate duplo, com suprimentos correndo contra o relógio e o comando político-militar em plena ebulição.

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    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.