Três meses antes da morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21 anos, durante um salto de rope jump sem corda de segurança, um garoto de nove anos se feriu realizando a mesma atividade na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP). Ambos os saltos foram organizados pelo grupo Entre Cordas, que não possuía autorização para o serviço.
No episódio ocorrido em março, uma falha no sistema de debreagem — responsável por frear a corda — quase provocou a morte da criança. O menino havia acabado de posar para um vídeo com uma menina de sete anos usando os equipamentos da equipe clandestina.
Relato do momento da queda
Luís Gustavo, membro do Entre Cordas que saltou junto com o menino, contou ao programa Fantástico (TV Globo) que percebeu algo errado logo após o pulo. “Eu não ouvi o grito dele e, quando olhei para o lado, ele estava no chão”, descreveu.
O pai da vítima, que também trabalhava no grupo, acompanhava a atividade e prestou depoimento à Polícia Civil como testemunha.
Atividade continuou até tragédia em junho
Apesar do acidente com a criança, os saltos seguiram sendo realizados. Em 13 de junho, Maria Eduarda foi lançada da mesma ponte sem estar presa à corda de proteção. Imagens gravadas pelo celular da própria jovem confirmaram a ausência do equipamento.
Indiciamentos
Em 1º de julho, a Polícia Civil indiciou Evelyne dos Santos Gonçalves por homicídio qualificado e fraude processual. Ela está presa desde 20 de junho, sete dias após a morte de Maria Eduarda.
Na mesma data, João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva e Gabriel Barros Martins tiveram as prisões revogadas e não foram indiciados.
Imagem: Internet
Já Maicon Fernandes Cintra, Luis Felipe Feliciano Egoroff e Vitor de Freitas Gonçalves foram presos em flagrante logo após a tragédia, tiveram a detenção convertida em preventiva e respondem por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar a morte.
Ocultação de provas
Segundo a investigação, houve tentativa de eliminar evidências nos dois acidentes. Pelo menos três testemunhas viram alguém retirar a câmera que estava presa ao corpo de Maria Eduarda logo após o impacto. Luís Gustavo afirmou ter recebido ordem direta de Evelyne para recolher o equipamento e apagar o vídeo.
Áudio de outra ex-funcionária indica que o mesmo pedido foi feito após o acidente com o menino em março. Por esse histórico, Evelyne também responderá pelo crime de fraude processual.
Com informações de Metrópoles
