Dia dos Pais termina em tragédia: frentista de 31 anos morre afogado durante festa em igarapé no Acre

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    O que era para ser uma comemoração familiar no interior do Acre terminou de forma irreversível na madrugada de domingo (9). O frentista Renato Correa do Nascimento, de 31 anos, pai de três crianças, se afogou em um igarapé localizado numa chácara do ramal Buritirana, em Rodrigues Alves, e não resistiu às tentativas de reanimação realizadas no local e no hospital do município.

    Renato participava de uma festa de aniversário ao lado da esposa, parentes e amigos quando decidiu entrar na água para tomar banho. Minutos depois, desapareceu sob a superfície. Ao ser retirado já inconsciente, recebeu massagem cardíaca e respiração boca a boca de pessoas que tinham noções básicas de primeiros socorros, mas sofreu parada cardiorrespiratória e morreu antes de ser transferido para uma unidade de maior complexidade.

    Festa familiar se transforma em busca desesperada

    Segundo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o grupo se reunia para celebrar o aniversário de um dos presentes, coincidentemente no mesmo dia em que o país comemorava o Dia dos Pais. O igarapé na chácara da família era conhecido de Renato, que costumava frequentá-lo sempre que tinha oportunidade.

    Testemunhas relataram que o frentista entrou calmo na água. Em poucos instantes, porém, perceberam seu sumiço. Ao notar a ausência, parentes e amigos se lançaram ao igarapé na tentativa de localizá-lo. Quando finalmente o puxaram para a margem, Renato já apresentava sinais claros de asfixia, com ausência de pulso e respiração.

    Primeiros socorros mantêm batimentos por alguns minutos

    Dois convidados, que haviam aprendido técnicas básicas de reanimação cardiopulmonar (RCP), iniciaram imediatamente as compressões torácicas e a ventilação boca a boca. De acordo com o médico Caio Rodrigues, responsável pelo atendimento do Samu em Rodrigues Alves, a intervenção popular foi crucial para restabelecer temporariamente os batimentos cardíacos do paciente.

    “Quando chegamos, havia retorno de circulação, mas o quadro era de extrema instabilidade. Suspeitamos de um mal súbito, seguido de afogamento e nova parada cardiorrespiratória”, explicou o profissional.

    Atendimento do Samu e óbito no hospital municipal

    A equipe básica do Samu de Rodrigues Alves, a mais próxima da chácara, assumiu o atendimento e levou o frentista ao hospital da cidade. Já no percurso foi necessário manter manobras de suporte avançado de vida, dada a gravidade do quadro clínico.

    Uma ambulância de suporte avançado saiu de Cruzeiro do Sul para auxiliar na transferência, mas, antes mesmo de a remoção ocorrer, o paciente evoluiu novamente para parada cardiorrespiratória dentro do hospital. As medidas de ressuscitação foram retomadas, sem êxito. O óbito foi declarado ainda na unidade local.

    Suspeita de mal súbito

    Embora o afogamento tenha sido a causa imediata da morte, o Samu trabalha com a hipótese de que Renato tenha sofrido um mal súbito logo após entrar na água. Essa possibilidade explicaria o rápido desaparecimento e a dificuldade do grupo em resgatá-lo antes da ingestão de grande volume de líquido.

    Comoção entre amigos, familiares e instituição em que o pai trabalhava

    Em Rodrigues Alves, a notícia gerou forte comoção. Uma amiga, que preferiu não se identificar, descreveu Renato como um homem “sempre sorridente e sem inimigos”. Segundo ela, o frentista fazia questão de manter bom humor no trabalho e em casa, onde dividia o tempo livre com a esposa e os três filhos.

    O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial no Acre (Senai-AC), onde o pai de Renato é colaborador, emitiu nota de pesar manifestando solidariedade à família. A instituição pediu forças e conforto divinos para que todos superem a “irreparável perda”.

    Velório e despedida

    A família organizou o velório na própria cidade de Rodrigues Alves. Moradores, colegas de trabalho e parentes viajaram de municípios vizinhos para prestar as últimas homenagens, lembrando principalmente a alegria que marcava a presença de Renato em qualquer roda de conversa.

    Dor que permanece no Dia dos Pais

    A celebração do Dia dos Pais, que naturalmente reuniria a família para um momento de confraternização, acaba por ganhar um significado de luto e saudade. Os três filhos de Renato, ainda pequenos, ficaram sob os cuidados da mãe e de avós, que buscam apoio emocional e logístico para enfrentar o período imediato de adaptação sem o provedor.

    Repercussão local

    Grupos de redes sociais de Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul compartilharam mensagens de condolências, fotos antigas e depoimentos sobre o frentista. Vizinhos destacaram que o jovem costumava ajudar na manutenção de veículos dos amigos, mesmo fora do horário de expediente, e participava de eventos beneficentes dentro da igreja que frequentava.

    Procedimentos investigativos

    Como de praxe em ocorrências de morte não violenta, a Polícia Civil foi comunicada e instaurou procedimento para esclarecer as circunstâncias. O laudo do Instituto Médico Legal (IML), que receberá o histórico de atendimento do Samu e informações colhidas no local, deverá apontar se houve fator clínico anterior ao afogamento, confirmando ou descartando a suspeita de mal súbito.

    Orientação a frequentadores de igarapés

    A tragédia reacendeu discussões em Rodrigues Alves sobre cuidados em áreas naturais, sobretudo em festas regadas a bebida alcoólica – ainda que não haja confirmação de consumo por parte da vítima. Autoridades sanitárias locais reforçaram a recomendação de nunca entrar sozinho em rios ou igarapés, manter coletes de flutuação por perto e, sempre que possível, contar com alguém treinado em RCP nas proximidades.

    Lembranças e legado

    Ainda abalados, familiares preferem se recordar do frentista como pai dedicado e profissional empenhado. “Ele ia trabalhar cedo, voltava e sempre tinha uma palavra de ânimo”, afirmou um primo, durante o velório. Para os colegas de posto, ficam a imagem do sorriso fácil e a marca de um funcionário que jamais recusava turno extra para ajudar a equipe.

    Renato Correa do Nascimento entra na estatística de mortes por afogamento no Acre, mas, para quem o conhecia, deixa antes de tudo um exemplo de leveza, companheirismo e alegria que seguirá presente nas lembranças – especialmente de seus três filhos, agora amparados pela rede de amigos que ele mesmo ajudou a formar.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.