Orientar produtores rurais, estudantes e representantes do poder público sobre o destino correto das embalagens de defensivos agrícolas é o objetivo central das atividades do Dia Nacional do Campo Limpo que tomam conta de Imperatriz, Balsas e Alto Parnaíba ao longo de agosto. As três cidades maranhenses integram o cronograma de mais de 220 ações programadas em todo o país para marcar, em 18 de agosto, a principal data nacional voltada à logística reversa de agrotóxicos.
Coordenada pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV) e sustentada pelo Sistema Campo Limpo, a mobilização pretende envolver no estado cerca de 360 participantes entre agricultores, distribuidores, professores e estudantes. Palestras técnicas, demonstrações de tríplice lavagem e oficinas sobre resíduos sólidos formam o núcleo da programação local, que ganhou apoio de revendedores e de associações setoriais.
Mobilização em três frentes no Maranhão
Alto Parnaíba: escolas e produtores no mesmo debate
A primeira cidade maranhense a abrir a agenda deste ano foi Alto Parnaíba. No dia 13, a central de recebimento instalada na MA-006, quilômetro 1, recebeu agricultores para uma palestra focada em boas práticas de manejo pós-consumo. Em paralelo, profissionais do Sistema Campo Limpo promoveram dinâmica em escolas da rede municipal para discutir a gestão correta de resíduos sólidos. A expectativa dos organizadores era atingir mais de 120 pessoas ao longo do dia.
Balsas: dois dias para falar de reciclagem e tríplice lavagem
Balsas concentra a fase mais extensa da programação. Na segunda-feira, 17, moradores da comunidade Rio Coco participam de apresentações sobre o funcionamento da logística reversa e o caminho percorrido pelas embalagens até a reciclagem. Já na terça, 18, a agenda se divide em dois pontos: no período da manhã, estudantes universitários e representantes de órgãos ambientais se reúnem no Distrito Industrial para conhecer números locais de recolhimento; à tarde, no posto de São Domingos do Maranhão e na Central Balsas Maravilha, equipes técnicas demonstram a tríplice lavagem – procedimento que permite descontaminar a embalagem ainda na propriedade rural. Aproximadamente 130 pessoas devem passar pelas atividades.
Imperatriz: parceria com distribuidores fortalece adesão
Em Imperatriz, o pontapé inicial ocorreu em 5 de agosto, quando produtores participaram de uma apresentação detalhada sobre o Sistema Campo Limpo na central da BR-010, quilômetro 1.359. O segundo encontro, planejado para 18 de agosto, terá a presença de agricultores, distribuidores de insumos e representantes do município, graças a uma articulação com a Associação do Comércio de Insumos Agropecuários da Região Tocantina (ACIART). A organização calcula atingir 110 participantes somando as duas datas.
Logística reversa que virou referência
Criado em 2002 por exigência de lei federal, o Sistema Campo Limpo conecta agricultores, revendas, indústria e setor público em uma engrenagem de recolhimento de embalagens de defensivos agrícolas. As unidades de recebimento espalhadas pelo país recebem o material já submetido à tríplice lavagem, separam por tipo de plástico e remetem mais de 90% para indústrias recicladoras. O percentual restante, geralmente embalagens contaminadas ou em mau estado, ganha outra destinação adequada, como incineração em fornos especiais.
Em 2025, o Maranhão encaminhou 2.217 toneladas de embalagens vazias, volume que representa cerca de 3% do total nacional. No mesmo período, o Brasil atingiu 75.996 toneladas, número 11% superior ao do ano anterior, segundo o inpEV. O avanço é atribuído ao engajamento crescente de agricultores e ao aumento de pontos de coleta que, atualmente, cobrem todas as regiões produtoras do país.

Imagem: Internet
Meta é ampliar participação de agricultores
Embora o índice de retorno seja considerado elevado pelos gestores do Sistema Campo Limpo, parte significativa dos produtores de pequeno e médio porte ainda não participa com regularidade do processo de devolução. No Maranhão, a prioridade dos organizadores neste ano é justamente aproximar esse público, reforçando que a entrega das embalagens é obrigatória, não gera custos adicionais e previne passivos ambientais na propriedade.
As palestras agendadas em escolas e universidades buscam formar multiplicadores da mensagem. “Quando o estudante compreende que a reciclagem começa com a tríplice lavagem no campo, ele leva esse conhecimento para a família e para a comunidade rural”, destaca a equipe técnica em material de divulgação. A abordagem didática inclui vídeos, maquetes dos centros de processamento e a exibição de objetos confeccionados a partir do plástico reciclado, como conduítes e tampas automotivas.
Expectativas para a edição de 2026
O Dia Nacional do Campo Limpo de 2026 já está em planejamento e deve manter o Maranhão no roteiro prioritário, sobretudo pelas características da fronteira agrícola no sul do estado. A projeção do inpEV é ultrapassar a marca de 220 eventos e atingir 21 unidades da Federação, consolidando a iniciativa como um dos maiores mutirões ambientais do agronegócio brasileiro.
Até lá, a estratégia é ampliar o diálogo com cooperativas, atrair novos pontos de recebimento e avançar em tecnologia de rastreio das embalagens, garantindo transparência sobre o trajeto do material desde a fazenda até a indústria recicladora. Para o produtor, a mensagem central permanece: devolver a embalagem no prazo, seguindo os procedimentos corretos, reduz o risco de contaminação, evita multas ambientais e ainda reinjeta matéria-prima na cadeia produtiva.
