São Paulo – A Europa Filmes confirmou que “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, será lançada apenas após o segundo turno das eleições presidenciais. A estreia está prevista para a partir de novembro, em pelo menos 650 salas de cinema, com 99% das cópias dubladas.
De acordo com o diretor-geral da distribuidora, Wilson Feitosa, a decisão busca evitar questionamentos da Justiça Eleitoral. “Qualquer pessoa acharia imoral lançar durante a campanha. Meu acordo com a produtora Go Up Entertainment é não estrear antes das eleições”, afirmou.
Previsão de público
Feitosa traça três cenários para o desempenho de bilheteria:
- Pessimista: 800 mil espectadores, repetindo o resultado de “Lula, o Filho do Brasil”.
- Realista: entre 1,5 milhão e 2 milhões de ingressos.
- Otimista: acima de 2 milhões, marca atingida por poucos longas nacionais no pós-pandemia.
Com 90 minutos de duração, o filme poderá ter mais sessões diárias, o que, segundo o executivo, pode favorecer a arrecadação.
Resistência das redes de cinema
Grandes exibidores demonstraram receio de programar o título, temendo baixo público e possíveis confrontos entre eleitores de Bolsonaro e do ex-presidente Lula. “Vou conversar com todos. É possível que haja reações de todos os lados”, reconheceu Feitosa.
Produção e conteúdo
O longa, financiado por R$ 61 milhões — aporte atribuído ao banqueiro Daniel Vorcaro, articulado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — reconstitui, entre outros episódios, o atentado a faca sofrido por Jair Bolsonaro em Juiz de Fora (MG), em 6 de setembro de 2018. Um trailer em inglês já circula; a versão brasileira deve ser divulgada nos próximos dois meses, possivelmente ainda durante o período eleitoral.
Imagem: Reprodução
Feitosa insiste que a obra não é peça de propaganda. “Quero que seja um filme humano, sensível. Se alguém tirar proveito político depois, não é problema meu”, declarou. Ele também afirmou que não buscará a campanha de Flávio Bolsonaro para discutir divulgação, mas reconheceu que uma eventual vitória do senador poderia impulsionar a promoção do filme.
Antecedentes com a Justiça Eleitoral
Nas eleições de 2022, o Tribunal Superior Eleitoral suspendeu a exibição do documentário “Quem Mandou Matar Jair Bolsonaro?”, produzido pela Brasil Paralelo, às vésperas do segundo turno. A Europa Filmes pretende evitar situação semelhante com “Dark Horse”.
Feitosa, que já distribuiu “O Menino Maluquinho”, “Lula, o Filho do Brasil” e títulos como “A Bruxa de Blair”, nega rótulos partidários: disse ter votado em Dilma Rousseff em 2014 e em Jair Bolsonaro em 2018. “Nunca fui nem esquerda nem direita. Não sou bolsonarista”, declarou.
Com informações de O Globo