Passageiros da Linha 8-Diamante voltaram a viver momentos de tensão na tarde desta sexta-feira (14). Um trem operado pela ViaMobilidade descarrilou por volta das 17h15, entre as estações Comandante Sampaio e Osasco, levantando poeira enquanto avançava alguns metros fora dos trilhos. Imagens gravadas dentro do vagão mostram gritos de desespero e a composição sacudindo antes de parar completamente.
Apesar do susto, ninguém se feriu. Ainda assim, o incidente paralisou a circulação no trecho, gerou congestionamento de passageiros nas plataformas e afetou também a Linha 9-Esmeralda, interligada à Linha 8 em Osasco. É o segundo descarrilamento consecutivo registrado na malha administrada pela concessionária em pouco mais de 24 horas.
Descarrilamento ocorreu no fim da tarde
Segundo a ViaMobilidade, o trem trafegava no sentido Itapevi–Júlio Prestes quando saiu dos trilhos. A composição permaneceu estável, mas o deslocamento sobre o leito de terra foi suficiente para espalhar poeira por todo o interior do vagão, como mostram os vídeos compartilhados nas redes sociais. O barulho metálico seguido de trepidação fez com que diversos usuários se jogassem ao chão ou segurassem bancos e barras de apoio.
Passageiros registram momento de pânico
Um dos registros mais compartilhados foi feito por uma passageira que viajava no primeiro carro. A gravação de pouco mais de 40 segundos captura o instante em que o trem balança bruscamente, arrasta partes da estrutura na terra batida e finalmente para. Mulheres e homens aparecem gritando, alguns rezam, outros pedem calma. O vídeo termina com a porta sendo aberta manualmente para ventilação.
Impacto na circulação das linhas 8 e 9
Logo após o acidente, agentes da concessionária orientaram os ocupantes a desembarcar pela via e caminhar em direção à Estação Comandante Sampaio. Enquanto equipes de manutenção avaliavam os danos, os trens da Linha 8 passaram a circular em via auxiliar com intervalos mais longos do que o habitual. O mesmo aconteceu na Linha 9-Esmeralda, cuja operação ficou limitada em função do compartilhamento da plataforma em Osasco.
Previsão de normalização
A empresa afirmou que a operação plena seria retomada por volta das 18h30, mas, até o início da noite, a velocidade continuava reduzida e havia relatos de aglomerações em Santa Terezinha, Presidente Altino e Ceasa. A repetição de atrasos provocou irritação entre usuários, principalmente aqueles que dependem da integração com a CPTM na Barra Funda ou com o Metrô na Estação Pinheiros.

Imagem: Internet
Sequência de falhas preocupa usuários
O susto desta sexta ocorreu um dia após outro descarrilamento na Linha 8-Diamante. Na quinta-feira (13), um conjunto de rodas de uma composição fora de serviço saltou dos trilhos próximo à Estação Júlio Prestes, no centro da capital. Naquele momento, o trem seguia vazio e em baixa velocidade, mas a ocorrência obrigou o fechamento temporário da estação terminal e lotou plataformas em toda a extensão da linha.
Incidente de quinta-feira em Júlio Prestes
Na operação emergencial de quinta, a ViaMobilidade aconselhou os passageiros a migrarem para as linhas 10-Turquesa e 11-Coral da CPTM entre Palmeiras-Barra Funda e Luz, enquanto técnicos removiam o trem avariado. O serviço só foi estabilizado no início da madrugada, segundo relatório interno repassado ao órgão regulador.
O que diz a concessionária
Em nota, a ViaMobilidade informou que “não houve feridos e os clientes foram direcionados com segurança para a Estação Comandante Sampaio”. A concessionária declarou ainda que “equipes atuam para retomar completamente a operação em via auxiliar e normalizar os intervalos”. Não foram divulgadas, até o momento, as causas do descarrilamento, nem previsão para a conclusão da perícia nos trilhos e no material rodante.
Os dois descarrilamentos em sequência reacendem o debate sobre a qualidade do serviço ferroviário concedido à iniciativa privada na Grande São Paulo. Representantes de associações de passageiros cobram explicações sobre manutenção preventiva e treinamento de operadores, enquanto o governo paulista diz aguardar os laudos técnicos para adotar eventuais sanções contratuais.
