A três meses da eleição presidencial de 2026, a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta turbulência e a direita sofre para unificar candidaturas, ao passo que a esquerda concentra esforços na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Mensagens ligam Flávio a banqueiro preso
A crise do parlamentar ganhou força em maio, quando o site The Intercept divulgou mensagens que sugerem ligação direta entre Flávio e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, detido por fraude bancária. Segundo as informações, Vorcaro teria destinado R$ 61 milhões ao financiamento do filme Dark Horse, obra sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Peso nas pesquisas
Após o episódio, o senador recuou nos levantamentos de intenção de voto. No último estudo AtlasIntel/Bloomberg, divulgado em 1º de julho, Lula lidera com 46,3% no primeiro turno, enquanto Flávio registra 36%. O petista também venceria o adversário se a disputa chegasse ao segundo turno.
Conflito com Michelle Bolsonaro
O clima na direita piorou depois de a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmar, em vídeo nas redes sociais, que foi desrespeitada pelo senador. O impasse envolve a composição do PL no Ceará: Michelle rejeita a aproximação com Ciro Gomes (PSDB) e prefere apoiar Eduardo Girão (Novo-CE). A senadora Damares Alves (PL-DF) saiu em defesa de Michelle e se ausentou de um encontro promovido por Flávio com mulheres conservadoras em Brasília.
Outros nomes tentam espaço
Longe da crise do PL, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PDS) busca se distanciar do bolsonarismo. Nesta semana, lançou o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab como vice em uma chapa puro-sangue. Já Romeu Zema (Novo) trabalha para projetar seu nome nacionalmente e negocia aliança com o Podemos, mas encontra resistência interna. No mês passado, Zema foi desconvidado de um evento do Novo em Santa Catarina após críticas a Flávio Bolsonaro.
Debate sobre fragmentação
Para o deputado Ribamar Silva (Podemos-SP), a multiplicidade de candidaturas pode enfraquecer a direita na disputa contra o PT. Já o correligionário Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) defende a pluralidade de projetos e cobra candidatura própria da legenda, alegando fortalecimento partidário e maior visibilidade no horário eleitoral.
Imagem: Internet
Nó das vice-presidências
No campo conservador, Renan Santos (Missão) anunciou o militar da reserva Aroldo Medina como vice. Aécio Neves (PSDB), Augusto Cury (Avante), Joaquim Barbosa (DC) e Cabo Daciolo (Mobiliza) ainda não definiram companheiros de chapa.
Lula e Alckmin repetem aliança
Pela esquerda, Lula confirmou o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) novamente como candidato a vice. Outros nomes do campo progressista, como Samara Martins (UP), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU) e Rui Costa Pimenta (PCO), aparecem com menos de 1% nas pesquisas.
Com a direita dividida e o PT unido em torno de Lula, o cenário eleitoral segue indefinido, mas marcada por disputas internas e negociações que podem remodelar alianças até a data do pleito.
Com informações de Metrópoles
