O tricampeão de estatísticas do turfe brasileiro Leandro Henrique, 27 anos, será velado nesta quinta-feira (20), das 15h às 17h, no Hipódromo da Gávea, Zona Sul do Rio. A cerimônia é aberta ao público, com entrada pela Tribuna Social, e marca a despedida de um dos nomes mais promissores das corridas de cavalo do país.
Leandro não resistiu aos ferimentos sofridos em uma queda durante o segundo páreo de domingo (16) no Jockey Club Brasileiro. Internado em estado grave, ele passou por cirurgia no Hospital Municipal Miguel Couto e foi transferido para uma unidade particular, mas teve morte confirmada na madrugada de quarta-feira (19).
Como ocorreu o acidente
Queda e primeiros socorros
O cavalo montado por Leandro saiu da pista e saltou sobre cavaletes de proteção ainda nos primeiros metros da disputa. O impacto projetou o jóquei ao chão, provocando fratura exposta no quadril e traumatismo craniano. Socorristas do próprio Jockey prestaram o primeiro atendimento antes da remoção em ambulância para o Miguel Couto, referência em trauma na capital.
Estado de saúde e tentativa de reversão
No hospital público, uma equipe multidisciplinar realizou procedimento de emergência para conter hemorragias e estabilizar a fratura. Em seguida, a família optou pela transferência para uma unidade privada, onde Leandro permaneceu sedado e sob ventilação mecânica. Mesmo com cuidados intensivos, complicações neurológicas se agravaram e levaram ao óbito três dias depois.
Carreira meteórica no turfe
Títulos e recordes
Nascido em Recife, Leandro desembarcou no Rio aos 16 anos para tentar a sorte nas corridas. Rápido na adaptação, conquistou três títulos consecutivos na estatística de jóqueis do Jockey Club Brasileiro, façanha rara para atletas com menos de 25 anos. Admiradores destacam a combinação de disciplina, leveza na montaria e faro tático, qualidades que o levaram a vitórias nos principais prêmios nacionais.
Reconhecimento da comunidade
Profissionais do turfe descrevem o pernambucano como referência de empenho. “Chegava antes de todo mundo para treinar e era o último a sair”, recorda um treinador próximo. A popularidade transcendeu as pistas: Leandro reunia milhares de seguidores em redes sociais, onde dividia o cotidiano de treinos com momentos ao lado da esposa, a também jóquei Victoria Mota, e da filha de um ano.
Reação da família e despedida
Declaração emocionada da esposa
Logo após a confirmação da morte, Victoria usou as redes para se despedir: “Estive aqui até o último segundo. Lutamos juntos. Vou seguir firme pela nossa menina”, escreveu. Ela compartilhou fotos do casal e mensagens enviadas ao celular de Leandro durante a internação, nas quais dizia manter esperança na recuperação.
Velório aberto e apoio da torcida
O Jockey Club Brasileiro disponibilizou o espaço na Gávea e convocou colegas, treinadores e aficionados para a última homenagem. A diretoria da entidade manifestou solidariedade através de nota oficial e anunciou luto nos próximos páreos. {internal_links}

Imagem: Internet
Homenagens além do hipódromo
Tributo no Maracanã
Torcedor do Flamengo, Leandro receberá aplausos póstumos no intervalo do clássico entre Flamengo e Botafogo, marcado para domingo (30). Uma camisa personalizada será entregue aos familiares no gramado, enquanto telões reproduzirão imagens de suas principais vitórias.
Sepultamento em Pernambuco
Após o velório no Rio, o corpo seguirá para o Recife, onde ocorre enterro em cerimônia restrita. Parentes da capital pernambucana aguardam chegada prevista na madrugada de sexta-feira (21).
Histórico de acidentes no Hipódromo da Gávea
Não é o primeiro episódio fatal recente no local. Em dezembro de 2025, o aprendiz de jóquei Joaquim Pavoski Dapper, 16 anos, perdeu a vida após queda semelhante na reta final de um páreo. A sucessão de tragédias reacendeu o debate sobre protocolos de segurança durante as provas, incluindo reforço de barreiras, inspeção veterinária mais rígida e capacitação de socorristas.
Especialistas em medicina esportiva apontam que, embora quedas façam parte do risco inerente ao turfe, mudanças estruturais e tecnológicas — como uso de coletes de proteção avançados e melhoria no desenho das pistas — podem reduzir a gravidade dos acidentes. O Jockey Club informou que uma comissão técnica avaliará as circunstâncias que envolveram a morte de Leandro para definir possíveis ajustes nos procedimentos.
Como fica o calendário de corridas
A instituição carioca decidiu manter a programação oficial, mas dedicará um minuto de silêncio em cada páreo do fim de semana. Parte da premiação de uma das provas principais será revertida em doação para a família do atleta, gesto que também ocorreu após o falecimento de Pavoski Dapper.
Enquanto o turfe lida com a perda de um de seus maiores expoentes recentes, admiradores, colegas e torcedores preparam-se para a despedida desta quinta-feira, em que o som dos cascos dará lugar ao silêncio respeitoso no Hipódromo da Gávea.
