Brasília — Com as mulheres representando 52,47% do eleitorado, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os principais pré-candidatos ao Palácio do Planalto ajustam propostas e linguagem para reduzir resistências e ampliar o apoio feminino na corrida de 2026.
Lula reforça vitrine de políticas e amplia participação feminina na campanha
Em busca da reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a incluir o combate à violência contra a mulher em quase todos os seus pronunciamentos. Na quinta-feira (2), defendeu o aumento de pena para autores de feminicídio. A estratégia é comparar as iniciativas de seu governo, como ações de igualdade salarial e ampliação de serviços do Sistema Único de Saúde, com o tratamento dado às mulheres durante a gestão Jair Bolsonaro.
Levantamento de junho do instituto Quaest indica que 35% das mulheres se declaram antibolsonaristas, enquanto 25% se dizem antipetistas. A aprovação feminina ao governo subiu de 45% em abril para 49% em junho. Dentro da campanha petista, a prioridade é manter a curva ascendente, sobretudo entre as classes C, D e E, e aproveitar a crise na família Bolsonaro para atrair indecisas.
No governo, o Ministério das Mulheres ganhou nova titular em maio de 2025, quando Márcia Lopes substituiu Cida Gonçalves. O foco passou a ser o enfrentamento à violência de gênero. Mesmo assim, o país registrou o trimestre mais letal para mulheres desde 2015: de janeiro a março de 2026 foram 399 feminicídios, o que equivale a uma vítima a cada 5 horas e 25 minutos.
Para dar peso político às pautas femininas, Lula ampliou o número de mulheres no núcleo estratégico da campanha. Entre as integrantes estão a vereadora Luna Zarattini, a secretária nacional de Mulheres do PT, Mazé Morais, Lucinha do MST e a secretária de Juventude do partido, Júlia Köpf. A primeira-dama Janja da Silva também participa das discussões.
Flávio Bolsonaro combina segurança com agenda social e busca vice mulher
Pré-candidato do PL, o senador Flávio Bolsonaro enfrenta resistência elevada entre as mulheres, agravada pela crise pública com a madrasta, Michelle Bolsonaro, que o acusou de humilhação em vídeo recente. A situação se deteriorou após o blogueiro aliado Paulo Figueiredo declarar que “mulheres votam muito mal”.
A equipe de Flávio avalia que a segurança pública, pauta tradicional do bolsonarismo, não basta para atrair o eleitorado feminino. Por isso, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques coordena um programa voltado à autonomia financeira, ao empreendedorismo feminino, ao microcrédito e à economia do cuidado, além de medidas contra a violência doméstica.
Imagem: Marcelo Camargo
O senador também intensificou a busca por uma mulher para a vaga de vice. Entre os nomes considerados estão a própria Daniella Marques, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e as deputadas Bia Kicis (PL-DF) e Simone Marquetto (PP-SP). Nenhuma delas confirmou convite formal.
Caiado destaca “mão pesada” contra agressores; Zema e Renan evitam programa segmentado
Pelo PSD, Ronaldo Caiado veicula inserções na TV em que promete rigor contra feminicidas e afirma que “em briga de marido e mulher, mete algema”. Apesar do discurso, o governador de Goiás escolheu o presidente do partido, Gilberto Kassab, como vice, deixando de lado a possibilidade de uma mulher na chapa.
Romeu Zema (Novo) anuncia que não lançará programa exclusivo para mulheres. A ideia é tratar segurança, emprego, renda, educação e creches dentro do plano geral de governo. Na mesma linha, Renan Santos (Missão) defende propostas como penas mais duras para violência doméstica, combate ao abandono parental, expansão de escolas em tempo integral e garantia do pagamento de pensão alimentícia, sobretudo para mães solo.
À medida que a campanha se aproxima, os diferentes acenos refletem a percepção comum de que o voto feminino pode definir a eleição de 2026.
Com informações de O Globo
