O dólar iniciou a terça-feira (18) valorizado, cotado a R$ 5,2137 às 9h, avanço de 0,25% em relação ao encerramento anterior. A procura pela divisa ganhou força com o encarecimento do petróleo provocado pelo novo impasse no Estreito de Ormuz e pela expectativa de divulgação de indicadores de emprego e atividade nos Estados Unidos.
A alta acontece num ambiente de aversão a risco que também respinga na B3. O Ibovespa só começa a negociar a partir das 10h, mas da véspera até hoje cedo o humor já era de cautela, sustentado pela fuga de capital estrangeiro e pelo pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, que reacendeu dúvidas sobre a saúde do varejo local.
Pressão vinda do Golfo Pérsico
O principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, avisou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado enquanto Washington não retirar sanções, liberar ativos congelados e encerrar o bloqueio marítimo. A passagem foi responsável, antes da guerra, por cerca de 20% do comércio global de petróleo. Qualquer interrupção eleva o custo da commodity e, por consequência, aumenta a busca por segurança no dólar.
Às 8h45, o Brent, referência internacional, era negociado a US$ 90,88, praticamente estável (+0,01%), enquanto o WTI, parâmetro dos EUA, subia 0,50%, a US$ 84,92. O descompasso reforça a percepção de oferta apertada e mantém os agentes atentos a novos desdobramentos no Oriente Médio, sobretudo após a ameaça do presidente norte-americano Donald Trump de bombardear Omã caso o país tente interferir no controle da rota.
Relação petróleo-câmbio
- Quando o barril encarece, cresce o temor de inflação global.
- Investidores migram para ativos considerados mais seguros, como o dólar.
- Países importadores de energia, como o Brasil, ficam expostos a maior pressão sobre a balança comercial.
Indicadores americanos no radar
A agenda desta terça traz o relatório de emprego privado ADP e números dos setores industrial, de construção e de preços de exportação. Sinais de aquecimento podem reforçar a tese de manutenção dos juros elevados pelo Federal Reserve por mais tempo, o que tende a fortalecer a divisa norte-americana diante de outras moedas.
Para investidores que aplicam no Brasil, juros altos nos EUA reduzem a atratividade de ativos de maior risco, ampliando a saída de recursos do mercado acionário local e sustentando o avanço do dólar.
Fotografia do câmbio
Variações acumuladas
- Semana: +0,36%
- Mês: +2,58%
- Ano: –5,25%
A despeito da correção recente, a moeda ainda mostra queda no acumulado de 2026 graças à entrada consistente de dólares registrada no primeiro semestre. Desde julho, entretanto, a tendência se inverteu com a combinação de juros internacionais altos, preço do petróleo e incerteza fiscal doméstica.
Ibovespa sob influência externa e local
Desempenho até o fechamento anterior

Imagem: Internet
- Semana: –3,06%
- Mês: –6,05%
- Ano: +3,79%
A sensação de fraqueza global provocada pela disputa geopolítica se soma à percepção de piora no setor de consumo brasileiro. A retração do índice ocorre paralelamente ao fluxo líquido negativo de investidores estrangeiros, que enxugam liquidez e ampliam a volatilidade.
Recuperação judicial da Casas Bahia
No domingo (16), a varejista protocolou pedido de proteção contra credores na Justiça de São Paulo. A medida abrange dez empresas do grupo e tenta reestruturar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas. O episódio reaquece o debate sobre o impacto do juro alto no caixa das companhias voltadas ao consumo doméstico, justamente quando a renda das famílias segue pressionada e o crédito, mais caro.
Analistas avaliam que outras empresas endividadas do setor podem ter dificuldade semelhante, o que reforça o clima defensivo na bolsa.
Bolsas internacionais refletem cautela
Os principais índices asiáticos exibiram comportamento misto. Na China continental, o CSI 300 cedeu 0,3%, enquanto o Xangai Composto subiu 0,2%. O desempenho fraco de empresas de inteligência artificial e tecnologia foi compensado pelos ganhos de papéis ligados a energia.
Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 0,07%. Já o Nikkei japonês recuou 2,54% com a realização de lucros após sequência de altas. O Kospi sul-coreano perdeu 1,55%, influenciado pela fuga de capital estrangeiro em meio à alta do dólar.
Europa e Estados Unidos
Nos mercados futuros de Nova York, os índices S&P 500 e Nasdaq operavam próximos da estabilidade antes da abertura oficial, à espera dos dados de atividade. Na Europa, as praças registravam leves perdas, acompanhando o movimento do petróleo e a valorização do dólar, que tende a penalizar multinacionais do Velho Continente.
O que acompanhar a seguir
- Publicação do ADP às 9h15 (horário de Brasília).
- Leituras preliminares de indústria e construção norte-americanas ao longo da manhã.
- Balanço detalhado do pedido de recuperação da Casas Bahia, inclusive cronograma de renegociação junto a credores.
- Discurso de dirigentes do Federal Reserve sobre perspectivas de juros.
- Atualizações geopolíticas no Oriente Médio, especialmente sobre eventuais negociações para reabrir o Estreito de Ormuz.
A depender da combinação de dados americanos fortes e escalada adicional no Golfo, analistas não descartam novo teste da resistência de R$ 5,25 para o dólar nas próximas sessões. Por ora, a orientação geral permanece de cautela, com investidores privilegiando posicionamento defensivo em meio a um noticiário externo que segue imprevisível.