Debate ao Senado no RS tem embates sobre feminicídio, obras na BR-290 e programas sociais

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    Insistindo em temas como violência de gênero, equilíbrio fiscal e assistência social, oito postulantes à única vaga do Rio Grande do Sul no Senado travaram um debate de 1h30 transmitido ao vivo pela TV Pampa na noite de quinta-feira (20). O encontro, primeiro após o registro oficial das chapas, expôs a tensão entre governistas e oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reservou até um direito de resposta, concedido quando Milton Cardoso (PSDB) chamou Paulo Pimenta (PT) de “cara de pau”.

    Estiveram frente a frente Frederico Antunes (PSD), Germano Rigotto (MDB), Manuela d’Ávila (PSOL), Marcel van Hattem (Novo), Milton Cardoso (PSDB), Paulo Pimenta (PT), Renato Jaguarão (Cidadania) e Ubiratan Sanderson (PL). Dividido em quatro blocos — apresentações, duas rodadas de perguntas diretas e considerações finais — o debate deixou claro que, além da disputa por votos, cada candidato buscou marcar território em pautas nas quais se sente mais identificado.

    Formato e clima do encontro

    No primeiro bloco, cada participante teve um minuto para se apresentar; nos dois seguintes, perguntas com tema livre podiam ser direcionadas entre si; no último, vieram as despedidas. Apenas um direito de resposta foi acionado, quando Cardoso, citando escândalos envolvendo o PT, ofendeu o adversário. Pimenta recebeu um minuto extra para rebater.

    Com plateia restrita e mediação da emissora, o tom oscilou entre críticas duras, principalmente ao governo federal, e tentativas de mostrar soluções concretas para problemas do Estado. A seguir, os principais recados de cada concorrente.

    Antunes pontua atraso na BR-290 e cobra disciplina fiscal

    Líder do governo Eduardo Leite na Assembleia, Frederico Antunes centrou fogo na infraestrutura. Segundo ele, o “desarranjo fiscal” nacional impede investimentos estratégicos, exemplificando com a duplicação da BR-290, eixo que liga o Brasil ao Cone Sul. “Sem contas equilibradas, a estrada não anda e trava o turismo terrestre que mais gera receita para o Estado”, disse.

    Rigotto lamenta rumos da reforma tributária

    Ex-governador e ex-deputado federal, Germano Rigotto afirmou ter percorrido “os 26 estados” para discutir mudanças no sistema de impostos e avaliou que o texto aprovado no Congresso “não simplifica como deveria”. Promete atuar no Senado para ajustar a transição e “entregar algo melhor do que o manicômio tributário atual”.

    Manuela propõe criminalizar misoginia nos moldes do racismo

    Única mulher na disputa, Manuela d’Ávila abriu sua fala lembrando a escalada de feminicídios no RS. Defendeu equiparar o ódio de gênero ao crime de racismo, criação de aluguel social para vítimas de violência doméstica e igualdade salarial. “Há quem seja contra até remuneração igual para trabalho igual”, alfinetou, sem citar nomes.

    Van Hattem liga PT a suposta blindagem na CPMI do INSS

    Marcel van Hattem usou a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS para acusar parlamentares petistas de proteger envolvidos em fraudes. Disse que nenhum deputado do partido assinou pedido de indiciamento e criticou “consórcio PT-STF” que, em sua visão, impediria punições. Voltou a se apresentar como símbolo de combate à corrupção.

    Cardoso trata eleição como “sobrevivência” contra a esquerda

    Jornalista e estreante em disputas majoritárias, Milton Cardoso adotou o discurso mais inflamado da noite. Atacou Lula, chamou de “curral eleitoral” a ampliação do Bolsa Família e defendeu condicionalidades para benefícios sociais. Argumentou que investidores teriam perdido R$ 255 bilhões por falta de confiança no Planalto.

    Pimenta destaca programa Compra Assistida na reconstrução pós-enchentes

    Ex-ministro-chefe da Secretaria de Comunicação e responsável federal pela reconstrução gaúcha depois das enchentes de 2024, Paulo Pimenta rebateu críticas lembrando que 13 mil famílias já foram realocadas por meio do programa Compra Assistida, que adquire imóveis prontos. Levou a proposta para o debate nacional e disse ter 1.500 planos de trabalho liberados a municípios.

    Jaguarão foge da polarização e insiste em renda e aposentadorias

    Poeta e compositor, Renato Jaguarão evitou rótulos ideológicos e criticou o que chamou de “debate viciado”. Apontou que 80% dos brasileiros ganham menos de R$ 3 mil mensais e muitos aposentados “não conseguem pagar remédio”. Prometeu concentrar atuação em salário mínimo, correção de benefícios e redução das desigualdades.

    Sanderson vê “farra eleitoreira” nos benefícios federais

    Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, Ubiratan Sanderson acusou o governo Lula de ampliar programas sociais em 30% “sem porta de saída”. Defendeu qualificação profissional para romper, segundo ele, o ciclo de dependência. “Chega de esmola, precisamos entregar oportunidades”, resumiu.

    Temas transversais ganham espaço

    Além dos assuntos levantados individualmente, o grupo abordou reforma administrativa, pacto federativo, combate a facções na fronteira e revisão de benefícios a servidores. Em comum, todos reconheceram gargalos logísticos e a urgência de atualizar regras fiscais, embora divirjam sobre a extensão dos cortes e a prioridade de investimentos.

    Direito de resposta esquenta o bloco final

    A tensão subiu quando Milton Cardoso acusou Paulo Pimenta de “cara de pau” por, segundo ele, “gastar milhões em propaganda e chamar de obra” a recomposição pós-enchente. A produção aplicou o regulamento, concedendo um minuto extra ao petista, que respondeu: “A reconstrução é real, visitada por milhares de famílias. Cara de pau é negar o esforço coletivo do povo gaúcho”.

    Próximos passos na campanha

    Com mais de 8,7 milhões de eleitores convocados a escolher apenas um senador, o Rio Grande do Sul terá novas sabatinas até o início de outubro. O próximo encontro televisionado deve ocorrer na segunda quinzena de setembro, já com as pesquisas eleitorais indicando tendências mais nítidas. Até lá, os candidatos intensificam agendas no interior, sobretudo em regiões castigadas pelas enchentes e em polos industriais que reclamam de carga tributária.

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    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.