Uma batida na tarde de terça-feira (11) transformou um trecho da Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225), em Bauru, num cenário de correria e apreensão. O carro dirigido por um homem de 35 anos atingiu a traseira de um caminhão por volta das 16h20, rodopiou sobre o asfalto e só parou no acostamento; o condutor ficou preso nas ferragens e foi retirado em estado grave. Enquanto equipes de resgate lutavam para salvar a vítima, o fluxo de veículos formou longa fila nos dois sentidos da pista.
O impacto forte, a ausência de marcas de frenagem e o depoimento do caminhoneiro levantaram suspeitas de mal súbito ou sonolência ao volante. A Polícia Científica recolheu vestígios no local para determinar a causa exata do acidente. O motorista ferido foi levado a um hospital particular de Bauru e permanecia sem boletim atualizado até o fechamento desta edição.
Resgate complexo e trânsito interrompido
Logo após a colisão, motoristas que vinham atrás acionaram o 190 e o serviço de atendimento da concessionária que administra a SP-225. De acordo com a Polícia Militar Rodoviária, a vítima ficou encarcerada entre o banco e o painel, exigindo a chegada do Corpo de Bombeiros com equipamentos de corte. Foram necessários cerca de 25 minutos para abrir a lataria retorcida e liberar o ferido, que apresentava fraturas múltiplas e suspeita de trauma torácico.
Enquanto a operação de salvamento ocorria, o tráfego foi desviado para o acostamento interno e reduziu a velocidade média dos veículos para menos de 20 km/h. O apoio de viaturas da Polícia Rodoviária e de agentes da concessionária impediu que novos acidentes acontecessem no ponto de retenção. Pouco depois das 17h30, a via foi totalmente liberada.
Transporte ao hospital
Depois da retirada das ferragens, a vítima recebeu atendimento pré-hospitalar ainda na pista, incluindo estabilização da coluna cervical e administração de oxigênio. Em seguida foi embarcada em ambulância avançada até um hospital particular de Bauru, onde passou por exames de imagem. Até o início da manhã desta quarta-feira (12), não havia confirmação oficial sobre a necessidade de cirurgia.
Depoimentos e hipóteses para a batida
Em entrevista no local, o caminhoneiro Alex Donega relatou que sentiu apenas “um tranco seco” na carroceria. “Olhei no retrovisor e vi o carro girando. Encostei imediatamente e fui ajudar”, afirmou. Ele não sofreu ferimentos.
Outra testemunha, que conduzia um automóvel logo atrás do veículo de passeio sinistrado, declarou não ter visto sinais de frenagem. A ausência de marcas de pneu no asfalto reforçou, para os peritos, a possibilidade de que o motorista estivesse incapacitado no momento do impacto. A polícia colheu imagens de câmeras internas do caminhão e requisitou os dados do tacógrafo para comparação de velocidade.
Trabalho da perícia
Peritos fotografaram o local, coletaram fragmentos de vidro, examinaram o sistema de freios do caminhão e mediram a distância entre o ponto de colisão e o local onde o carro parou. O laudo oficial, que inclui análise toxicológica da vítima, deve ficar pronto em até 30 dias. Caso seja confirmada a hipótese de mal súbito, o inquérito poderá ser arquivado sem indiciamento.
Impactos econômicos e estatísticas regionais
A SP-225 liga Bauru a Jaú e concentra intenso tráfego de caminhões que seguem para a região canavieira e para o polo de distribuição de Bebedouro. De janeiro a julho, a Polícia Rodoviária registrou 38 acidentes com vítimas nesse trecho, cinco a mais que no mesmo período do ano passado. Em 60% dos casos, houve colisão traseira, modalidade frequentemente associada a distração, sono ou excesso de velocidade.

Imagem: Internet
Especialistas em segurança viária ouvidos pela reportagem alertam que o uso de substâncias estimulantes para driblar o cansaço, ainda comum entre motoristas profissionais, pode provocar o chamado “efeito rebote”: a sonolência súbita após o término do princípio ativo. Embora não haja indícios de ingestão de anfetaminas neste caso específico, a Polícia Técnico-Científica mantém protocolo para rastreamento de substâncias psicoativas em todo acidente grave.
Veículo em chamas na Marechal Rondon
No mesmo dia, a cerca de 120 quilômetros dali, outro incidente exigiu a atuação do Corpo de Bombeiros. Às 23h, um automóvel pegou fogo no quilômetro 465 da Rodovia Marechal Rondon, em Promissão. Segundo a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), uma pane elétrica provocou faíscas no compartimento do motor, que rapidamente se alastraram.
O condutor, único ocupante, conseguiu sair antes de as chamas dominarem o carro. Ele sofreu apenas escoriações leves decorrentes da tentativa de retirar pertences do interior do veículo. O acostamento precisou ser bloqueado durante aproximadamente 40 minutos para que os bombeiros concluíssem o rescaldo. Não houve reflexo significativo no fluxo principal, e a pista já estava totalmente liberada pouco depois da meia-noite.
Prevenção de incêndios veiculares
Panes elétricas aparecem entre as três principais causas de incêndios em carros, ao lado de vazamento de combustível e superaquecimento do sistema de ar-condicionado. Mecânicos orientam revisões preventivas a cada 10 mil quilômetros, com atenção especial à fiação próxima ao bloco do motor e ao alternador. A Artesp recomenda ainda que os motoristas carreguem extintor adequado a incêndios de classe B, embora o equipamento não seja mais obrigatório por lei.
Alerta para direção defensiva
Os dois eventos expõem fragilidades distintas, mas igualmente perigosas, da malha rodoviária paulista: a perda de atenção ao volante e a falta de manutenção veicular. Para o tenente Rodrigo Alves, da Polícia Militar Rodoviária, ambas podem ser combatidas com adoção rigorosa de pausas a cada três horas de viagem e revisão periódica do automóvel. “Quando assumimos o volante cansados ou com peças em mau estado, transformamos o carro em arma e a estrada em loteria”, resume o oficial.
Enquanto o laudo pericial sobre a colisão na SP-225 não fica pronto, o motorista gravemente ferido segue internado sob observação. A concessionária informa que reforçou sinalização e instalou painéis luminosos pedindo redução de velocidade no trecho onde ocorreu o acidente. Moradores que usam a rodovia diariamente esperam que a tragédia sirva de lembrete para condutores redobrarem a atenção e, assim, evitar novos registros nas estatísticas de 2026.
