Patrimônio dos oito candidatos ao governo de MS vai de zero a R$ 16,1 milhões

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    A corrida pelo Palácio Guaicurus tem protagonistas com bolsos muito diferentes. As declarações de bens entregues pelos oito postulantes ao governo de Mato Grosso do Sul ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam patrimônios que variam de R$ 0,00 a R$ 16,1 milhões. A divulgação é obrigatória para o registro de candidatura e permite ao eleitor comparar o histórico financeiro de quem busca administrar um orçamento bilionário.

    O valor mais alto pertence ao atual governador, Eduardo Riedel (PP), que tenta a reeleição; na outra ponta, Daniel Lemes (PCO) e Jeferson Bezerra (Agir) declaram não possuir qualquer bem. Entre esses extremos há trajetórias de alta, queda ou estabilidade patrimonial, sempre refletindo escolhas profissionais, heranças e investimentos de cada político.

    Como a lei expõe o patrimônio dos candidatos

    Desde 2010, a Justiça Eleitoral disponibiliza on-line todas as declarações na plataforma DivulgaCand. Qualquer alteração de valores ou inclusão de bens entre uma eleição e outra fica registrada, permitindo acompanhar, por exemplo, se um parlamentar enriqueceu durante o mandato ou se diversificou investimentos.

    Em Mato Grosso do Sul, o grupo que disputa o governo reúne quatro ex-parlamentares, um economista estreante nas urnas, um advogado ligado ao setor privado e dois candidatos de partidos nanicos que relatam não possuir bens. A seguir, um raio-x do patrimônio de cada um.

    Eduardo Riedel (PP) – R$ 16,1 milhões

    Riedel chega à eleição de 2026 com patrimônio 22 % menor que o informado em 2022 (R$ 20,7 mi). A retração decorre, principalmente, da saída da lista de um apartamento no Rio de Janeiro avaliado em R$ 1,7 mi, de uma residência de R$ 2,3 mi e de participações societárias que somavam R$ 4,7 mi. Por outro lado, o agronegócio ganhou peso: as terras, equipamentos e 521 cabeças de gado passam a representar R$ 12 mi, ante R$ 10 mi quatro anos atrás. Também entraram na relação uma picape Ford Ranger 2024 (R$ 321 mil) e uma motocicleta BMW 2026 (R$ 113 mil). Depósitos bancários e aplicações subiram para R$ 439 mil.

    Fábio Trad (PT) – R$ 3,6 milhões

    O ex-deputado federal ampliou o patrimônio em 55 % desde 2022, quando declarara R$ 2,3 mi. O salto ocorreu depois da compra de um apartamento de R$ 1 mi em Campo Grande, hoje seu bem de maior valor. Trad diversificou aplicações: manteve R$ 751 mil em previdência privada e passou a deter ações, fundos e títulos de renda fixa. A lista inclui ainda um quinhão de sítio em São Gabriel do Oeste (R$ 249 mil), dois terrenos que somam R$ 62 mil, R$ 174 mil provenientes de espólio e dois veículos Hyundai avaliados em R$ 202 mil. Saíram da relação uma sala comercial, um terreno em condomínio fechado e uma construção residencial.

    Delcídio Amaral (PRD) – R$ 1,5 milhão

    Senador cassado em 2016 e de volta às urnas, Delcídio manteve inalterada a declaração feita na disputa de 2024: R$ 1,5 mi. Nada entrou, nada saiu. O grosso do capital está em fazendas de Corumbá: um terço da Rancho do Vale II (R$ 596 mil) e da Marília Estância (R$ 244 mil), além de glebas no Jacadigo (R$ 165 mil). Completam a lista R$ 217 mil em benfeitorias e gado na Fazenda Santa Rosa, dois apartamentos (um em Florianópolis, outro em local não especificado) e um Mini Cooper 2011.

    Renato Gomes (DC) – R$ 922 mil

    Estreante em eleições, o economista declarou cinco bens que somam R$ 922 mil. A maior fatia é a cota de 33 % num prédio no Edifício Green Park, em Campo Grande, avaliada em R$ 433 mil. Ele possui ainda um apartamento no Centro (R$ 250 mil), dois carros – Honda HR-V 2018 (R$ 85 mil) e Toyota Etios 2019 (R$ 62 mil) – e R$ 92 mil depositados no Banco Inter.

    João Henrique Catan (Novo) – R$ 588 mil

    O advogado e ex-deputado estadual viu seu patrimônio crescer 17 % em quatro anos. Reservas bancárias quase dobraram (de R$ 59 mil para R$ 111 mil) e os recursos destinados a aplicações passaram de R$ 350 mil para R$ 382 mil. As participações societárias permanecem praticamente estáveis: 30 % na Novas Soluções (R$ 90 mil) e 33 % num escritório de advocacia (R$ 500). Entre as novidades estão um título de capitalização de R$ 4,2 mil e uma conta-poupança simbólica de R$ 136.

    Lucien Rezende (PSOL) – R$ 250 mil

    Mestre em filosofia e professor, Rezende registrou avanço de 84 % sobre os R$ 135,5 mil declarados na prévia municipal de 2024. A evolução, porém, deve-se à substituição de vários ativos por um único bem: uma casa de alvenaria em Campo Grande, estimada em R$ 250 mil. Na eleição anterior ele listava duas residências modestas, R$ 15 mil em investimentos e uma moto Honda XRE 190.

    Daniel Lemes (PCO) – R$ 0,00

    Ex-candidato a prefeito de Amambai, Lemes voltou a informar possuir “nenhum bem”. A Justiça Eleitoral confirma que a condição é a mesma desde 2024.

    Jeferson Bezerra (Agir) – R$ 0,00

    Suplente de vereador em Dourados na última disputa municipal, Bezerra também afirma não ter patrimônio. O registro repete a declaração de dois anos atrás.

    Por que esses números importam

    A divulgação de bens não impede enriquecimento durante o mandato, mas permite confrontar a evolução patrimonial com a renda declarada pelos políticos e com eventuais denúncias de corrupção. Em 2026, a lista revela três perfis básicos: milionários consolidados (Riedel e Trad), classe média com imóveis ou investimentos (Delcídio, Catan, Gomes e Rezende) e candidatos sem ativos formais (Lemes e Bezerra).

    Para o eleitor, o dado serve como termômetro de transparência. Uma discrepância exagerada entre o estilo de vida visível e o patrimônio oficial pode ser indício de omissão ou de irregularidade. Ao mesmo tempo, patrimônios mais robustos podem levantar debate sobre conflito de interesses, principalmente quando incluem fazendas, participações empresariais ou contratos com o poder público.

    Próximos passos no calendário eleitoral

    Com o fim do prazo de registro, a Justiça Eleitoral analisa eventuais impugnações de candidaturas. Se não houver questionamentos, os nomes permanecem na urna eletrônica. O DivulgaCand segue aberto até depois da diplomação em dezembro, recebendo atualizações de renúncias, substituições ou decisões judiciais.

    O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro de 2026. Caso nenhum candidato atinja mais de 50 % dos votos válidos, o segundo turno ocorre em 25 de outubro. Até lá, as campanhas devem exibir a declaração de bens em toda peça publicitária, reforçando a transparência determinada pela lei.

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    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.