China rastreia origem de 261 turistas desaparecidos após deslizamento no Himalaia

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    As autoridades chinesas confirmaram nesta domingo, 30, a nacionalidade de 261 estrangeiros que continuam desaparecidos no Tibete, três dias depois de um maciço deslizamento de terra atingir a fronteira montanhosa com o Nepal. O número de mortes provocadas pela tragédia já chega a 691, enquanto 3.044 pessoas seguem sem paradeiro conhecido nos dois lados da serra.

    O episódio — apontado por Pequim como o pior desastre transfronteiriço recente entre os dois países — foi desencadeado na manhã de 26 de agosto, quando o colapso de uma geleira liberou lama, rochas e água que despencaram encosta abaixo em direção ao condado tibetano de Gyirong, varrendo povoados inteiros em poucos minutos.

    Estrangeiros entre os desaparecidos

    De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da China, os estrangeiros vinham de 23 nações. A maior parte integrava grupos de trekking ou turismo religioso que costumam cruzar a fronteira nepalesa em direção ao planalto tibetano durante o verão no Hemisfério Norte.

    Principais nacionalidades afetadas

    • Nepal: 104 pessoas
    • Índia: 49
    • Letônia: 33
    • Estados Unidos: 18
    • Reino Unido: 15

    Diplomatas desses países foram acionados por Pequim para facilitar a troca de dados de passaporte e acelerar a eventual identificação de corpos. As famílias vêm sendo orientadas a fornecer material genético para a comparação com os restos mortais encontrados nos escombros.

    Escalada no número de vítimas

    Do lado chinês, 16 mortes foram confirmadas até agora em Gyirong, município encravado a mais de 2.800 metros de altitude. Outros 546 moradores locais continuam desaparecidos, segundo o governo regional do Tibete. No Nepal, a Autoridade Nacional de Gestão de Desastres contabiliza 675 óbitos e 2.498 pessoas fora de contato, além de mais de 7.500 resgatados em comunidades isoladas.

    Rastro de destruição

    Imagens de câmeras de segurança obtidas pela rede estatal chinesa mostram uma avalanche de lama e destroços avançando sobre construções em questão de segundos. Moradores correm para terrenos mais altos, mas muitos são alcançados pela enxurrada turva que arrasta veículos, telhados inteiros e postes de energia.

    Resgates sob ameaça de novas cheias

    As operações de busca empregam mais de 2.100 militares, bombeiros e voluntários chineses, além de equipes especializadas enviadas pelo Nepal. As patrulhas avançam entre encostas instáveis e rios com nível acima da média. Perturbações secundárias no leito dos afluentes do Trishuli obrigaram socorristas a interromper os trabalhos em diversos pontos e recuar para zonas seguras.

    A polícia nepalesa relatou que moradores foram orientados a deixar vilarejos em áreas de risco devido ao rápido aumento da vazão. As previsões meteorológicas indicam possibilidade de chuvas moderadas nas próximas 48 horas, o que mantém elevado o risco de novos desbarrancamentos.

    Causas apontadas por cientistas

    Pesquisadores chineses ligados ao Instituto de Glaciologia atribuem o colapso da geleira à instabilidade provocada pelo aquecimento global. Segundo eles, o aumento da temperatura média no planalto tibetano acelera o derretimento das camadas superficiais de gelo, gera acúmulo de água líquida nos poros e enfraquece a estrutura das montanhas.

    A emissora estatal CCTV destacou que o deslizamento é um alerta sobre o potencial de catástrofes semelhantes em cadeias montanhosas de alta altitude, onde o retrocesso glacial cria massas de sedimentos mal compactadas. Especialistas recomendam ampliar o monitoramento remoto por satélite e expandir estações sismográficas para emitir avisos antecipados a comunidades vulneráveis.

    Mobilização de recursos e cooperação

    Pequim liberou 220 milhões de yuans (aproximadamente US$ 32,7 milhões) para ações de emergência, incluindo salvamento, remoção de escombros, assistência médica e reconstrução inicial de estradas. Parte do montante financia a instalação de abrigos temporários equipados com mantas térmicas e suprimentos de primeira necessidade.

    Esforço conjunto

    O chanceler chinês, Wang Yi, conversou por telefone com seu homólogo nepalês para coordenar o trânsito de maquinário pesado, helicópteros e equipes caninas pelas passagens de fronteira. Autoridades dos dois países acertaram um protocolo único de identificação de vítimas, evitando sobreposição de registros e reduzindo o tempo de confirmação de parentesco.

    A Cruz Vermelha calcula que mais de 90 mil pessoas tiveram a rotina impactada pela tragédia, seja pela perda de parentes, de moradias ou de lavouras. A ONG distribui kits de higiene, comprimidos de purificação de água e lonas impermeáveis, enquanto avalia a necessidade de campanhas internacionais de doação.

    Perspectivas para os próximos dias

    Engenheiros chineses trabalham na liberação parcial da estrada Sino-Nepalesa, principal rota de escoamento de ajuda humanitária. A via continua bloqueada por pedras de até três toneladas, exigindo detonações controladas. Somente após a conclusão dessa etapa será possível escoar por terra grandes carregamentos de alimentos e barracas para as aldeias mais remotas.

    Embora o ritmo das buscas seja limitado pela altitude, o governo mantém a meta de localizar todos os desaparecidos antes que as chuvas de outono se intensifiquem na região. Enquanto isso, famílias aguardam notícias em centros de acolhimento montados em Katmandu e Lhasa, na esperança de que novos resgates vivos ainda sejam possíveis.

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    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.