Em meio a uma crise de credibilidade, o Banco Master contratou o escritório de advocacia Barci de Moraes, ligado à família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, para avaliar os riscos de captar recursos de Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) — fundos que administram as aposentadorias de servidores estaduais e municipais.
O parecer, assinado em julho de 2024 por três advogadas do escritório — entre elas uma filha e uma cunhada do ministro — concluiu que a instituição financeira estava habilitada a receber aportes de RPPS, mas ressaltou riscos de corrupção, conflito de interesses e descumprimento administrativo. O documento foi obtido com exclusividade pelo portal Metrópoles.
Operações da PF e situação do banco
Nos últimos meses, a Polícia Federal deflagrou pelo menos quatro operações que investigam aplicações suspeitas de RPPS em letras financeiras e fundos do Banco Master. A maior delas mira aportes de R$ 3,6 bilhões do Rioprevidência e incluiu buscas em endereços do ex-governador fluminense Cláudio Castro (PL).
Procurados, o escritório Barci de Moraes e o ministro Alexandre de Moraes não comentaram.
Consultoria em meio à pressão do mercado
A solicitação do parecer partiu de Fabio de Souza Castanheira, então superintendente de compliance do Master. Naquele período, a Caixa Econômica Federal havia barrado a compra de R$ 500 milhões em letras financeiras do banco, citando papéis considerados atípicos e de alto risco.
O escritório chefiado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF, firmou em fevereiro de 2024 um contrato de R$ 129 milhões com o banco. Entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, o Master declarou pagamentos que somam R$ 80,2 milhões à banca, em 22 parcelas mensais de R$ 3,6 milhões. A intervenção do Banco Central na instituição ocorreu em novembro de 2025.
Captação de RPPS
Quando a consulta foi feita, o Master já havia se credenciado para receber recursos dos regimes de previdência do Rio de Janeiro (Rioprevidência) e dos municípios de Cajamar (SP) e Maceió (AL), além de manter tratativas com Campo Grande (MS), Paulista (SP) e Osasco (SP). À época, apenas um funcionário cuidava desse segmento, que depois garantiria aportes bilionários.
Imagem: Internet
As compras de letras financeiras do banco por fundos previdenciários ocorreram entre outubro de 2023 e dezembro de 2024. Segundo o Ministério Público Federal, o dinheiro captado junto aos RPPS foi fundamental para sustentar o Master após o veto da Caixa.
Parecer e recomendações
No documento, o escritório destacou que o banco se enquadrava na categoria S3 do Banco Central, o que o habilitava a captar recursos de RPPS. Mesmo assim, enfatizou a necessidade de controles rigorosos por envolver valores públicos destinados a aposentadorias e pensões.
Para mitigar riscos, o parecer recomendou a criação de políticas internas específicas, treinamentos, definição clara de responsabilidades, reforço nos controles de compliance e monitoramento permanente das operações.
Com informações de Metrópoles
