Colômbia pede a Trump suspensão temporária de tarifas para facilitar reconstrução após terremoto

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    O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, apelou ao seu aliado norte-americano Donald Trump pela suspensão imediata das sobretaxas aplicadas a produtos colombianos. A solicitação, feita na noite de sábado (15) durante conversa telefônica, busca abrir margem financeira para empresas locais que tentam se reerguer depois do terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o oeste do país na última segunda-feira e já deixou ao menos 289 mortos.

    Sem resposta oficial da Casa Branca até o momento, a iniciativa ocorre no momento em que Washington promete US$ 26,5 milhões em assistência emergencial. De la Espriella afirma que o alívio tarifário viria somar-se a esse pacote, dando “fôlego” a indústrias e agricultores cujas cadeias produtivas foram destruídas especialmente nos departamentos de Chocó, Valle del Cauca e Risaralda.

    Terremoto devasta região pacífica e impõe estado de desastre

    O abalo sísmico teve epicentro em Chocó, uma das áreas mais pobres e de difícil acesso da Colômbia. O tremor, que pôde ser sentido de Medellín a Quito, devastou cidades como Pereira, Cali e Quibdó. O governo declarou estado de desastre natural poucas horas depois, abrindo caminho para liberação de recursos extraordinários.

    O último balanço oficial contabiliza 289 mortos, 3 937 feridos e 143 desaparecidos. São 14 705 casas completamente destruídas e pelo menos 81 536 imóveis danificados. Levantamentos de organizações civis falam em milhares de desaparecidos, sobretudo em povoados rurais ainda não alcançados por equipes de resgate.

    Busca por sobreviventes supera 120 horas

    Em Cali, terceira maior cidade do país, bombeiros e voluntários continuam vasculhando escombros de prédios residenciais e centros comerciais mesmo após o prazo crítico de 72 horas. O prefeito Alejandro Eder descreveu o esforço como “corrida contra o relógio”, mas reiterou que a possibilidade de encontrar pessoas vivas ainda existe. “Milagres acontecem”, disse, justificando a manutenção das operações com equipamentos de detecção sonora e cães farejadores.

    Pressão econômica interna motiva pedido a Washington

    As exportações colombianas de flores, têxteis, café e carvão enfrentam tarifas elevadas impostas pelo governo Trump desde 2025, parte de uma política que pretendia renegociar acordos comerciais na América Latina. Segundo a Federação Nacional de Cafeteiros, o custo adicional tem impactado cerca de 250 mil produtores, muitos deles localizados justamente nas zonas afetadas pelo sismo.

    De la Espriella, empossado há menos de duas semanas, foi eleito com forte apoio de setores empresariais e insiste que a recuperação depende de liquidez imediata. Em mensagem publicada na rede social X, ele agradeceu ao apoio humanitário norte-americano, mas frisou que “o verdadeiro alívio virá quando nossos exportadores voltarem a vender sem sobretaxas num mercado que representa 34% de nossas vendas externas”.

    Ajuda humanitária já em curso

    • 27 mil kits de alimentação distribuídos em Cali, Pereira e Quibdó;
    • Hospitais de campanha montados pelo Exército em três municípios costeiros;
    • Força-Tarefa Internacional dos EUA desembarcou 75 especialistas em busca e salvamento;
    • ONGs locais relatam falta de água potável em pelo menos 40 comunidades.

    O Departamento de Estado norte-americano confirmou que parte dos US$ 26,5 milhões já foi convertida em envio de tendas, geradores e suprimentos médicos. A Organização Pan-Americana da Saúde, por sua vez, coordena a distribuição de insumos em parceria com o Ministério da Saúde colombiano.

    Relação política entre os dois presidentes

    A sintonia entre De la Espriella e Trump não é novidade. Durante o segundo turno das eleições colombianas, realizado em 21 de junho, o republicano manifestou apoio público ao então candidato, classificando-o como “grande aliado na luta contra o narcotráfico”. O gesto foi interpretado como interferência eleitoral por opositores, mas consolidou vínculos que agora se tornam decisivos para a agenda pós-desastre.

    Embora a suspensão tarifária dependa de parecer do Departamento de Comércio e aprovação congressual, analistas em Bogotá acreditam que a boa relação pessoal entre os chefes de Estado pode acelerar o processo. “Se houver vontade política, a medida pode sair por decreto de emergência, válida por 90 dias, renovável”, avalia a economista Laura Restrepo, da Universidade dos Andes.

    Impacto nas exportações-chave

    1. Café: perdas estimadas em 18% da produção anual, com danos a plantações em altitudes médias, mais suscetíveis a deslizamentos.
    2. Flores ornamentais: 60 hectares de estufas colapsaram na região de Pereira, comprometendo remessas para o Dia de Ação de Graças nos EUA.
    3. Têxteis: fábricas em Cali operam a 30% da capacidade por falta de energia e escassez de matéria-prima.

    Situação humanitária nas áreas mais isoladas

    Comunidades afro-colombianas e indígenas no litoral pacífico sofrem com vias bloqueadas por deslizamentos. Helicópteros da força aérea lançam mantimentos em pontos previamente sinalizados, mas o mau tempo dificulta a operação. A Defesa Civil alerta para risco de doenças transmitidas por água contaminada, enquanto a escola local em Bahía Solano virou abrigo para 600 pessoas.

    Organizações não governamentais pedem atenção especial às crianças. Segundo a Unicef, 112 mil menores de idade estão fora da escola desde o tremor. Há relato de traumas psicológicos e necessidade de espaços seguros para atividades recreativas.

    Reconstrução: desafios e custos

    O Ministério das Finanças divulgou estimativa preliminar de US$ 2,4 bilhões só para infraestrutura básica. O cálculo inclui reparo de 12 pontes, 320 quilômetros de rodovias e restauração de sistemas de água e esgoto em cinco cidades costeiras. A prioridade, no entanto, é reassentar cerca de 50 mil famílias que perderam completamente suas moradias.

    Para financiar o esforço, o governo estuda emissão de títulos de dívida internos e busca apoio de bancos multilaterais, como o BID e o Banco Mundial. A suspensão de tarifas, avalia a pasta, reduziria a necessidade de endividamento ao elevar as divisas provenientes de exportação.

    Próximos passos

    Enquanto a Casa Branca avalia o pedido, a chancelaria colombiana prepara rodada de reuniões com legisladores norte-americanos para defender o argumento de que a medida terá horizonte curto e propósito humanitário. Uma delegação chefiada pela vice-presidente, María Juliana Ruiz, deve viajar a Washington nesta semana.

    Internamente, partidos de oposição exigem transparência na aplicação dos recursos já recebidos e contestam números oficiais sobre desaparecidos. O governo promete atualizar os dados diariamente e abriu linha direta para denúncias de irregularidades em contratos emergenciais.

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    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.