Brasília – O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), manifestou insatisfação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a divulgação de um vídeo, no início de junho, em que o chefe do Executivo declara apoio à reeleição do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB). Veneziano concorre à única vaga ao Senado pela Paraíba contra Nabor Wanderley (Republicanos), pai de Motta.
Segundo interlocutores próximos, o deputado considerou o gesto inesperado e “mal cronometrado”, porque ocorreu antes do início oficial da campanha. Motta, que tem atuado para segurar pautas-bomba e facilitar a tramitação de matérias de interesse do Planalto na Câmara, disse a aliados que faltou cuidado da equipe presidencial e classificou a gravação como “ato de desespero” do adversário.
Reclamações sobre espaço no governo
Motta também aponta falta de retorno em indicações para cargos federais e no Judiciário. No fim de 2025, ele foi avalista da nomeação de Gustavo Feliciano para o Ministério do Turismo, mas, desde então, reclama de demora em outras demandas. Exemplo recente foi a escolha do desembargador Sergio Torres Teixeira para o Tribunal Superior do Trabalho (TST); o parlamentar defendia a desembargadora Herminegilda Leite Machado, do TRT-13, da Paraíba. Agora, trabalha por um nome no Tribunal Regional Eleitoral do estado.
Aliança útil, mas frágil
Mesmo contrariado, Motta não sinaliza romper com o Planalto. Governistas reconhecem a ajuda do deputado em temas como a PEC que extingue a jornada 6×1, prioridade de Lula aprovada na Câmara em maio, além da proposta sobre minerais críticos e da PEC da Segurança Pública. Ele também negocia a renegociação de dívidas rurais para reduzir impacto fiscal.
Por outro lado, Motta instalou comissão especial para analisar a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, pauta que o governo preferia adiar para evitar desgaste eleitoral. Assessores do Planalto veem nisso a estratégia do presidente da Câmara de alternar movimentos favoráveis ao Executivo e à oposição, já que foi eleito com apoio que vai do PT ao PL.
Imagem: Cristiano Mariz
Planos do Planalto
Palacianos afirmam que a insatisfação pode ser contornada. Integrantes da coordenação da pré-campanha de Lula dizem que tanto Motta quanto seu pai integram o arco de alianças do presidente e que novos gestos de valorização estão em estudo. A interlocução tem ocorrido em reuniões semanais entre o deputado e ministros como José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) e Dario Durigan (Fazenda). O Executivo também acelerou o pagamento de emendas parlamentares, medida elogiada por Motta.
Com o distanciamento entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), após a rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, o governo vê em Motta um aliado essencial para destravar projetos no Congresso. Mesmo assim, o deputado repete a interlocutores que a palavra que define hoje sua relação com o Planalto é “chateação”.
Com informações de O Globo
