Bancários fecham agências em Sorocaba e região após rejeitarem proposta de reajuste

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    Portas fechadas, atendimento interno suspenso e somente os caixas eletrônicos funcionando: foi esse o cenário encontrado pelos clientes de bancos em Sorocaba e cidades vizinhas na manhã desta quinta-feira (20). A categoria aderiu a uma paralisação nacional de 24 horas depois de rejeitar a mais recente oferta de reajuste salarial apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).

    Segundo o Sindicato dos Bancários de Sorocaba e Região, a mobilização atinge agências de municípios como Itu, Salto, Itapetininga e Itapeva, além da própria Sorocaba. A greve de um dia tem o objetivo de pressionar os bancos a reverem uma proposta que, na avaliação dos trabalhadores, não protege o poder de compra nem reconhece a responsabilidade de quem sustenta os lucros recordes do setor.

    Como fica o atendimento

    Durante as 24 horas de paralisação, as agências que aderiram ao movimento não realizam operações presenciais como abertura de contas, atendimento na mesa comercial ou serviços de caixa. Apenas os terminais de autoatendimento permanecem abertos ao público, o que garante a realização de saques, depósitos e pagamentos pelo painel eletrônico.

    A interrupção atinge sobretudo as atividades internas de processamento e acolhimento de clientes, já que os bancários que atuam no interior das dependências cruzam os braços. Para quem necessita de atendimento humano presencial, a orientação é remarcar ou buscar os canais digitais dos bancos. Não há, contudo, registro de piquetes em frente às agências nem bloqueio ao acesso dos consumidores aos caixas eletrônicos.

    Cidades mobilizadas

    • Sorocaba
    • Itu
    • Salto
    • Itapeva
    • Itapetininga

    A abrangência regional foi confirmada pelo presidente do sindicato local, Ricardo dos Santos Filho, que passou a manhã nas ruas conversando com funcionários e consumidores. Segundo ele, a adesão “mostra que a categoria quer ser ouvida” e que ninguém aceita parar “sem um motivo justo”.

    O que provocou a greve

    A mobilização desta quinta-feira é fruto direto da sétima rodada da Campanha Nacional dos Bancários 2026, realizada em 13 de agosto. Na ocasião, a Fenaban não apresentou o índice de reajuste que havia prometido discutir, limitando-se a defender um aumento escalonado em três faixas salariais. Além disso, propôs dividir da mesma forma o reajuste dos vales-alimentação e refeição e manter congelado o piso de ingresso na carreira.

    Para o movimento sindical, essa composição fragmenta a correção salarial, penaliza quem ganha menos e engessa o futuro dos novos contratados. A falta de um índice de reposição integral da inflação também é vista como recuo frente às negociações anteriores.

    Diante do impasse, o Comando Nacional dos Bancários convocou assembleias em todo o país. Em Sorocaba, 87% dos participantes votaram pela paralisação de um dia, deliberada na noite de segunda-feira (17). A data foi escolhida para coincidir com o calendário de mobilizações de outras bases e ampliar a pressão sobre os bancos.

    Pontos rejeitados pela categoria

    1. Reajuste salarial fracionado em três faixas de renda.
    2. Mesma lógica escalonada para vales-alimentação e refeição.
    3. Congelamento do piso de ingresso, sem perspectiva de correção.

    “Queremos uma proposta digna, que valorize quem trabalha e faz o resultado dos bancos”, afirmou Ricardo dos Santos Filho. Ele ressalta que o setor financeiro acumula lucros bilionários e, por isso, teria condições de oferecer um reajuste superior ao sugerido até agora.

    Posicionamento dos bancos

    A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que recebeu em 24 de junho a pauta de reivindicações dos trabalhadores e que as discussões seguem o cronograma previsto. Em nota, a entidade disse esperar “chegar a um entendimento satisfatório para ambas as partes”, mas não detalhou se haverá nova proposta ainda nesta semana.

    Embora a paralisação dure apenas um dia, o movimento sindical não descarta ampliar a greve caso as negociações não avancem. Uma nova assembleia poderá ser convocada, e a decisão dependerá da postura da Fenaban na próxima mesa de diálogo a ser marcada.

    Calendário de negociação

    A Campanha Nacional dos Bancários costuma se estender pelos meses que antecedem a data-base da categoria, em 1º de setembro. Até agora, foram realizadas sete rodadas formais, sem consenso sobre:

    • Índice de reajuste para salário e verbas fixas
    • Reposição de perdas inflacionárias dos últimos 12 meses
    • Recomposição dos benefícios de alimentação e refeição
    • Manutenção ou ampliação dos direitos previstos na convenção coletiva

    As informações do sindicato apontam para forte mobilização local, mas o impacto financeiro sobre os bancos ainda não foi estimado. Historicamente, paralisações curtas provocam retenções pontuais no fluxo de atendimento, sem comprometer a liquidez das instituições.

    O que pode acontecer a seguir

    Se a Fenaban apresentar nova proposta que contemple reposição integral da inflação ou formato de reajuste linear para todos os níveis salariais, a categoria pode voltar às agências normalmente já nesta sexta-feira (21). Caso contrário, o comando de greve indicará novos protestos e não descarta paralisações prolongadas.

    O Sindicato dos Bancários de Sorocaba e Região manteve equipes de plantão para orientar trabalhadores e clientes sobre os próximos passos. Nas redes sociais, a entidade divulga boletins a cada atualização do processo negocial.

    Até o fim da tarde desta quinta, não havia registro de confrontos nem de medidas judiciais contra o movimento. A Justiça do Trabalho pode ser acionada se houver alegação de descumprimento de acordo coletivo ou necessidade de garantir serviços essenciais, mas essa hipótese não foi levantada pelos bancos até o momento.

    A categoria e as instituições financeiras têm histórico de acordos de última hora, geralmente fechados perto da data-base. Por ora, os bancários reiteram que o objetivo não é prolongar a greve, mas forçar a retomada de uma mesa de negociação considerada “produtiva” pelos trabalhadores.

    Enquanto aguardam avanços, os consumidores precisam redobrar o uso de aplicativos, internet banking e caixas eletrônicos. Caso a paralisação se estenda, contas com vencimento próximo podem ser pagas nesses canais sem incidência de multa, desde que respeitados os horários de compensação divulgados pelos próprios bancos.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.