O fim da noite de segunda-feira (27) foi marcado por uma tragédia em Jardim Progresso, na Zona Norte de Natal. Ster Eloá Silva dos Santos, de apenas dois anos e um mês, morreu afogada depois de cair de cabeça em um balde com água no quintal da própria casa, na Rua Sampaio Correia. A menina tentava retirar um brinquedo de dentro do recipiente quando perdeu o equilíbrio e ficou presa, sem conseguir se erguer.
A morte ocorreu apesar de sucessivas tentativas de reanimação feitas pela família e pela equipe médica do Hospital Santa Catarina, para onde a criança foi levada às pressas por um motorista de aplicativo que passava pela rua. O caso abalou a comunidade e reabriu a discussão sobre os riscos que recipientes domésticos oferecem a crianças na primeira infância.
Dinâmica do acidente
Segundo familiares, o balde, que estava com água até a metade, permanecia no quintal da residência depois de ser usado em tarefas rotineiras. Ster Eloá brincava sob a supervisão da mãe, que também cuidava da filha mais nova, um bebê de nove meses. A mulher se dividia entre as duas crianças. Em determinado momento, a menina mais velha viu o brinquedo dentro do balde, inclinou-se para pegá-lo e acabou caindo de cabeça para baixo.
O recipiente, descrito como estreito, limitou qualquer movimento que permitisse à criança se desvirar. A pouca profundidade da água não impediu a fatalidade: o posicionamento forçado, aliado à fragilidade típica da idade, resultou em um afogamento rápido. Não há informações exatas sobre o tempo em que a menina permaneceu submersa, mas a família acredita que a situação ocorreu em questão de minutos.
Alerta do choro e descoberta
O primeiro sinal de que algo estava errado veio do choro da irmã mais nova. Ao perceber o som insistente, a mãe dirigiu-se ao quintal e encontrou Ster Eloá imóvel, com sinais evidentes de falta de oxigênio. Desesperada, gritou por socorro. Madalena Souza, tia da vítima que mora próximo, relatou ter visto a cunhada chegar à porta da casa em estado de choque, carregando a criança já roxa e sem reação.
“Ela tentou virar a menina e fazer massagem no peito ainda ali no quintal”, contou a tia. Os demais moradores também correram para ajudar. Uma vizinha trouxe toalhas, outras pessoas telefonaram para conhecidos que tinham carro, e um motorista de aplicativo que passava pela via principal atendeu ao pedido da família, interrompendo a corrida que fazia para levar mãe e filha ao hospital.
Tentativa de reanimação
Durante o trajeto até o Hospital Santa Catarina, na própria Zona Norte, a mãe manteve a menina deitada no colo, enquanto a tia pressionava suavemente o tórax, seguindo orientações recebidas por telefone de um parente técnico de enfermagem. A equipe da unidade de saúde aguardava na porta de urgência. Já na sala de estabilização, médicos realizaram manobras de ressuscitação cardiopulmonar e usaram equipamentos de suporte avançado.
Os procedimentos duraram vários minutos, mas, segundo o boletim fornecido à família, não houve resposta satisfatória. O óbito foi confirmado na mesma noite. A causa registrada foi afogamento por submersão.
Identificação da vítima
Ster Eloá Silva dos Santos completaria três anos em junho do ano que vem. A família é composta pelos pais e duas filhas. O pai estava fora, em horário de trabalho, e retornou depois de ser informado pelos vizinhos. Ele chegou ao hospital quando a equipe encerrava as tentativas de reanimação, recebendo o apoio de amigos e parentes que já se encontravam no local.
Relatos da família e impacto na comunidade
Madalena Souza descreveu o sentimento de impotência. “A gente nunca imagina que meio balde possa tirar a vida de uma criança. Foi rápido demais. Quando percebi, minha cunhada só chorava e repetia que não tinha visto”, relatou. Vizinhos relataram que a menina era vista quase todos os dias brincando na calçada, sempre sorridente. O loteamento Jardim Progresso, onde o episódio ocorreu, é formado por residências térreas, muitas com quintais abertos ou separados por pequenos muros.

Imagem: Internet
Na manhã seguinte, moradores reuniram-se em frente à casa da família para prestar solidariedade. Entre frases de apoio e orações, alguns reforçaram a intenção de redobrar a atenção com recipientes de água deixados no quintal. O enterro estava previsto para a tarde desta terça-feira (28) no cemitério municipal, mas a família solicitou sigilo sobre horário e local para evitar aglomerações.
Procedimentos legais
Embora não haja indícios de crime, casos de morte infantil acidental são comunicados à Polícia Civil e ao Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep) para emissão do laudo cadavérico. O documento confirma a causa da morte e libera o corpo para sepultamento. Até o fechamento desta edição, o Itep havia concluído a perícia, confirmando o afogamento como causa principal, sem sinais de outras lesões.
Acompanhamento psicológico
Servidores da Secretaria Municipal de Assistência Social visitaram a residência para oferecer suporte psicológico e social. Devido ao abalo emocional, a mãe evitou falar com a imprensa. O pai agradeceu em poucas palavras o apoio dos vizinhos e pediu respeito ao luto.
Repercussão
A tragédia repercutiu nas redes sociais de moradores da Zona Norte. Diversos usuários compartilharam mensagens de solidariedade e destacaram a importância de não subestimar recipientes aparentemente inofensivos. Entre bairros vizinhos, grupos comunitários organizaram coleta de mantimentos e fraldas para a família, que vive de trabalhos informais.
Comportamento de risco invisível
Embora o balde estivesse no quintal havia poucos minutos, a sequência de eventos mostrou como um descuido de frações de segundo pode resultar em desfechos fatais. Parentes recordaram que, naquela noite, ninguém imaginou que o recipiente representasse perigo. O brinquedo, um pequeno objeto de plástico colorido, chamou a atenção de Ster Eloá e se tornou a peça central de uma fatalidade que entristeceu toda a vizinhança.
Velório e despedida
O velório ocorreu em cerimônia restrita no início da tarde desta terça-feira. Parentes próximos colocaram flores brancas ao lado do caixão, decorado com uma foto recente em que a criança aparecia com o mesmo vestido usado na festa de aniversário de dois anos, comemorada há apenas um mês. O clima era de consternação entre familiares e amigos, muitos ainda tentando compreender a rapidez do acidente.
Expectativa de superação
Nos próximos dias, a família pretende se recolher para viver o luto em particular. Vizinhos organizam uma rede de apoio para ajudar nas tarefas domésticas e no cuidado com a bebê de nove meses, enquanto a mãe se recupera do choque emocional. Representantes de grupos religiosos da região também ofereceram auxílio espiritual.
