Washington (EUA) – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência em 2026, solicitou nesta terça-feira (7) a revogação da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros proposta pelo governo Donald Trump. O pedido foi feito durante audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), etapa final da investigação comercial aberta contra o Brasil.
Em exposição de cerca de cinco minutos, a portas fechadas, o parlamentar alegou que o momento eleitoral brasileiro torna a adoção da tarifa “o pior possível” e reforçou que uma sobretaxa prejudicaria consumidores e empresas dos dois países. Ele também sustentou que o Pix, incluído no escopo da investigação, não concorre de forma desleal com companhias americanas, mas amplia a inclusão financeira da população.
Documento contestado e mudança de tom
Na semana passada, Flávio entregou ao USTR um relatório de 86 páginas sugerindo a suspensão da tarifa enquanto Brasil e Estados Unidos negociassem. A iniciativa foi criticada pelo governo Lula, que a interpretou como tentativa de adiar a medida para depois das eleições de 2026. Diante da repercussão, aliados do senador afirmaram que o texto havia sido mal compreendido e que a audiência serviria para deixar clara a oposição ao tarifaço.
Segundo Flávio, a sobretaxa reforçaria politicamente o Palácio do Planalto. “Os dados de 2025 mostraram que tarifas anteriores não atingiram os objetivos dos Estados Unidos e foram exploradas pelo governo brasileiro”, declarou. Ele acrescentou que em 90 dias o cenário político pode mudar e que impor a cobrança agora seria “difícil de reverter”.
Defesa do Pix
O sistema brasileiro de pagamentos instantâneos também foi tema central da fala do senador. Flávio argumentou que o Pix complementa, e não substitui, serviços de cartões de bandeiras americanas, mantendo o crescimento de transações desses meios de pagamento.
Próximos passos da investigação
A audiência em Washington compõe o último estágio da investigação aberta sob legislação comercial norte-americana. Além do Pix, o processo analisa comércio digital, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, tarifas preferenciais, combate à corrupção e desmatamento ilegal. Contribuições apresentadas nestes dois dias embasarão a recomendação técnica a ser enviada ao governo dos EUA, que deve decidir sobre a tarifa até 15 de julho.
Imagem: Fernando Pessoa
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil acompanhou a sessão com uma observadora da embaixada em Washington, mas não participou como expositor. O Itamaraty reiterou que o evento não constitui canal formal de negociação, conduzida por vias diplomáticas entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e o representante comercial norte-americano, Jamieson Greer.
Além de Flávio, falaram representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), setor calçadista e importadores dos Estados Unidos. O ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, representou as entidades industriais brasileiras.
Com informações de O Globo
