Alter do Chão sedia dois dias de debates sobre cultura, democracia e meio ambiente na Amazônia

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    Alter do Chão, em Santarém (PA), será transformada em fórum de debates sobre o futuro da Amazônia nos dias 6 e 7 de agosto. O encontro “Diálogos Amazônicos: Cultura, Meio Ambiente e Democracia” promete colocar frente a frente lideranças indígenas e ribeirinhas, pesquisadores, artistas e agentes culturais para discutir como as políticas públicas podem fortalecer tradições, proteger a floresta e ampliar a participação popular nas decisões que afetam o território.

    Com entrada gratuita na Casa Regatão, a programação de 8h às 17h30 foi pensada para responder aos desafios mais urgentes da região: mudanças climáticas, valorização dos saberes ancestrais e acesso desigual a incentivos governamentais. A expectativa dos organizadores é que a troca de experiências gere propostas concretas para municípios do Baixo Amazonas, reforçando a ideia de que cultura e meio ambiente não se separam quando o assunto é desenvolvimento sustentável.

    Encontro mira políticas culturais e fortalecimento comunitário

    Idealizado pelo Instituto Regatão Amazônia, o evento quer mostrar, em linguagem acessível, como decisões públicas influenciam o cotidiano de cada comunidade. Segundo a diretora executiva da entidade, Marlena Soares, a iniciativa não se limita a análises técnicas; o foco é aproximar a população do debate sobre orçamento cultural, democracia participativa e proteção ambiental, reforçando que “política” vai além do ciclo eleitoral.

    Para isso, o primeiro dia começa com um ritual conduzido por lideranças tradicionais, sinal de que o diálogo parte do reconhecimento dos modos de vida amazônicos. Em seguida, a roda “Organização Comunitária e Território” discute desafios de aldeias, ilhas e comunidades ribeirinhas que, apesar de realidades distintas, compartilham a luta por regularização fundiária, acesso a serviços essenciais e preservação de seus espaços sagrados.

    Entre os painéis, ganha destaque o debate sobre o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e sua conexão com a agricultura familiar local. A proposta é demonstrar como a compra institucional de produtos da sociobiodiversidade pode gerar renda, estimular o plantio de espécies nativas e garantir uma alimentação de qualidade aos estudantes.

    Casos inspiradores na pauta

    • Experiência do Festival da Catraia, em Santarém, que movimenta turismo cultural e economia criativa.
    • Rede de Culturas da Sociobiodiversidade, iniciativa que integra produtores de artesanato, alimentos e fitoterápicos.
    • Mapeamento dos Pontos de Cultura do Baixo Amazonas, instrumento que revela onde estão e como atuam grupos comunitários na região.

    À noite, o Cineclube Regatão exibe produções locais, reforçando a premissa de que o audiovisual regional é ferramenta de memória e mobilização social. A sessão também favorece o encontro de gerações de realizadores, do cinema indígena às produções urbanas.

    Programação destaca saberes tradicionais e juventude

    O segundo dia mergulha em práticas culturais presentes no cotidiano amazônico, começando pela roda “A Tradição de Pagar Visita”. O costume, baseado em hospitalidade e troca de experiências, inspira reflexões sobre pertencimento e redes de solidariedade que sustentam antigas e novas comunidades.

    Na sequência, jovens de diversos municípios analisam seu papel na construção de políticas públicas. A proposta é ir além do discurso de “futuro da nação” e reconhecer a juventude como protagonista de iniciativas de inovação social, comunicação digital e defesa ambiental. Relatos de adolescentes que articulam coletivos culturais, podcasts e campanhas de reflorestamento prometem ganhar espaço.

    Outro ponto alto é o lançamento da coletânea “Regatão das Amazônias”, publicação que reúne artigos, fotografias e relatos etnográficos sobre a pluralidade cultural da região. O material será disponibilizado para escolas públicas e bibliotecas comunitárias, fortalecendo a difusão de conhecimento produzido na própria Amazônia.

    O encerramento, conduzido pelas DJs Lívia Borari e Miranha, traduz em música a fusão de referências indígenas, eletrônicas e tradicionais. Além de celebrar o encontro, o baile reafirma que a cultura contemporânea da Amazônia se reinventa sem romper laços com suas raízes.

    Propostas em construção

    1. Elaboração de uma carta de recomendações para ampliar o orçamento cultural em municípios do Baixo Amazonas.
    2. Criação de plataforma digital colaborativa para divulgar editais, leis de incentivo e cursos de gestão cultural.
    3. Formação de um grupo de trabalho sobre compras públicas de produtos da sociobiodiversidade.

    Essas sugestões deverão ser sistematizadas ao final do evento e encaminhadas a prefeituras, câmaras municipais e órgãos federais, fortalecendo a atuação em rede.

    Mostra Pontão de Cultura amplia troca de experiências

    Paralelamente às rodas de conversa, a Mostra Pontão de Cultura ocupa salas e pátios da Casa Regatão com exposições fotográficas, feira de produtos da sociobiodiversidade, publicações e um espaço infantil inspirado nos rios amazônicos. Pontos e Pontões de Cultura exibem resultados de projetos que vão de bibliotecas boatinas a oficinas de arte urbana em comunidades ribeirinhas.

    A mostra pretende, ainda, promover interações entre visitantes de Alter do Chão e representantes de municípios vizinhos, estimulando parcerias para circulação de espetáculos, feiras de leitura e residências artísticas. A lógica é simples: cada iniciativa que se fortalece ajuda a criar um cinturão de proteção cultural em torno da floresta, contribuindo para manter populações em seus territórios e frear pressões externas.

    Exposições em destaque

    • Marés de Saberes – Fotografias sobre as escolas ribeirinhas que utilizam o rio como itinerário de aprendizagem.
    • Arte do Barro – Peças produzidas por ceramistas indígenas que retratam mitos e animais da várzea.
    • Cidade Floresta – Mural coletivo pintado ao vivo por grafiteiros de Santarém, Óbidos e Juruti.

    A curadoria aposta em formatos interativos. Haverá uma “roda de toadas” para quem quiser aprender os ritmos do carimbó e um balcão de trocas de sementes nativas, reforçando o vínculo entre produção cultural e conservação ambiental.

    Serviço

    Diálogos Amazônicos: Cultura, Meio Ambiente e Democracia + Mostra Pontão de Cultura

    Data: 6 e 7 de agosto de 2026

    Horário: 8h às 17h30

    Local: Casa Regatão – Travessa Pedro Teixeira, 706, Alter do Chão, Santarém (PA)

    Entrada: gratuita

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    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.