São Paulo — José Simonal Teles de Santana, pai da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, afirmou em audiência realizada em 1º de julho que a filha “jamais se mataria” e que “gostava muito de viver”. A declaração ocorreu diante do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu pela morte da esposa e preso desde 18 de março.
Gisele, de 32 anos, foi encontrada com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento onde morava com o oficial, no Brás, região central da capital paulista. A defesa sustenta que ela se suicidou, hipótese considerada inviável pela Polícia Civil, que indiciou o militar por feminicídio e fraude processual.
“Ela só queria viver”, diz o pai
Logo no início do depoimento, José negou qualquer indício de comportamento suicida por parte da filha. Segundo ele, a policial era alegre, tinha planos e era dedicada à filha de 7 anos, fruto de relacionamento anterior. O choro foi inevitável ao relatar a última vez em que a viu viva, na sexta-feira anterior ao disparo.
Nessa data, Gisele telefonou chorando e pediu que os pais fossem buscá-la. Eles se deslocaram até o prédio, conversaram por cerca de 15 minutos, mas a filha decidiu permanecer no imóvel. “Foi a última vez que eu vi ela viva. Depois, só no caixão”, disse o pai.
Relato de controle e humilhações
José contou que, após iniciar o relacionamento com o tenente-coronel, Gisele passou a se afastar de familiares e amigos. Ele relatou que o oficial monitorava a esposa, checando o celular dela e demonstrando ciúme em reuniões de família.
O pai também descreveu episódios em que o militar teria humilhado a soldado por questões financeiras, afirmando que arcava com todas as despesas do casal. Antes mesmo de conhecer os sogros pessoalmente, ainda de acordo com José, Geraldo teria enviado mensagens pelo WhatsApp exibindo carros, apartamento e informando o valor do salário.
Imagem: Internet
Falta de contato após a morte
Durante a audiência, José destacou que o acusado costumava ligar com frequência enquanto Gisele estava viva, mas não fez qualquer contato com a família após a morte da policial. A ausência de ligação também foi mencionada pelo delegado responsável pelo inquérito, Lucas de Souza Lopes, que apontou chamadas do réu a superiores hierárquicos, mas não aos parentes da vítima.
Próximos passos do processo
A audiência de instrução começou em 29 de junho e ouviu familiares, policiais militares, bombeiros e testemunhas de defesa. O interrogatório de Geraldo Leite Rosa Neto estava marcado para 3 de julho, mas foi adiado para 28 de agosto a pedido da defesa. O oficial segue detido no Presídio Militar Romão Gomes e nega ter matado a esposa ou alterado a cena do crime.
Com informações de Metrópoles
