Campanha de Lula pressiona Congresso por PECs do 6×1 e da Segurança Pública após avanço de Flávio Bolsonaro

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    O cerco eleitoral apertou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Pesquisas estaduais da Quaest, divulgadas na quarta-feira (26), registraram estabilidade nas intenções de voto do petista e pequeno, mas contínuo, avanço de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O resultado acendeu o sinal de alerta no comando da campanha governista, que decidiu investir todas as fichas em novas vitórias legislativas capazes de repercutir imediatamente na propaganda de rádio e TV.

    O plano passa por um esforço concentrado no Congresso, previsto para a próxima semana. A aposta é aprovar antes das urnas duas propostas de emenda à Constituição: a que extingue a escala de trabalho 6×1 e a PEC da Segurança Pública. Nos cálculos do Palácio do Planalto, a sanção desses textos geraria um “fato político” com potencial de reverter a inércia do presidente nos levantamentos de opinião.

    Pressão inédita sobre Senado e Câmara

    Para transformar a estratégia em realidade, Lula se reúne nesta quarta-feira com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O encontro busca acertar o rito de votação das duas PECs e, de quebra, agilizar a medida provisória que extingue a chamada “taxa das blusinhas”, ainda pendente de análise nas duas Casas.

    Integrantes da articulação política afirmam que há consenso quanto ao apelo popular do fim da escala 6×1, regime que obriga o trabalhador a folgar apenas um dia após seis consecutivos de expediente. “Se o Senado colocar em pauta, senadores que disputam reeleição terão dificuldade para votar contra”, admite um líder da oposição. O mesmo raciocínio vale para a PEC da Segurança Pública, apresentada como resposta ao aumento da criminalidade em grandes centros.

    Estratégia de calendário

    A liderança do governo pretende votar o texto na Câmara até o fim da próxima semana e, em seguida, encaminhá-lo ao plenário do Senado ainda dentro do chamado esforço concentrado. Caso o cronograma seja cumprido, Lula poderá sancionar as mudanças constitucionais antes do início da propaganda eleitoral em rede nacional, reforçando a narrativa de “entregas concretas” do terceiro mandato.

    Oposição tenta adiar, mas admite desgaste

    Partidos contrários ao Planalto trabalham para atrasar a tramitação, recorrendo a pedidos de vista e obstruções regimentais. Nos bastidores, porém, parlamentares reconhecem que a pressão das bases eleitorais — sobretudo sobre quem busca renovar o mandato — pode tornar a resistência insustentável. “Votar contra o trabalhador às vésperas da eleição não é confortável para ninguém”, resume um dirigente do PL.

    Retrato das urnas: números da Quaest

    O movimento de Lula em Brasília decorre diretamente dos últimos números divulgados pela Quaest:

    • São Paulo: Flávio Bolsonaro 30%, Lula 29%, Ronaldo Caiado 4%, Romeu Zema 3%, Renan Santos 3%.
    • Minas Gerais: Flávio Bolsonaro 31%, Lula 30%, Zema 7%, Caiado 3%, Renan Santos 3%.
    • Rio de Janeiro: Flávio Bolsonaro 31%, Lula 29%, Renan 2%, Caiado 2%, Zema 2%, Cury 1%.
    • Pernambuco (levantamento sobre o governo estadual): Raquel Lyra 44%, João Campos 36%.

    Os dados mostram empate técnico entre os principais concorrentes em três dos quatro maiores colégios eleitorais do país, com vantagem numérica para o senador do PL. Embora a margem de erro mantenha o quadro indefinido, a tendência de alta de Flávio reforçou a sensação de que o governo precisa “gerar agenda” para não ficar à mercê da dinâmica criada pela própria oposição.

    Quartel-general bolsonarista mira liderança até setembro

    Do outro lado, auxiliares de Flávio Bolsonaro afirmam que trackings internos já projetam empate no primeiro turno e vantagem sobre Lula nas simulações de segundo turno. A confiança se apoia na expectativa de herdar a maior parte dos votos dos demais candidatos de direita, o que explica a tática de evitar ataques a concorrentes do mesmo campo ideológico.

    Campanha sem fogo amigo

    Além de preservar pontes para apoios futuros, a equipe de Flávio calcula que o clima de “unidade conservadora” facilita a migração de eleitores indecisos. O senador tem reservado as críticas mais duras ao governo federal, enquanto destina apenas menções genéricas aos adversários que disputam nichos semelhantes. O objetivo é chegar a setembro exibindo vantagem sólida, condição considerada crucial para atrair adesões de partidos médios na reta final.

    Campanha de Lula pressiona Congresso por PECs do 6×1 e da Segurança Pública após avanço de Flávio Bolsonaro - Imagem do artigo original

    Imagem: Valdo Cruz

    Medida provisória contra a “taxa das blusinhas”

    Embora menos vistosa que as PECs, a MP que derruba a sobretaxa de importados de baixo valor também faz parte do pacote de anúncios que o Planalto quer empacotar para a propaganda eleitoral. O texto precisa ser aprovado em até 120 dias para não perder validade, mas a ideia do governo é finalizar a votação já no esforço concentrado, criando novo elemento de consumo popular na vitrine do presidente.

    Obstáculos regimentais

    A tramitação de MPs costuma começar pela Comissão Mista, instância onde a oposição detém força proporcionalmente maior que no plenário. Mesmo assim, interlocutores de Lula avaliam que, se houver acordo para votar direto no plenário, a medida deve passar com folga, uma vez que tributos sobre compras on-line geram forte rejeição entre eleitores de diferentes perfis sociais.

    Risco calculado

    Ao concentrar esforços em votações de alto impacto, Lula também assume riscos. Caso a oposição consiga emperrar as PECs ou derrubar a MP, o resultado será o oposto do desejado: a vitrine do governo ficará vazia e Flávio Bolsonaro terá discurso pronto para atacar a “inoperância” do Planalto. A análise é compartilhada inclusive por dirigentes petistas, razão pela qual o encontro com Alcolumbre e Motta tornou-se prioridade absoluta na agenda presidencial.

    Calendário eleitoral afunila

    O esforço legislativo coincide com a reta final do prazo de registro de candidaturas e a proximidade do horário eleitoral gratuito, o que eleva a temperatura nos corredores do Parlamento. Governistas e oposicionistas calculam cada voto com lupa, cientes de que qualquer tropeço ou vitória pode se refletir de forma imediata nas pesquisas.

    Próximos capítulos

    Se conseguir aprovar as PECs e a MP, Lula pretende iniciar a propaganda de rádio e TV exibindo a assinatura das novas leis, além de viagens pelo país para entregar carteiras de trabalho simbólicas a empregados beneficiados pelo fim da escala 6×1. O presidente também planeja visitar municípios com altos índices de violência para apresentar a PEC da Segurança Pública como resposta institucional ao problema.

    Já Flávio Bolsonaro monitora com lupa cada movimento no Congresso. A campanha avalia que qualquer revés do governo — seja por adiamento, seja por rejeição das propostas — reforçará a narrativa de que o Palácio do Planalto perdeu governabilidade e, portanto, precisa ser substituído. A meta é manter a ofensiva midiática nas redes sociais, onde o senador busca consolidar a imagem de “favorito” antes do primeiro debate televisivo.

    Entre manobras regimentais, reuniões de bastidor e projeções de pesquisas, o termômetro político indica que a próxima semana no Congresso pode redefinir o rumo da disputa presidencial de 2026. Se as PECs do 6×1 e da Segurança Pública passarem, Lula ganhará munição de peso. Caso contrário, a escalada de Flávio Bolsonaro tende a se tornar o principal fato novo da campanha.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.