Dor de cabeça de 10 dias revela glioblastoma terminal em galês de 34 anos

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    Uma dor de cabeça que parecia inofensiva virou sentença de tempo para o galês Josh Smith, de 34 anos. Depois de 10 dias ininterruptos de latejamento e episódios de confusão mental, o eletricista de Wrexham ouviu o diagnóstico que ninguém espera: glioblastoma, o tumor cerebral mais agressivo conhecido pela medicina, com expectativa média de vida entre 12 e 18 meses.

    Desde então, Josh e a esposa Kelly adotaram o modo “cada dia conta”. Entre sessões de quimioterapia e radioterapia, ele traçou metas simples — como chegar vivo ao próximo Natal para tirar a árvore do sótão — e tenta manter o humor que considera parte essencial de sua identidade.

    Da dor à descoberta

    Em janeiro, Josh começou a sentir confusão mental no trabalho e dores de cabeça que não cediam a analgésicos comuns. Atribuiu o incômodo ao cansaço, reforçado pelo estigma de que “homem aguenta firme”. Passou 12 anos sem aparecer em um consultório médico até que Kelly, preocupada, o convenceu a procurar um clínico-geral. O profissional não encontrou nada anormal, receitou mais paracetamol e sugeriu avaliação oftalmológica, igualmente inconclusiva.

    Com a dor se intensificando — “era como se alguém empurrasse meus olhos para fora”, descreveu — Kelly insistiu que o marido fosse ao pronto-socorro do Hospital Wrexham Maelor. Ele recebeu morfina e alta, mas voltou no dia seguinte. Uma tomografia revelou um tumor de 4,5 cm. “Achei que tivessem trocado as imagens”, relembra. Transferido para o centro de neurologia The Walton Centre, em Liverpool, ouviu o veredito final: glioblastoma multiforme.

    O que é o glioblastoma

    Cerca de 3.200 britânicos recebem esse diagnóstico todos os anos, segundo a Brain Tumour Research. Apenas um terço chega ao segundo ano de vida; menos de 4% alcança cinco anos. Apesar de estudos contínuos, o protocolo terapêutico — cirurgia seguida de quimio e radioterapia — pouco evoluiu nas últimas duas décadas, o que torna esse câncer virtualmente incurável.

    Tratamento e prognóstico

    Josh passou por uma cirurgia que retirou 95% da massa tumoral. “Acordei pedindo frango do KFC, algo de que nem gostava antes”, conta, orgulhoso de ter mantido o senso de humor. Desde a operação, encara ciclos de radioterapia e continua em quimioterapia no Hospital Glan Clwyd, em Rhyl. O objetivo dos médicos é conter o avanço do tumor o máximo possível.

    Metas de curto prazo

    Consciente da limitação do tratamento, ele definiu alvos tangíveis: levantar cedo para fazer café para Kelly, levar os cães Olive e Teddy para longas caminhadas e estar vivo em dezembro para ajudar na decoração natalina. “Prometi que subo no sótão para pegar a árvore, porque ela morre de medo das aranhas”, brinca.

    Viver agora

    Antes da doença, o casal sonhava em adaptar uma van para viajar e ter o primeiro filho. O plano virou uma lista de vivências imediatas: Josh escalou o monte Yr Wyddfa (Snowdon), completou uma corrida do tipo parkrun, praticou stand up paddle, cuidou de animais no Chester Zoo por um dia, plantou flores no jardim e registrou tudo em fotos.

    “É fácil se deixar afundar nos pensamentos, por isso me mantenho ocupado”, diz. As redes sociais se tornaram espaço para atualizar amigos e familiares e, ao mesmo tempo, alertar outros homens a não ignorarem sinais persistentes do corpo.

    Mobilização por mais pesquisa

    Grato ao NHS — o sistema público de saúde britânico —, Josh se surpreendeu com o número de pessoas afetadas por tumores cerebrais e decidiu usar sua voz. Ele e Kelly aderiram a uma campanha que pressiona o governo galês a ampliar verbas para pesquisas e a participação de pacientes em ensaios clínicos.

    Em resposta, o governo do País de Gales informou que elabora um Plano de Câncer com publicação prevista para fevereiro de 2027, prometendo foco em inovação, acesso a testes de novos tratamentos e uma conferência anual para troca de boas práticas entre especialistas.

    Para Josh, cada avanço conta, mesmo que não chegue a tempo de beneficiá-lo diretamente. “Se investirem agora e isso ajudar uma única pessoa no futuro, já valeu”, avalia. Até lá, ele segue colecionando pequenos grandes momentos — e revendo, diariamente, o significado de urgência.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.