O avanço da maré na Praia de São Marcos, em São Luís, obrigou o Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA) a alterar, já na noite deste sábado (15), o plano de busca pelo kitesurfista Alan Wesley Pinto Ribeiro, de 29 anos. Com a navegação comprometida, barcos e moto aquática foram recolhidos, e as equipes agora patrulham a faixa de areia enquanto aguardam a próxima vazante para retomar o rastreamento no mar.
Desde as primeiras horas do dia, quando a prancha e a pipa de Alan foram encontradas abandonadas perto da linha d’água, uma força-tarefa de 20 bombeiros, apoiada por drones, helicóptero e atletas do próprio esporte, varre a costa da capital maranhense. Até o início da madrugada, não havia sinal do praticante de kitesurfe.
Operação entra na madrugada
As buscas começaram por volta das 7h. Ao perceber o mar agitado e os ventos fortes, o comando do CBMMA mobilizou simultaneamente equipes em terra, mar e ar. Durante todo o dia, botes infláveis percorreram a orla, enquanto drones faziam varreduras em pontos onde a correnteza costuma empurrar objetos à deriva.
Suspensão temporária de embarcações
Próximo ao pôr do sol, a maré alcançou o pico previsto para o período, elevando o nível da água e aumentando a velocidade das correntes. Segundo o comandante da corporação, coronel Célio Roberto, esse cenário impõe risco à tripulação e reduz a eficácia dos botes. “Com a onda de enchente, o deslocamento fica lento e a visibilidade cai. Optamos por manter efetivo em terra, iluminando a praia e ampliando o raio de monitoramento assim que a maré baixar”, explicou.
Drones mantêm vigilância constante
Mesmo com as limitações no mar, dois drones de alta autonomia continuam sobrevoando a área. As câmeras térmicas instaladas nos equipamentos ajudam a detectar possíveis fontes de calor na superfície da água ou em áreas de restinga próximas, especialmente úteis depois do anoitecer.
Logística e recursos empregados
A força-tarefa inclui:
- 20 bombeiros distribuídos em revezamento;
- duas viaturas de apoio na orla;
- um helicóptero compartilhado com o Centro Tático Aéreo (CTA);
- três botes infláveis, uma moto aquática e prancha de resgate;
- dois drones com visão noturna.
Além do aparato oficial, cerca de dez praticantes de kitesurfe experientes se ofereceram para auxiliar, aproveitando o conhecimento que têm sobre correntes e ventos da região.
Condições adversas
Os ventos que atraem atletas de vela e kitesurfe para a Praia de São Marcos também dificultam o trabalho de busca. Rajadas intensas alteram rapidamente o estado do mar, gerando ondas altas e redemoinhos de areia que prejudicam a visibilidade das equipes em terra.

Imagem: kitesurfista desaparecido no Maranhão
Maré influencia tempo de resposta
De acordo com oceanógrafos consultados pelo comando local dos bombeiros, a faixa litorânea de São Luís registra uma das maiores amplitudes de maré do país. Na tábua deste sábado, o intervalo entre a maré baixa da madrugada e o pico noturno ultrapassou seis metros. Esse sobe-e-desce muda o ponto onde correntes se encontram e pode arrastar uma pessoa quilômetros além da área inicial de desaparecimento.
Mobilização de familiares e apoio psicológico
Familiares e amigos de Alan permanecem na praia desde o início da manhã, acompanhando cada nova atualização. O CBMMA deslocou uma psicóloga da corporação para prestar atendimento próximo ao posto avançado montado em frente a um dos bares da orla. A profissional também auxilia na coleta de informações que possam orientar as buscas, como o tempo de experiência do esportista e rotas que ele costumava percorrer.
Quem é o atleta desaparecido
Alan Wesley Pinto Ribeiro pratica kitesurfe há cerca de cinco anos. Morador de São Luís, ele costuma treinar nos fins de semana na Praia de São Marcos, ponto conhecido pela constância dos ventos entre julho e dezembro. Segundo amigos, o jovem havia adquirido recentemente o equipamento encontrado na areia, o que poderia indicar que ele ainda estava se adaptando a novas configurações de prancha e pipa.
Hipóteses em análise
Embora as circunstâncias exatas do desaparecimento permaneçam sob investigação, bombeiros trabalham com duas vertentes principais: possível queda do atleta após manobra em área profunda ou falha no engate da trapézio, levando à perda de tração e deriva da pipa. Ambas as linhas consideram o achado simultâneo da prancha e da vela na areia, sinal de que o conjunto foi arrastado pela correnteza antes de a maré subir.
Próximos passos
Com a previsão de maré mais baixa nas primeiras horas da manhã de domingo (16), as embarcações voltarão ao mar. A prioridade será varrer os trechos onde a corrente tende a depositar objetos durante a vazante. A partir dali, drones e helicóptero avançarão para área mais externa, apoiados por mergulhadores caso haja indícios de submersão.
O Corpo de Bombeiros reforça que as buscas prosseguirão de forma ininterrupta até que o kitesurfista seja localizado. Novos boletins serão divulgados ao longo do domingo.
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