O Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) tornou-se peça-chave na cadeia agrícola brasileira, ao permitir a secagem imediata de grãos recém-colhidos e o controle de temperatura em diversas atividades do campo. Segundo o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), o mercado nacional movimenta cerca de 7,7 milhões de toneladas do combustível por ano, parte delas destinada diretamente às propriedades rurais.
Grãos, café e proteína animal
A projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica que a safra 2025/26 deve alcançar 358,6 milhões de toneladas. Antes de chegar aos silos, grande parcela dessa produção passa por secadores alimentados a GLP, que reduzem a umidade e evitam proliferação de fungos, quebra de grãos e perda de qualidade. O mesmo princípio vale para o café: tanto a secagem quanto a torra dependem de chama estável, obtida nos equipamentos a gás.
Na produção animal, o papel do GLP também é decisivo. Em 2025, o Brasil registrou o abate de 6,69 bilhões de frangos, recorde apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nos primeiros dias de vida, pintinhos exigem aquecimento constante, fornecido por sistemas a gás que mantêm temperatura uniforme nos galpões sem emissão de fumaça. Já na pecuária leiteira, responsável por 27,51 bilhões de litros de leite cru enviados a laticínios no mesmo ano, o desafio é inverso: o combustível alimenta resfriadores que baixam rapidamente a temperatura do produto após a ordenha.
Capilaridade em regiões remotas
Estados como Mato Grosso, responsável por 32% da produção nacional de grãos, dependem da logística viária para receber o combustível. Por ser estocável em tanques na propriedade e transportado por estrada, o GLP chega a áreas onde outras fontes de energia têm alcance limitado. De acordo com o Sindigás, a rede que sustenta essa distribuição reúne 19 distribuidoras, 182 bases de envase e cerca de 59 mil revendedores em todo o território brasileiro.
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Da fazenda ao fogão
Além do campo, o mesmo gás impulsiona fornos de padarias, processos industriais e os fogões de milhões de residências. A cadeia mantém mais de 330 mil empregos diretos e indiretos, segundo o sindicato do setor, ligando bases de distribuição a silos, granjas, laticínios e cozinhas em todo o Brasil.
Com informações de Metrópoles
