A noite de sexta-feira (28) no “Gran Hermano: Generación Dorada”, versão argentina do reality, terminou com câmeras desligadas e clima de crise. A produção decidiu expulsar a brasileira-paraguaia Steffany Pereira, a “Campanita”, depois de uma discussão que evoluiu para empurrões dentro da casa. Minutos depois, outra confinada, a chilena Danelik Galazán, recebeu o mesmo veredicto.
A decisão provocou resistência inédita no programa: Steffany trancou-se no confessionário, chorou diante das câmeras e passou quase uma hora repetindo que não sairia “de jeito nenhum”. Só deixou o estúdio quando seguranças atravessaram a porta principal e a escoltaram para fora, enquanto os demais participantes assistiam em silêncio.
Como a confusão começou
De acordo com imagens exibidas ao vivo, a briga teve origem na manhã daquela sexta. Steffany percebeu que seu kit de maquiagem havia sumido do quarto coletivo e, irritada, decidiu tirar fotografias dos filhos de colegas de jogo — entre elas Solange Abraham e Jennifer Pincoya Galvarini — que estavam fixadas na parede. A atitude foi entendida como provocação direta.
De provocações a empurrões
Ao notar a retaliação, Danelik Galazán confrontou a brasileira em tom áspero. A discussão escalou rapidamente: xingamentos em português, espanhol e guarani ecoaram pela sala. Quando os berros deram lugar a empurrões, a produção cortou o áudio ambiente, uma prática adotada pelo formato para evitar veiculação de conteúdo violento. Momentos depois, o apresentador apareceu em rede nacional para informar a decisão pela expulsão das duas envolvidas.
Quem é Steffany Pereira
Nascida em Foz do Iguaçu (PR), fronteira do Brasil com o Paraguai, Steffany tem dupla nacionalidade graças à mãe brasileira e ao pai paraguaio. Com apenas seis anos foi morar no país vizinho, onde passou a infância e boa parte da adolescência. O retorno ao Brasil aconteceu na fase universitária, quando ingressou em Publicidade e Propaganda. Nas redes, ela se autodenomina “brasiguaia” e costuma misturar os três idiomas que domina — português, espanhol e guarani — em lives e postagens.
A trajetória no reality
Campanita entrou no “Gran Hermano” como participante convidada e logo virou protagonista de memes por causa dos bordões trilingues, do temperamento explosivo e de cenas em que dançava ou cantava para as câmeras. Em menos de um mês de confinamento, esteve no topo dos temas mais comentados do X (antigo Twitter) na Argentina e no Paraguai, atraindo ainda o público brasileiro curioso pela presença de uma conterrânea no programa estrangeiro.
Decisão dos produtores e resistência da participante
Segundo nota lida ao vivo pelo apresentador, o regulamento do “Gran Hermano” prevê expulsão imediata quando há contato físico agressivo. Após rever as imagens, a equipe concluiu que Steffany e Danelik cruzaram essa linha. Notificada, a brasileira chorou, alegou injustiça e manteve o discurso de que havia sido provocada. “Não vou embora de jeito nenhum”, repetiu, sentada no chão do confessionário.
Segurança acionada
Com a recusa prolongada, a direção chamou seguranças que, já sem transmissão ao vivo, entraram na casa para conter a participante. Os demais confinados foram orientados a permanecer no jardim até o término da operação. Relatos internos apontam que Steffany deixou o estúdio sem maiores incidentes, mas abalada, prometendo “contar tudo aqui fora”.

Imagem: Internet
Repercussão dentro e fora da casa
A saída da brasiguaia dividiu opinião na internet. Parte dos internautas celebrou a firmeza da produção contra episódios de violência, lembrando casos anteriores em que expulsões levaram dias para ocorrer. Outro grupo considerou a punição desproporcional, porque a confusão começou com o desaparecimento do material de maquiagem.
Mesa-redonda em redes sociais
- No X, a hashtag #JustiçaParaCampanita chegou aos trending topics argentinos poucas horas após o anúncio;
- Fãs paraguaios criticaram o que chamaram de “xenofobia velada” dentro do programa;
- No Brasil, influenciadores de reality analisaram a cena ao vivo em transmissões paralelas, apontando que a briga era previsível pelo histórico explosivo das duas envolvidas.
Legado polêmico, mas marcante
Mesmo fora da disputa pelo prêmio, Steffany deve continuar presente na narrativa da temporada. Bordões como “No me provoques, amor” e “Tamo junto, hermanitos” já circulam em vídeos de compilação. A direção do “Gran Hermano” não confirmou se pretende convocá-la para o debate final do programa, tradição em que ex-participantes retornam ao estúdio para relembrar os momentos mais tensos.
O que ainda pode acontecer
Nas redes pessoais, agora públicas de novo, a equipe que administra os perfis de Campanita promete lives explicativas assim que ela reassumir o controle. Também estuda acionar juridicamente a produção por “danos morais”, alegação levantada pela família nos stories. A emissora, por sua vez, reforçou em comunicado curto que “todas as regras estavam claras desde o início” e que “qualquer manifestação posterior é direito individual dos participantes”.
Realities em debate
O episódio reaviva um questionamento comum aos realities de confinamento: qual o limite entre entretenimento e exposição de comportamentos potencialmente perigosos? Para espectadores argentinos e brasileiros, a fronteira se desloca a cada temporada. Enquanto alguns pedem vigilância mais rigorosa, outros defendem que os realities apenas refletem tensões sociais que já existem fora das telas. No caso de Steffany Pereira, a mistura de culturas, idiomas e personalidades tornou-se combustível adicional para a chama da discórdia — e para a audiência.
Por ora, o jogo segue sem Campanita, mas com um rastro de discussões que promete influenciar votações futuras e a percepção do público sobre os remanescentes. Se a brasiguaia pretendia deixar sua marca, conseguiu: ela saiu escoltada, mas entrou de vez na história do “Gran Hermano” como um dos nomes mais barulhentos da chamada “Geração Dourada”.
