Flávio Bolsonaro prolonga estadia em Washington para intensificar lobby contra sobretaxa de 25% a produtos brasileiros

    0

    O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) decidiu permanecer em Washington por mais um dia a fim de realizar reuniões reservadas com integrantes ligados ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e a outros setores do governo Donald Trump. O objetivo é reforçar a ofensiva contra a proposta de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre mercadorias brasileiras, cuja decisão final está prevista para 15 de julho.

    A mudança de planos ocorreu após a audiência pública promovida pelo USTR, realizada na terça-feira (8). Em vídeo divulgado poucas horas depois de deixar o evento, o parlamentar informou ter cancelado a agenda que cumpriria na quinta-feira em Pernambuco para aprofundar a articulação na capital norte-americana. “É muito importante mais reuniões que vamos ter aqui para tentar convencer o governo americano”, afirmou.

    Segundo auxiliares da campanha, pelo menos três encontros fechados serão realizados nesta quarta-feira (9). A avaliação interna é de que, superada a fase pública do processo, este é o momento de reiterar, de forma direta, os argumentos apresentados na audiência e manter o canal de diálogo aberto até o fim da investigação comercial.

    Atuação na audiência

    Flávio Bolsonaro foi o primeiro a falar no oitavo painel da sessão do USTR, dividido com o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) Roberto Azevêdo, a representante da Abicalçados, Letícia Sperb Masselli, o presidente da Footwear Distributors and Retailers of America (FDRA), Matt Priest, e Peter Gerberich, da Gerberich LLC.

    Em apresentação de cinco minutos, o senador pediu o cancelamento das tarifas, a preservação do sistema Pix e a abertura de negociação bilateral entre Brasil e Estados Unidos. Também inseriu temas políticos, criticou decisões do Supremo Tribunal Federal, alegou perseguição judicial a seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e relacionou a investigação a casos de corrupção como mensalão e Operação Lava-Jato.

    Questionado por representantes do USTR sobre opções para pressionar o Brasil sem recorrer a sobretaxas, respondeu que Washington dispõe de “instrumentos direcionados” a indivíduos e argumentou que um novo tarifaço poderia, na prática, fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    Documento e repercussão

    A audiência ocorreu dias depois de Flávio encaminhar ao governo americano um parecer de 86 páginas propondo adiar a vigência das tarifas enquanto durassem as negociações. O Palácio do Planalto interpretou o gesto como tentativa de empurrar a decisão para depois das eleições de 2026, versão que a equipe do senador considera ter revertido durante a sessão pública.

    Aproximação com Trump

    A estada prolongada dá sequência ao canal aberto no fim de maio, quando Flávio foi recebido por Donald Trump na Casa Branca em agenda articulada por Eduardo Bolsonaro, Paulo Figueiredo e interlocutores ligados ao secretário de Estado, Marco Rubio. Na ocasião, trataram de segurança pública e relações bilaterais. Dias após a visita, o governo dos EUA incluiu PCC e Comando Vermelho na lista de organizações terroristas, pauta defendida pelo senador.

    Aliados esperam que, caso a administração Trump recue total ou parcialmente da cobrança adicional, Flávio possa atribuir à sua atuação parte do resultado. O retorno ao Brasil está previsto para quinta-feira (10). A passagem por Pernambuco foi adiada, mas compromissos de pré-campanha no Ceará, na sexta-feira (11), permanecem confirmados.

    Com informações de O Globo

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.